Crítica | Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola

estrelas 2

Seth MacFarlane tem um senso de humor que volta e meia agrada até aos espectadores mais exigentes e desencantados com os rumos da comédia no atual cinema comercial. Ator, diretor, roteirista e produtor, MacFarlane vem se notabilizando por seus vários trabalhos nos últimos anos, seja no cinema – onde ainda é novato, com apenas dois longas no currículo (Ted, a grande sensação de 2012, e este da pegada na pistola) – seja na TV, atuando como produtor (Cosmos, 2014) ou acumulando cargos em ótimas séries como Uma Família da Pesada e American Dad! ou em uma série horrenda como Cleveland Show.

Embora tenha uma concepção interessante para seus roteiros na TV, MacFarlane acaba não acertando muito em seus projetos mais ambiciosos (leia-se os dois longas-metragens), quando então ele cede ou à megalomania de um texto permeado por piadas escatológicas e de mal gosto (linha que funcionou parcialmente em Ted mas que estragou Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola) ou pela overdose de sua persona na obra em questão. No presente caso, ele é corroteirista, diretor e protagonista do filme, este último, o seu maior erro de escalação e certamente parte do olhar tortuoso que o público lança para a obra no decorrer de seus excessivos 116 minutos de duração.

A história de Um Milhão de Maneiras se passa no Arizona, em 1882, e acompanha a vida de um desajeitado criador de ovelhas (MacFarlane) que sabe de cor todas as formas – algumas bem bizarras – de se morrer no Oeste. Ele não se sente nada confortável na região, mas está lá pelo amor que nutre por Louise (Amanda Seyfried) que não vê nele um bom partido. Esse ponto de partida estabelece um ambiente romântico que de alguma forma estará no restante do filme mas nunca com o meso tom. O roteiro pena para conseguir estabelecer algo coeso em suas várias ramificações e essa linha romântica é uma dessas tentativas, evidentemente frustrada.

Como paródia, o Um Milhão de Maneiras tem sua graça. Ao menos genericamente Seth MacFarlane acerta na direção, começando com referências claras ao título e abertura de Banzé no Oeste e trazendo um ótimo tema musical (composição de Joel McNeely, de American Dad!) que nos lembra uma mistura das partituras de No Tempo das Diligências e Paixão dos Fortes.

No decorrer do filme há brincadeiras e referências a The Terror of Tiny Town (com os anões cowboys); Yojimbo – O Guarda-Costas (com o cachorro pegando uma parte de um corpo morto); Como Eu Conheci Sua Mãe (com o personagem de Neil Patrick Harris dizendo um dos seus bordões na série: “Challenge Accepted”), e, claro, duas participações especiais que nos trazem personagens de De Volta Para o Futuro III e Django Livre, ambos expostos no longa unicamente como fan service.

Seria injusto dizer que Um Milhão de Maneiras é um filme sem graça. A obra tem sim alguns bons momentos, tanto em imagem (a fotografia do filme é muito bonita, especialmente nas tomadas externas) quanto em texto; mas a apelação para determinados tipos de piada, início e abandono de linhas narrativas, dissipação desleixada de uma atmosfera específica e resoluções fáceis para as infinitas subtramas no meio do filme fazem com que se torne uma comédia amargamente forçada. A isso, soma-se a atuação sofrível de Seth MacFarlane e a longa duração desnecessária da obra e então chegamos ao produto final. A forma como o western é tratado, revisado e parodiado aqui é interessante, ao menos como proposta, mas observando bem de perto, essa graça se perde e pouco sobra de substancial para o público após o final da sessão.

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (A Million Ways to Die in the West) – EUA, 2014
Direção: Seth MacFarlane
Roteiro: Seth MacFarlane, Alec Sulkin, Wellesley Wild
Elenco: Seth MacFarlane, Charlize Theron, Amanda Seyfried, Liam Neeson, Giovanni Ribisi, Neil Patrick Harris, Sarah Silverman, Christopher Hagen, Wes Studi, Matt Clark, Evan Jones, Aaron McPherson
Duração: 116 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.