Crítica | Um Momento Pode Mudar Tudo

estrelas 2,5

A atriz Hilary Swank ficou conhecida no mundo inteiro por seu papel no filme de 2004 Menina de Ouro, do diretor Clint Eastwood. Nele, ela viveu uma boxeadora que, durante uma luta, acaba sofrendo uma lesão que a deixa tetraplégica. O principal propósito do filme era falar sobre eutanásia.

É quase impossível não lembrar do marcante Menina de Ouro enquanto assistimos Um Momento Pode Mudar Tudo (You’re Not You, no título original – e diga-se de passagem, título muito mais adequado do que o tupiniquim). Nesse Um Momento, Hilary vive Kate, uma mulher na casa dos trinta anos que é diagnosticada com ELA (Esclerose lateral amiotrófica), a mesma doença do físico inglês Stephen Hawking – retratada no recente e ótimo A Teoria de Tudo. Conforme sua doença vai progredindo, Kate só se preocupa em ter uma enfermeira que a escute e não a trate como uma pessoa doente com um prazo de validade. E é aí que a jovem Bec (Emmy Rossum) entra em sua vida.

Pouco sabemos sobre Kate, sua vida, família, profissão, motivações e etc. O roteiro de Shana Feste e Jordan Roberts (baseado no livro de Michelle Wildgen) quer focar mesmo é na relação entre ela e Bec, tão opostas, mas tão necessárias uma a outra. Kate é retraída, introvertida e extremamente organizada; Bec é despojada, bangunceira, desbocada e maneater.

Hilary Swank e Emmy Rossum são duas ótimas atrizes, que deixam seus personagens extremamente críveis e acabam rendendo algumas boas cenas juntas. O problema é que o roteiro do longa é tão raso e previsível que durante as apresentações dos personagens você já sabe tudo o que vai acontecer. Um Momento Pode Mudar Tudo é o típico filme que não tem grandes pretensões, ele só quer emocionar o espectador na medida do aceitável – sem compromisso com o retrato fiel da doença ou a criação de cenas poderosas marcantes, que ficarão dias na sua cabeça. A direção de George C. Wolfe também não colabora muito – é apressada e erra a mão diversas vezes, porém, se faz adequada ao roteiro de Feste e Roberts.

Ágil, acessível, direto e absolutamente esquecível, Um Momento Pode Mudar Tudo é um filme que deve arrancar lágrimas dos que se emocionam fácil – mas apenas deles. É sempre bom ver Hilary Swank e Emmy Rossum brilharem, mas isso não é o suficiente para elevar o nível do filme e mudar o que ele realmente é: um filme digno de Sessão da Tarde.

Um Momento Pode Mudar Tudo (You’re not You) – EUA, 2014
Direção: George C. Wolfe
Roteiro: Shana Feste e Jordan Roberts (baseado no livro de Michelle Wildgen)
Elenco: Hilary Swank, Emmy Rossum, Josh Duhamel, Marcia Gay Harden, Ali Larter.
Duração: 104 min.

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira