Crítica | Uma Longa Queda

estrelas 3Já parou para pensar onde foi que conheceu seus amigos? Na escola? Foram vizinhos? Amigos de amigos? Os lugares são os mais diversos, algumas vezes os mais inusitados, como dentro das Lojas Americanas por exemplo. É sério.

Amizades tendem a se estabelecer principalmente por fatores em comum, seja por gostar da mesma banda, do mesmo time, de um filme em específico ou até mesmo por não gostar de algo como futebol, acordar cedo e etc. Logo, quatro pessoas que pensam em se suicidar da mesma maneira, no mesmo lugar e no mesmo dia, só poderiam se tornar amigas certo? Bem, certamente não por vontade própria, porém é o que acontece com Martin, J.J, Jesse e Maureen em Uma Longa Queda.

Martin é um ex-apresentador de televisão que tem passado por maus bocados. Sem qualquer perspectiva de vida ele escolhe a noite de ano-novo para subir até o topo do prédio mais alto em Londres e acabar com seus problemas. Quando está lá, debruçado no parapeito, alguém o interrompe e pergunta se ele vai demorar muito. Para pular. É Maureen. Enquanto os dois dialogam, a porta do terraço abre de rompante e uma garota com a maquiagem borrada sai gritando e correndo em direção a murada. Martin, que já havia descido do parapeito, a segura com toda a força no chão e pede ajuda de Maureen. De longe, um homem vê tudo e pergunta se eles querem ajuda. Frustrado, Martin desiste do seu plano e solta a garota, que sai correndo pela escada. Os três então ficam ali parados e Maureen os convence a ir atrás dela, já que ficou preocupada. Eles a seguem até uma festa, mas não conseguem encontrá-la. O ano rompe. Em meio aos fogos, uma ambulância carrega uma garota para dentro, desacordada. É ela, Jesse. Os três seguem a ambulância até o hospital e descobrem que Jesse tomou vários comprimidos junto com bebida, mas, ela afirma que não queria morrer assim. É então que o grupo faz um pacto: ficarem unidos e esperar para se matar só no Dia dos Namorados. Mas, até lá, um monte de coisas pode acontecer.

Baseado no livro homônimo do Nick Hornby, a grande diferença entre as mídias é bem simples: o tom usado para narrar à história. Enquanto no livro podemos nos aprofundar mais no passado dos personagens, aprender sobre suas angústias, no filme há uma leve pincelada nos problemas, com uma dose grande de bom humor. Por se tratar de um assunto muito sério, o diretor Pascal Chaumeil optou por essa visão diferenciada da questão, o que acaba tornando o filme bem divertido e até sarcástico, mas, senti falta de algumas passagens do livro que ficariam interessantes no filme.

O elenco foi muito bem escolhido, com exceção talvez do Pierce Brosnan que parece deslocado no tempo e espaço. Sua interação com os demais atores é fraca, um tanto forçada e ele parece estar ali apenas como chamariz para o filme. O que não faz sentido já que o nome do Aaron Paul chama muito mais atenção atualmente. De qualquer forma, quem mais se destaca é Imogen Poots que tem aparecido em alguns filmes recentes como Namoro ou Liberdade? e Need For Speed onde também contracena com Aaron. A atriz esbanja carisma e atrai de imediato o olhar do espectador.

Uma Longa Queda pode até ser bem engraçado, mas as piadas acabam desviando a atenção do problema principal.

Uma Longa Queda (A Long Way Down- UK/Alemanha- 2014)
Direção: Paul Chaumeil
Roteiro: Jack Thorne
Elenco: Aaron Paul, Imogen Poots, Toni Collette, Pierce Brosnan, Rosamund Pike, Tuppence Middleton, Sam Neil, Joe Cole, George Hewer, Enrique Arce, Diane Kent
Duração: 96 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.