Crítica | Uma Noite no Museu 2

estrelas 2

O primeiro Uma Noite no Museu é um filme que cumpre sua função da maneira mais hollywoodiana possível: a premissa simples – objetos do Museu de História Natural de Nova York ganham vida – é carregada de efeitos visuais eficientes em um frenesi non stop carregado pelo histrionismo simpático de Ben Stiller. E a continuação é também um típico produto de Hollywood: mais do mesmo, só que em escala maior, com mais efeitos especiais, mais pirotecnia e nenhum traço de originalidade, toda ela gasta na primeira parte.

Uma Noite no Museu 2 transfere a ação do primeiro filme para o complexo de museus do Smithsonian, em Washington D.C. Como disse, é a mesma coisa, só que com uma roupagem mais extravagante, mais exagerada. Um museu é trocado por vários museus para mais um assalto sensorial barulhento e com um roteiro rasteiro.

Agora, Ben Stiller, que fazia o papel do guarda noturno Larry Daley na fita original, é o rico empresário Larry Daley, inventor de um monte de bugingangas inúteis vendidas naqueles programas idiotizantes – mas que são deliciosos de assistir (podem me internar!) – que vendem “facas Ginsu” e meias “Vivarina”. É claro que, por uma razão qualquer que é difícil de explicar de tão aleatória, ele acaba novamente como guarda noturno por uma noite no Smithsonian, para tentar salvar seus amigos reanimados e vários outros amigos novos.

É um tal de correr de um museu para o outro só para mostrar as estátuas e obras de arte ganhando vida, de forma a justificar o orçamento de para lá de 15o milhões de dólares, que a história, que já era pouca, desaparece completamente. A vilania da vez fica com o irmão do faraó do primeiro filme que se une com Al Capone, Ivan, o Terrível e Napoleão Bonaparte para recuperar uma placa que abre um portal para o inferno. Mas isso pouco importa. O objetivo é fazer o filme servir ao propósito de animar a escultura gigante de Abraham Lincoln, fazer nossos heróis entrarem em fotografias, mostrar batalhas aéreas e coisas do gênero.

A única adição de porte e que dá um charme à projeção é Amelia Earhart, a primeira aviadora a atravessar o Atlântico em voo solo, vivida por Amy Adams. O contraponto que a atriz faz a Ben Stiller, retirando um pouco de sua onipresença na tela, é agradável e bem construído, ainda que previsível até o último segundo.

Há também alguns (poucos) momentos com boa comédia, valendo especial destaque a brevíssima e hilária cena com Darth Vader e algumas boas tiradas com Owen Wilson, Robin Williams e Ricky Gervais, reprisando seus papeis. Além disso, os efeitos especiais são bem acabados, ainda que sirvam a um propósito bobo durante a maior parte do tempo, substituindo substância por exuberância.

No entanto, essa é a sina de filmes como esse: a repetição ad nauseam da mesma fórmula que deu certo, na esperança que funcione novamente, sem que o público alvo – por mais novo que ele seja – seja minimante desafiado. Lamentável.

Uma Noite no Museu 2 (Night at the Museum: Battle of the Smithsonian, EUA/Canadá – 2009)
Direção: Shawn Levy
Roteiro: Robert Ben Garant, Thomas Lennon
Elenco: Ben Stiller, Amy Adams, Owen Wilson, Hank Azaria, Robin Williams, Christopher Guest, Alain Chabat, Steve Coogan, Ricky Gervais, Bill Hader, Jon Bernthal, Patrick Gallagher
Duração: 105 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.