Crítica | Uma Noite no Museu

estrelas 3

A premissa é encantadora. Dentro do Museu de História Natural Americano, os animais e personalidades ganham vida à noite — tal como acontece com os brinquedos em Toy Story — só que desta vez tem uma pessoa vigiando. Larry Daley vai ter de lidar com diferentes circunstâncias ao se deparar com essa realidade antes inimaginável.

A partir disso, fica claro que este filme visa um público juvenil, mas consegue ainda reter a atenção de adultos com os efeitos especiais e a narrativa dinâmica. Ao potencializar a estrutura óssea de um dinossauro com a maleabilidade para imitar um cachorrinho entusiasmado, o espectador reconhece tanto o gênero quanto a qualidade técnica.

Protagonizado por Ben Stiller, é de se esperar de Larry Daley, segurança noturno recém-contratado, tenha um jeito meio desengonçado e garanta o status de comédia “sessão da tarde”. Além disso, o elenco conta com uma turma de fácil humor, reunindo Robin Williams, Rick Gervais e Owen Wilson. Já o roteiro segue um padrão já bem mastigado por Hollywood, o que não necessariamente o torna ruim.

Aqui a previsibilidade é até bem vinda, porque a intenção é unicamente entreter o público com uma história divertida. Baseado no livro infantil homônimo, de Milan Trec, o grande potencial de Uma Noite no Museu talvez seja o fato de incentivar as crianças a fazerem mais visitações à museus e despertar a curiosidade delas com ações e aventuras no lugar de figuras estáticas e distantes. Isso faz sentido quando o objetivo é cativar os olhos saltitantes de uma criança.

Além disso, o fato de ter uma história emocional a respeito de como as crianças veem os pais é um ingrediente que torna a história bem “família”. Tudo começa quando a admiração do filho é direcionada ao padrasto, que transmite confiança e poder, em vez do pai, irresponsável e sonhador. A decepção do filho é o que motiva a história de Larry. O resto da narrativa vai engatilhar as transformações necessárias para que isso seja contornado ao final do filme.

De fato, é uma triste visão realizar que os pais não sabem todas as repostas e podem estar tão perdidos quanto os filhos e ainda não saberem o sentido da vida, para onde vamos e de onde viemos. É quando humanizamos as figuras paternais. No entanto, o pai herói consegue achar seu espaço na narrativa. E é por conta das diversas situações, de risco e emoção, que Larry aprende seus pontos fortes e descobre seu verdadeiro potencial.

Com direito a pipoca e minhoca azeda, esse filme pertence a um gênero cômico que preenche espaço e apresenta um retorno esperado. Sem muita pretensão, passar uma noite no museu talvez não seja tão má ideia.

Uma Noite no Museu (Night at the Museum, EUA/Reino Unido – 2006)
Diretor: Shawn Levy
Roteirista: Robert Ben Garant, Thomas Lennon (baseado em livro de Milan Trenc)
Elenco: Ben Stiller, Robin Williams, Rick Gervais, Owen Wilson, Dick Van Dike, Kim Raver, Carla Gugino, Mickey Rooney, Jake Cherry, Kim Raver, Patrick Gallagher, Rami Malek, Pierfrancesco Favino
Duração: 108 min.

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.