Crítica | Uma Questão Pessoal (2017)

plano critico uma questão pessoal plano critico

Não é a primeira vez que Uma Questão Pessoal, obra de Beppe Fenoglio, ganha adaptação para o cinema, mas esta versão de Paolo Taviani (eu seu primeiro filme na direção sem o irmão e parceiro de longa data, Vittorio) é certamente a aquela com grande distribuição e atenção de público e crítica, se comparada às versões anteriores. A obra se passa durante a 2ª Guerra Mundial, onde um partisan apelidado Milton (Luca Marinelli) parece estar cego para todas as coisas que acontecem ao seu redor e se dá ao luxo de perseguir um amigo para “tirar a limpo” uma história ligada a uma garota que ambos paqueravam.

O roteiro dos irmãos Taviani não perde o tom romântico que muitas vezes marca os seus textos, mas a divisão entre aspectos de guerra e a tal questão pessoal — forte marca da literatura, mas que poderia ser reformulada — pode ser vista aqui, fazendo-nos dividir com muita clareza a parte que funciona bem no filme — tudo ligado à guerra — e a parte que não funciona bem — tudo ligado a Fulvia e o que ela representa para Milton e Giorgio, quebrando o ritmo e desviando a atenção do espectador para algo estruturalmente pouco importante para a obra. Em um olhar rápido para a proposta, era de se esperar que um drama de guerra deste porte precisaria de algo muito mais intenso ou que o espectador se importasse bem mais para lhe fazer frente. E a história de amor ou a obsessão de Milton em relação à garota de seu passado simplesmente não cumpre esse papel.

Com esta perspectiva, não é difícil entender o funcionamento e os distintos pesos que a obra terá para o espectador. No bloco de guerra, Paolo Taviani utilizou um bom número de planos gerais e de maior duração, com elegantes movimentos de câmera pela paisagem, acompanhando a jornada do protagonista (guardadas as proporções de caminhada, me lembrou um outro filme europeu da mesma safra, Os Meninos Que Enganavam Nazistas). Um forte nevoeiro marca a paisagem italiana aqui, tornando-se quase um personagem sombrio, ameaçador, ocultando o que tem pela frente e impedindo que a Resistência avance na tomada de vilas no interior da Itália. Em uma excelente sequência de passagem de um local de Resistência para outro, quando Milton procura um fascista vivo para poder trocar pelo companheiro capturado, temos uma aplaudível alteração de caraterísticas cênicas, de opiniões e reações ao front de Resistência e diferentes exposições da direção de arte para o largo campo de batalha, visão muito bem contrastada pela montagem.

Destaca-se também o belo desenho sonoro do filme em toda a jornada militar, com riqueza na edição de som e bastante rigor na mixagem, especialmente na transição entre cenas de campos abertos e outras em interiores, de caráter mais íntimo, onde a trilha sonora passa a fazer um papel maior de contexto. Nas cenas de guerra, todos esses pontos estão contextualizados de forma que nos chamam a atenção e recebem bons diálogos e uma clara linha de eventos, o que não podemos dizer da camada romântica da fita. É certo que ainda temos uma boa direção aí, mas como não existe um laço bem atado entre o lado romântico e o da batalha, acabamos curtindo apenas uma parte da obra, que é realmente boa, mas não livre da interferência de algo que poderia muito bem não estar lá. No final, a questão particular ganha ares de “jornada do herói” e a obsessão ganha uma bandeira de fuga e oportunidade de nova vida. Uma saída quase aceitável para a caraterística pessoal do personagem em cena, mas que chega ao fim por um caminho que não beneficiou em nada o filme.

Uma Questão Pessoal (Una questione privata) — Itália, França, 2017
Direção: Paolo Taviani
Roteiro: Paolo Taviani, Vittorio Taviani (baseado na obra de Beppe Fenoglio)
Elenco: Luca Marinelli, Lorenzo Richelmy, Valentina Bellè, Francesca Agostini, Jacopo Olmo Antinori, Antonella Attili, Giulio Beranek, Mario Bois, Marco Brinzi, Fabrizio Costella, Mauro Conte, Lorenzo Demaria, Andrea Di Maria, Guglielmo Favilla, Anna Ferruzzo
Duração: 84 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.