Crítica | Undying Love – Amor Imortal

estrelas 3,5

Por mais que os autores tenha se esforçado para deixar claro que a trama de Amor Imortal foi escrita ANTES da horda purpurinada de vampiros-fadas assolarem o cinema, e por tabela, a literatura, os quadrinhos, a TV… é impossível não contextualizar o álbum dentro desse momento e enxergá-lo como mais um produto de histórias dos seres da noite, ou ainda, mais um braço das publicações que trazem como mote principal o amor problemático entre vampiros e humanos.

Escrita e desenhada pela dupla Tom Coker e Daniel Freedman, Amor Imortal traz basicamente a história de um casal que não pode ficar junto porque são de espécies diferentes e, claro, a luta da dupla contra um inimigo de grandes poderes. Esse primeiro volume da saga não responde muita coisa, apenas apresenta os protagonistas e inicia de maneira intrigante a dupla caçada, uma do lado vampiro/humano, a outra do lado das raposas e transmorfos. E é aqui que as diferenças de Amor Imortal para qualquer outra história de vampiros começam a aparecer.

A trama é ambientada na China, por isso, junto à história dos vampiros, temos indicações de elementos típicos da cultura e mitologia chinesa, e ainda, alusões a contos, crônicas e referências clássicas sobre transfiguração humana, magia e… vampiros. Nesse ponto, Amor Imortal alcança uma boa recepção do leitor, porque o põe diante dele verdadeiras criaturas da noite, seres perigosos que não se importam em matar ou usar de influência genética para atrair suas criaturas ou manipulá-las a seu bel prazer.

John Sargent, o ex-fuzileiro naval estadunidense que toma um outro caminho na vida após resgatar uma jovem chinesa em pleno deserto da Síria, é o kick-ass da história. Sua constituição psicológica é bastante complexa e enigmática, mas nada muito diferente de outros soldados que já vimos nos quadrinhos (ele lembra um pouco o Justiceiro). Sua missão pessoal é encontrar o mega-master poderoso vampiro que transformou Mei em vampira, e então romper a ligação entre os dois e fazê-la tornar-se humana novamente. À primeira vista, a história parece terrivelmente clichê, mas garanto que não é. Há um fôlego novo na trama, que conta com momentos muito bons, mas, a despeito de tudo isso, não conseguiu me convencer de todo.

Talvez pela “saturação” do tema “vampiros”, ou talvez pelas pontas soltas deixadas por Coker e Freedman ao longo do roteiro, eu não tenha encontrado nessa revista uma história que me convencesse totalmente ou que me fizesse enxergar algo absurdamente inovador no trato com essas criaturas. Apesar da interessantíssima concepção e abordagem (literal e artística), o gancho para o volume 2 me pareceu fraco, mediante o ritmo que se vinha apresentando até então. E a própria história, em seu desenvolvimento, deixa elementos inexplicados, coisas que poderiam ajudar o leitor a apreciar melhor a história de Sargent e Mei. Entendo que é vital para a continuação da revista que coisas fiquem sem explicar e que isso vá acontecendo com o tempo, mas temo que os roteiristas escolheram errado o que deveria ou não ser explicado depois.

Um exemplo irrefutável dessa má escolha do que explicar depois, está no encontro de John Sargent e a vampira Mei. Ele se dá apenas no capítulo 3 do álbum e numa sequência de eventos que não pedia esse tipo de regressão. O leitor fica boiando em relação às origens dos protagonistas (embora saiba o que aconteceu, porque isso vem de spoiler na sinopse do álbum) e tem contato com ela num momento em que sua preocupação era outra! Não sei se fui o único leitor a me sentir incomodado com isso, mas foi algo que realmente me intrigou.

Por curiosidade, é evidente que eu continuarei a acompanhar a história de Amor Imortal. Embora não tenha achado que esse primeiro volume superou as expectativas de inovação no trato com os vampiros que tanto alardeia a propaganda, os autores conseguiram construir uma história que nos deixa intrigados, curiosos, reféns de uma situação que tem algumas coisas boas, mas que se deixasse de lado os mesmo clichês de concepção que estão tentando deixar ao propor uma nova estrutura narrativa (com a mitologia chinesa), a coisa pode ficar ainda melhor.

Undying Love – Amor Imortal Vol. 1 – EUA, 2011
Roteiro: Tomm Coker, Daniel Freedman
Arte: Tomm Coker
Cores: Daniel Freedman
Lançamento no Brasil: Editora Mythos, 2012
120 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.