Crítica | Universidade Monstros

estrelas 3

Entrando na onda de remakes, continuações e reboots, a Pixar decide explorar mais um de seus longas e retorna para o universo de Monstros S.A. Já tendo realizado as duas ótimas continuações de Toy Story e o fraco Carros 2o estúdio contava com certa experiência por essas vias e o mundo de Sullivan e Mike certamente conta com uma riqueza e criatividade o suficientes para nos proporcionar uma boa aprofundada. O diretor Dan Scanlon – que é também um daqueles que assina o roteiro -, porém, opta por focar na relação entre os dois futuros recordistas da empresa geradora de sustos (e, consequentemente, energia).

Tal escolha não necessariamente se traduz em uma receita para o fracasso. Voltamos alguns anos no passado e descobrimos como um jovem Wazowski decidiu se tornar um assustador. Focado em seus objetivos ele entra na Universidade Monstros, onde conhece James P. Sullivan, cuja família já é renomada no meio. Uma rivalidade imediata cresce entre os dois, o que provoca a expulsão de ambos das aulas de susto. Juntos, portanto, devem batalhar para serem reinseridos nessas classes, ao mesmo tempo que formam um laço que duraria pela vida inteira – conforme já vimos em Monstros S.A.

O primeiro elemento que causa um nítido estranhamento em Universidade Monstros é como esse universo inteiro parece girar em torno dos sustos. Basicamente se você não for qualificado para assustar crianças, você não é ninguém. O conceito funcionaria se essa não fosse uma simples matéria prima energética. onde está o restante do mundo? Realmente gerar eletricidade é a coisa mais importante aqui? Evidentemente temos, em paralelo com o nosso próprio mundo, um foco gigantesco nas matrizes energéticas, seja a eletricidade ou o petróleo, mas fazer um universo inteiro girar em volta disso, soa, no mínimo, inverossímil.

Mas, como foi dito antes, o foco aqui é construir a amizade dos dois monstros. Nesse quesito, a obra não foge do clichê. Por mais que saibamos o resultado de antemão, não há nenhum twist que seja inesperado. A tentativa de criar isso é evidente no trecho final da projeção, mas o resultado é apenas um desfecho demasiadamente longo. Não se enganem, contudo, o filme consegue, sim, divertir, mas está muito aquém da genialidade que a Pixar já demonstrara em seus roteiros anteriormente – aqui temos o o que já é previsto pela expectativa e constantes brincadeiras e ironias criadas através da comparação de nosso mundo com o deles. Além disso, naturalmente, temos as inúmeras referências ao longa-metragem original, que traz sorrisos dos fãs, mas que, no fim, não impacta nossa percepção sobre ele.

No quesito da animação em si, o estúdio não deixa a desejar. O universo multicolorido de Monstros S.A. jamais esteve tão brilhante e o design tanto das criaturas quanto dos locais chega a ser estonteante. Ajuda muito também o fato do filme ter sido lançado após Valente, que desenvolveu ainda mais a forma como cabelos e pelos se movimentam, garantindo um maior realismo a Sullivan. Limitar os elogios à caracterização do monstrengo azul, porém, seria um equívoco. O trabalho nas texturas é realmente impressionante, sólido e pode ser observado especialmente no trecho final, em uma cena específica onde as cores vibrantes que estamos acostumados no filme são colocadas em contraponto com uma luz mais realista, o que também ajuda a contrastar nosso mundo com o deles.

Universidade Monstros, portanto, é uma obra que não foge do comum e isso é um grande desapontamento quando se trata da Pixar. É um daqueles filmes para quem não quer deixar Monstros S.A. de lado e deseja ter mais dos mesmos personagens, diversão sem muita profundidade. Ainda assim, trata-se de uma animação de destaque, por mais que fique bem embaixo no ranking dos filmes do estúdio em questão.

Universidade Monstros (Monsters University – EUA, 2013)
Direção:
 Dan Scanlon
Roteiro: Daniel Gerson, Robert L. Baird, Dan Scanlon
Elenco: Billy Crystal, John Goodman, Helen Mirren, Steve Buscemi, Peter Sohn, Joel Murray, Sean Hayes, Alfred Molina
Duração: 104 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.