Crítica | Utopia – 1ª Temporada

estrelas 4,5Where is Jessica Hyde? Para os espectadores da 1ª Temporada de Utopia (2013), essa é uma pergunta que vai ficar muito tempo na memória.

Criada por Dennis Kelly, a série britânica nos traz a genial história de uma teoria da conspiração envolvendo quadrinhos, superpopulação mundial, saúde global e intrigas governamentais de peso, tendo ainda espaço para um sem-número de easter eggs culturais, a começar pelo núcleo dramático da série, o objeto que lhe dá o nome.

The Utopia Experiments é uma Graphic Novel escrita por alguém dado como louco, e conta a história de um cientista que faz um pacto com o diabo (Fausto, de Goethe) e cria a partir daí um novo rumo para a humanidade. O primeiro volume da GN chegou a ser publicado, mas um poderoso grupo está atrás dela, não poupando esforços, dinheiro e violência para conseguir.

O roteiro da série tem essa premissa e parte de um ponto corrente na história: as apresentações são feitas de modo rápido e imediato, sem tempo para grandes levantamentos problemáticos sobre cada um. E o curioso nisso tudo é que ao final do 6º episódio da temporada temos pleno conhecimento de todos, uma percepção construída entre observação e ação, dois lados de uma moeda de muito valor para Utopia.

Há toda uma polêmica em relação à série por conta do uso de violência extrema, mesmo tendo duas crianças no elenco. O ator Oliver Woollford, que tem 14 anos, vive um personagem (o esquentadinho Grant) que fala palavrão, bebe cerveja e bebidas quentes, fica bêbado, assassina um homem com um pedaço de chapa de ferro no pescoço, etc. Não há limites para a abordagem da série, e isso é tanto na relação com os atores quanto suas personagens, que se veem correndo atrás de um mistério cada vez mais intricado, como em Alice no País das Maravilhas. E por falar em Alice, a história declaradamente assume esse caráter através de duas personagens essenciais nesse quesito de viagem: Alice, a “namorada” de Grant, e o misterioso Mr. Rabbit.

Uma série de levantamentos críticos à nossa sociedade são trazidos à tona, alguns deles já comentados no início do texto. Mas é em torno da superpopulação mundial que a teoria de Utopia Experiments (a Graphic Novel) se centra. Nessa levada, vemos surgir uma possibilidade bastante polêmica sobre o controle de população no mundo, um processo medicinal e científico que, na mitologia da série, remota à Guerra Fria e envolve experimentos com seres humanos, dos quais Arby (ou R-B, the rising boy), interpretado quase que divinamente pelo ator Neil Maskell, e a famosa Jessica Hyde, são provas vivas.

A estética da série acompanha perfeitamente as nuances deixadas pelo texto, do mesmo modo que a trilha sonora adiciona mais poder a cada tema cênico executado. A fotografia se torna mais escura, os planos abertos partem de plantações com pouca saturação para uma casa abandonada, quintais sujos, cidade… O tom das coisas se torna ironicamente mais vivo, ao passo que a luminosidade desaparece e a história se torna igualmente sombria. As personagens assumem rumos um pouco distintos de sua posição no início da série e o final de tudo é de explodir a mente…

Com takes dignos de qualquer grande diretor de cinema, equipe técnica impecável, atores em interpretações louváveis e um roteiro no mínimo genial, Utopia é uma série-vício, uma daquelas produções da ficção que nos fazem pensar em um bocado de coisas e entrar um pouco em sua loucura, que triste e ironicamente, não é tão louca assim.

Utopia – UK, 2013
Showruuner: Dennis Kelly
Roteiro e Direção: Diversos
Elenco: James Fox, Fiona O’Shaughnessy, Alexandra Roach, Nathan Stewart-Jarrett, Ruth Gemmell, Anna Madeley, Adeel Akhtar, Paul Higgins, Oliver Woollford, Neil Maskell, Alistair Petrie, Emilia Jones
Duração: 53 min. cada episódio

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.