Crítica | “V” – Maroon 5

estrelas 3,5

Foi com o álbum Overexposed, de 2012, que a banda liderada por Adam Levine resolveu abraçar o pop sem medo de ser feliz. Eles já vinham flertando com o gênero há um tempo (o terceiro álbum, Hands All Over, soa como um álbum de transição entre o antigo Maroon 5 – que era mais pautado no rock alternativo com pitadas de soul – e a nova – mais descompromissada e acessível às grandes massas).

Com o sucesso estrondoso de Moves Like Jagger (antes do lançamento de Overexposed), que dominou as paradas e fez com que a banda ficasse conhecida no mundo inteiro, já dava para imaginar o que viria no novo álbum. Não houve surpresa: Moves já tinha aberto o caminho para a nova fase do Maroon 5, mais colorida, escandalosa e sem medo algum de se assumir pop – seja isso bom ou ruim. Ou você abraçava a mudança, ou abandonava a banda. Como fã desde o excelente álbum de estreia Songs About Jane, tentei entender a nova fase e tirar o que viesse de bom com ela.

E aí chegou V. O quinto álbum não apenas reitera essa nova fase da banda (já que deu certo, vamos continuar a pegada!), mas também eleva o papel de frontman de Adam Levine à máxima potência. Nunca sua imagem sobrepôs tanto a da banda como agora. Em alguns momentos, dá para se pegar pensando se Maroon 5 é mesmo uma banda ou apenas um pseudônimo do cantor. Entretanto, isso não acaba influenciando muito na musicalidade de V. Temos músicas excelentes aqui, como Maps, faixa que abre o álbum e que é uma mistura simpática de reggae e pop, com riffs de guittara que dão um toque sensual; Sugar, com sua pegada cheia de groove e funk; as baladas românticas Unkiss Me e Leaving California, esta que, por incrível que pareça, realmente nos remete ao paraíso americano de sol brilhante e praias convidativas; In Your Pocket, que prova que essa nova fase bubblegum do Maroon 5 também pode render boas músicas pop; e a grata surpresa It Was Always You, a melhor faixa do álbum – e uma das melhores músicas que a banda já fez.

V, porém, sofre dos mesmos problemas de Overexposed. Algumas músicas pecam pelo excesso: Animals, apesar de ser uma boa faixa, chega a ser risível em diversos momentos (obviamente o uivo de Adam é o maior deles); New Love e seus hooks agudos soam tão bobos que faz com que a música simplesmente não seja levada a sério. E o que dizer de Feelings? Essa faixa representa toda essa “falta de vergonha” do Maroon 5 em ser assumidamente pop agora – e o resultado é inacreditavelmente bizarro e desconcertante… Chega a ser assustador na primeira vez que se ouve. Vergonha alheia define. Feelings também é a representação máxima dessa exposição da figura de Adam. A única coisa que se consegue imaginar ao ouvir essa canção é Adam fazendo loucas coreografias de dança, em um clipe digno de estrelas pop já tarimbadas – e um tanto exóticas – como Katy Perry ou Lady Gaga.

Alguns álbuns são tão instáveis que, quando você gosta de uma música e ela vai acabando, você fica com medo do que encontrará na faixa a seguir. Essa sensação define a primeira vez que ouvi V. Ainda assim, ele não é um álbum ruim. O problema é que é uma repetição de Overexposed: tem bons e maus momentos na mesma intensidade.

V
Artista: Maroon 5
País: EUA
Lançamento: 29 de agosto de 2014
Gravadora: Interscope
Estilo: rock alternativo, pop

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira