Crítica | Vagabond – Vol. 1

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estrelas 5,0

Vagabond é a obra prima de Takehiko Inoue, o mangaká já conhecido pelo seu trabalho em Slam Dunk. Diferente da saga dos jogadores de basquete, aqui ele escolhe narrar um período da história do maior e mais habilidoso guerreiro do Japão: Miyamoto Musashi. Porém, o autor não prefere começar pelos dias de glória do guerreiro. Muito pelo contrário, na primeira edição não conhecemos Miyamoto, mas sim Shinmen Takezō.

Tudo começa na famosa Batalha de Sekigahara, conflito que é tido como um dos maiores e mais importantes de todo o período feudal do Japão. Diferente de sua fama, nosso protagonista começa a narrativa como um jovem, de apenas 17 anos. Ele e seu amigo Hon’iden Matahachi vão para a batalha com o objetivo de cortar a cabeça de um general e conquistar honra com um dos dois exércitos. Nada disso é contado no mangá, Takehiro prefere colocar seu leitor desprovido de conhecer o objetivo de seu protagonista, isso se sabe devido à estudos sobre a história de Musashi.

Logo no primeiro painel vemos Takezō caído no chão, quase morto. Porém o protagonista consegue levantar e assim percorre um caminho junto com seu amigo Hon’iden Matahachi. Durante a caminhada eles encontram duas mulheres. Elas os ajudam, mas durante uma invasão de saqueadores à casa delas, Matahachi trai seu amigo e nega ajudá-lo durante a investida dos adversários.

Depois disso, vemos Takezo sozinho, todavia, diferente dos outros samurais que vivem pela espada, com um código de conduta que presa a honra, chamado de Bushido, o menino é uma máquina de matar, selvagem e sem nenhuma disciplina, sendo até mesmo comparado com o próprio demônio por suas vítimas.

Nessa primeira edição é muito difícil se relacionar com Shinmen Takezo, além de ser tudo o que já foi dito, o protagonista parece ser um personagem pronto, nada o desafia, nada o causa medo, ele é invencível, imutável e muito chato. Entretanto, Takehiko Inoue está longe de ser um péssimo escritor e, mesmo com um protagonista difícil, vemos no roteiro pequenas dicas mostrando que algo irá mudar e que a invencibilidade de Takezo cairá.

Não há como conversar sobre Vagabond e não ouvir o nome de seu autor. Takehiko Inoue faz um roteiro excelente, utilizando muito bem do silêncio e do ambiente em sua narrativa, essa que é simples, fácil e muito fluida em sua leitura. O público pode estranhar a falta de diálogos durante a primeira leitura, o autor coloca poucas falas e quando as insere, faz questão de implementá-las de forma curta. Porém, isso está longe de atingir de forma ruim a obra, que é contada não apenas pelos seus personagens, mas também, e às vezes principalmente, por todo lindo ambiente retratado à volta deles.

Não se pode abusar da falta de diálogos sem poder se apoiar na arte, essa que também é feita por Takehiko Inoue. É impressionante a forma que o autor capricha em Vagabond. Vemos cenários detalhados microscopicamente,  expressões que narram sem precisar de mais nada e sombras que praticamente colorem os traços do desenhista.

Vagabond numero 1 está saindo no Brasil pela editora Panini, que não só respeitou o material fonte, como também trouxe a edição com um acabamento maravilhoso, simples, mas que rima visualmente com aquilo que se vê dentro do mangá.

A jornada de Takezō, que um dia irá virar Musashi começa da melhor forma possível, Takehiko Inoue lida com muito esmero tanto no roteiro como na incrível arte. Vagabond é um leitura obrigatória para aqueles que apreciam a cultura dos samurais e para aqueles que são consumidores da arte sequencial, sendo ela Ocidental ou Oriental.

Vagabond – Vol. 1 — Japão, 1998
Roteiro: Takehiko Inoue
Arte: Takehiko Inoue
Letras: Takehiko Inoue
Editora original: Kodansha
Datas originais de publicação: 1998
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 256
PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".