Crítica | Veep – 1ª e 2ª Temporadas

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estrelas 4

Veep foi criada por Armando Iannucci, o mesmo da desbocada série The Thick of It e de seu filme spin-off com mais palavras “fuck” por página de roteiro do que podemos imaginar, Conversa Truncada. A série estreou na HBO em abril de 2012 e em pouco tempo conquistou o público ao mostrar a impagável Julia Louis-Dreyfus (que também é uma das produtoras da série) em seu dia a dia como Vice-presidente dos Estados Unidos.

Por ser uma comédia política e por se passar dentro de uma repartição pública, nesse caso, a casa e o gabinete da Vice-presidente, é quase impossível para o espectador não fazer relações com outra excelente comédia nessa mesma base: Parks and Recreation. Como falamos de estruturas hierárquicas diferentes — da esfera municipal para a federal –, lidamos com problemas e importância dramática diferentes de personagem para personagem (exceto na 7ª Temporada de Parks), mas o tom de “diário político” continua. E ambas as séries fazem um excelente trabalho de crítica e brincadeiras de humor negro com a organização da máquina política dos Estados Unidos.

Em sua primeira temporada, Veep apresentou alguns dos principais personagens da série e aproveitou para mostrar o quão atrapalhada, azarada e hilária é a Vice-presidente de Julia Louis-Dreyfus. Sua equipe é relativamente pequena. Temos Sue (Sufe Bradshaw), a secretária pessoal da Vice; Mike (Matt Walsh), o diretor de comunicação; Amy (Anna Chlumsky), chefe de equipe; Gary (Tony Hale, da fantástica Arrested Development), assessor pessoal; e Dan (Reid Scott), o vice-diretor de comunicações. Marcados por estilos de atuação diferentes e por características dramáticas absurdamente opostas, esse elenco tem um dos melhores contrastes e complementos em relação à protagonista, bem como notável integração com os coadjuvantes, dos quais devo destacar o odiado Jonah (Timothy Simons), contato da Casa Branca com o escritório do Vice.

Desde o começo fica claro para o público que Selina é ambiciosa demais — não ambiciosa no nível House of Cards, mas de uma maneira natural e humana de alguém que está na política e deseja chega a cargos mais altos — para permanecer como Vice por muito tempo, e é com olho na busca pelo cargo de chefe da nação que a série se avança e acaba ganhando uma linha central nesse sentido, na 2ª Temporada.

Para aproveitar a veia cômica do elenco, os roteiros não mergulham em nuances verdadeiramente políticas. Claro que existem discussões de projetos, encontros com financiadores de campanha, relações entre partidos e partidários, favores a Senadores e outros secretários de Estado, mas essa marca de cargos e politicagens serve ao dia a dia de Selina e sua equipe, não como elemento principal diante do qual os personagens ganham destaque. Um espectador desavisado deverá se incomodar com esse tipo de linha cômica, já que em alguns casos a camada política é a mais sutil possível, enquanto o lado pessoal a Vice e sua equipe é delineado ao máximo, principalmente na segunda temporada, que traz um impressionante nível de maturidade em relação à anterior.

Embora a mesma levada cômica do ano de estreia permaneça no segundo, os assuntos se tornam mais “rebuscados” e menos “bobos”. Ainda temos o foco nos personagens e em momentos cômicos de seu dia de trabalho, mas as obrigações políticas passam a servir de vereda para todas as ações, o que praticamente não aconteceu na 1ª Temporada. Mesmo com acontecimentos mais leves, como a presença da filha de Selina e o hilário episódio do aniversário, embarcamos nessa forma de mostrar o trivial mesclado ao cada vez mais presente “sonho da Casa Branca” por parte da Vice, cenário que parece ser o tema da temporada seguinte, vide o patamar de corrida presidencial que o final do ano dois nos deixou.

Os dois primeiros seriais de Veep garantem muitas risadas, muito incômodo em relação à organização política na Terra do Tio Sam (mas logo se vê que este é um padrão para qualquer organização estatal do mundo democrático e/ou burocrático) e uma promessa de que essa mesma insanidade deve chegar ao topo da cadeia política no país. Como o presidente não aparece nessas duas temporadas, ao menos agora conhecemos as faces dos concorrentes e saberemos quem é, de fato, o grande chefe dos Estados Unidos. Que Deus Salve a América.

Veep – 1ª e 2ª Temporadas (EUA, 2012 – 2013)
Criador: Armando Iannucci
Direção: Armando Iannucci, Tristram Shapeero, Christopher Morris, Chris Addison, Becky Martin, Tim Kirkby
Roteiro: Armando Iannucci, Simon Blackwell, Tony Roche, Sean Gray, Roger Drew, Ian Martin, Jesse Armstrong
Elenco: Julia Louis-Dreyfus, Anna Chlumsky, Tony Hale, Reid Scott, Timothy Simons, Matt Walsh, Sufe Bradshaw, Gary Cole, Kevin Dunn, Sarah Sutherland, Randall Park, Peter Grosz
Duração: 30 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.