Crítica | Velázquez e a Teoria Quântica da Gravidade

estrelas 4

É possível que um curta especulativo sobre a produção e o método científicos seja interessante? Em Velázquez e a teoria quântica da gravidade, o diretor gaúcho Jorge Furtado brinca com a física e as teorias que explicam o Universo e tudo o que nele há.

Com apenas dois atores e três minutos de duração, o diretor traz um pouco da montagem memorável usada em Ilha das Flores (1989), e nos apresenta uma linha de pensamento básico sobre as duas grandes leis de explicação do Universo. Paralelo a isso, o protagonista do curta, um jovem cientista, pensa ter encontrado uma outra teoria universal ao olhar para o quadro As Meninas, de Diego Velázquez.

O espectador é lançado em quatro mundos distintos durante o filme. No primeiro deles, o mais longo, temos a já referida exposição teórico-imagética das teorias físicas sobre o Universo. Depois, um detalhamento dos componentes do quadro de Velázquez, seguido da interrupção por um motivo banal e absolutamente desconexo. Por fim, num tom de humor e com a indicação de que o filme é na verdade uma “carta”, temos as escusas do protagonista em não ter encontrado a prometida teoria.

O mais novo curta de Jorge Furtado está um pouco aquém dos seus projetos anteriores, mas ainda assim é um filme bom e interessante. Visto com pouca atenção, pode parecer incoerente e sem propósito, mas se analisado, o espectador estará de frente para uma exposição sobre o método (acidental) da observação científica, a “banalidade séria” das explicações oficiais sobre o mundo e uma “desconversa” final. Essa fuga por meio do humor contido cai bem ao filme, mas ao mesmo tempo o enfraquece, pois banaliza a força inicial do roteiro. Mesmo com um final aberto, o curta vale a pena ser visto. O diretor, em um dos depoimentos dados à imprensa, disse que se algum espectador encontrasse alguma teoria baseada no quadro, que entrasse em contato com ele. É possível tirar algum coisa daí?

Velázquez e a Teoria Quântica da Gravidade (Brasil, 2011)
Direção: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Elenco: Felipe de Paula e Renata Lélis

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.