Crítica | Velocidade Máxima

estrelas 3

Em anos que transbordam explosões e efeitos especiais voltamos nossa atenção para um clássico filme de ação dos anos 1990. Dirigido por Jan de Bont, responsável pela fotografia de Duro de Matar, Velocidade Máxima é um longa-metragem perfeitamente resumido pelo seu título. É uma obra que deixa pouco espaço para o espectador respirar, encadeando uma tensão na outra.

Keanu Reeves, no auge da sua inexpressividade cumpre seu papel como o policial Jack Traven, que, após liberar reféns presos em um elevador, ganha a atenção do criminoso Howard Payne (Dennis Hooper). A meia hora inicial da projeção, que não perde tempo, não só resolve uma situação tensa, como nos coloca em uma outra, que perdura durante quase todo o longa. Payne, visando uma recompensa de três milhões de dólares, arma uma bomba embaixo de um ônibus, o diferencial: se a velocidade do veículo cair para abaixo de 50 km/h, ela explodirá. Cabe a Traven desarmá-la.

Assim como em Matrix, a não atuação do protagonista não chega a atrapalhar. Há pouco espaço na obra para destaques íntimos, o drama da narrativa se constrói e se resolve através dos inúmeros desafios colocados no longo trajeto do ônibus. São nesses momentos que Velocidade Máxima exala a filme de ação dos anos 90, adotando um tom praticamente idêntico a Duro de Matar. Carros e ônibus voadores, frases de efeitos (algumas que não chegam a funcionar efetivamente) e personagens engraçadinhos são claras evidências de tal característica, o resquício da década anterior.

Na tentativa de colocar uma cena mais dramática que a anterior, o longa acaba pecando pelo exagero, tornando sua trama muito extensa. Diversos momentos são completamente desnecessários e não acrescentam em nada para a história. Ainda assim, a imersão dificilmente é quebrada, graças à montagem do experiente John Wright em conjunto com a fotografia de Andrzej Bartkowiak, que conseguem passar a nítida sensação para o público de velocidade, além de manterem uma dinâmica incessante para a obra. E o ponto principal é: não somos deixados em um turbilhão de imagens dificilmente captadas pelo espectador, como é feito hoje em dia. Estamos falando, é claro, de uma narrativa clássica, onde as transições são disfarçadas ao máximo.

A trilha de Mark Mancina reitera todas as emoções provocadas pelo longa-metragem, se encaixando perfeitamente dentro da edição de som que se destaca dentro de obras do gênero. Tal trabalho solidifica a imersão já garantida pela imagem e, em diversos pontos da trama, é o elemento central para a construção dramática da obra.

Velocidade Máxima pode não ser uma obra-prima cinematográfica quando se trata de roteiro e atuações, entretanto, é um ótimo filme de ação com a capacidade de manter o espectador entretido do início ao fim. É um filme que cumpre seu papel, nos inserindo em uma história que simplesmente não para, trazendo uma overdose de tensão a cada sequência, construindo uma narrativa que também não fica abaixo dos 50 km/h.

Velocidade Máxima (Speed, EUA – 1994)
Direção: Jan de Bont
Roteiro: Graham Yost
Elenco: Keanu Reeves, Dennis Hopper, Sandra Bullock, Joe Morton, Jeff Daniels, Alan Ruck, Glenn Plummer, Richard Lineback, Beth Grant, Hawthorne James, Carlos Carrasco
Duração: 116 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.