Crítica | Vestido Para Casar

vestido para casar

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Vestido para Casar é uma tremenda porcaria, um filme que, na melhor das hipóteses, envergonha o cinema nacional e, na pior, levará ao suicídio coletivo quem tiver um pouquinho mais de consciência crítica do que um grilo comum (para diferenciar do Falante, esse sim cheio de consciência). Mas chamar um filme de tremenda porcaria não é a maneira mais técnica do mundo para criticar uma …coff, coff… obra cinematográfica, não é mesmo?

Acontece que porcaria, lixo, mixórdia, ignomínia, idiotice, estupidez, grosseria são as palavras que primeiro surgem ao final da sessão desse filme em que, pelo menos na minha experiência, foi seguida de silêncio sepulcral durante todo o tempo, com as exceções de alguns casais mais exacerbados que riam até quando a pipoca deles caía no chão (deve ser fácil agradar esse pessoal…). Trata-se de um filme tão fraco que gastar espaço na internet para discutir sobre os aspectos falhos dessa obra é o equivalente a comentar sobre a filmografia de Michael Bay. Se bem que, dada escolha, eu ficaria com a franquia Transformers a qualquer momento, se comparado com excrescências cinematográficas como Vestido Para Casar.

Portanto, vou pedir licença aos meus leitores para não fazer isso. Não pretendo perder meu tempo com análises complexas de obras que não se dão ao trabalho de sequer serem mais do que um punhado de capítulos de uma novela da Globo.

Aliás, está aí uma boa comparação. Vestido Para Casar é mais um transbordo para o cinema de capítulos de novelas, daquelas piores possíveis, que tentam fazer graça na base do grito. Literalmente. Afinal, Leandro Hassum, por mais simpático que ele possa ser (nem vou entrar nesse mérito), vive de alterar o tom de sua voz e contar as mesmas piadas e vivenciar as mesmas situações do começo ao fim da projeção. Se uma piada funciona, mesmo que de maneira medíocre (e esse é o grau máximo da melhor piada desse filme), então pode contar que ela será repetida ad nauseam, mas sempre com uma nova roupagem “metida a esperta”.

Com isso, o roteiro fracassa fragorosamente, pois não se sustenta nem se nos abstrairmos das atuações histriônicas de Hassum e sua turma (Marcos Veras, Fernanda Rodrigues e Renata Dominguez entre eles). Se levarmos em consideração as atuações então, realmente não sobra pedra sobre pedra, pois os atores parecem estar lendo os textos de um teleprompter de tão engessados que são. Só Hassum mesmo consegue ter um mínimo de naturalidade, mas que ele soterra debaixo de toneladas de gritos, mãos no rosto, olhos esbugalhados e caretas em geral.

E a trama? – alguns ainda podem querer saber. Bem, ela, na verdade, não interessa muito, mas ela se relaciona com um vestido rasgado de uma mulher adúltera que tem que ser recuperado por Fernando (Hassum) bem no dia de seu próprio casamento. É apenas qualquer coisa para que o filme não pareça uma sucessão de esquetes sem graça.

O que dizer da trilha sonora pasteurizada e da montagem burocrática? Ops, já falei tudo com esses dois adjetivos aí. Mas poderiam acrescentar ao menos mais uma frase que, reconheço, é repetição do que escrevi mais acima: esses dois quesitos são sintomáticos do transplante de novela da Globo para o cinema, sem o mínimo de preocupação com cortes mais suaves, raccords menos óbvios e uma escolha musical que fuja ao menos por um segundo do rasteiro.

Bem, vou parar por aqui e sairei à procura de algum filme nacional imediatamente disponível que me faça ter esperanças por nossa indústria já cambaleante e que me faça esquecer do que acabei de assistir.

Vestido Para Casar (Idem, Brasil – 2014)
Direção: Gerson Sanginitto, Paulo Aragão Neto
Roteiro: Celso Taddei, Cláudio Torres Gonzaga, Audemir Leuzinger
Elenco: Leandro Hassum, Marcos Veras, Fernanda Rodrigues, Renata Dominguez, Tonico Pereira, Júlia Rabello, André Mattos
Duração: 101 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.