Crítica | “Victorious” – Wolfmother

estrelas 2,5

Wolfmother chega com Victorious a seu quarto álbum e a impressão que passa é que a ânsia e hype por cima de seus trabalhos poderia ser bem maior do que é hoje. De volta a 2005, o grupo que misturava stoner com hardrock era elogiado por seu debut homônimo considerado uma das revelações do rock naquele tempo. E se há uma banda que os fãs são exigentes, essa é o Wolfmother. Muitos não se convenceram do ótimo Cosmic Egg e sua nova formação (que da original só tinha Andrew Stockdale nos vocais), criticando a banda sem dó. Mas o fundo do poço para ter chegado com New Crown, álbum quase isento de hype, fortemente apedrejado por fãs e crítica.

Sempre foi um mistério para este que vos escreve a razão de tanto ódio por parte dos fãs. Cosmic Egg é o disco mais inspirado da banda, acertando principalmente por não se manter a uma fórmula só. New Crown foi sim, uma queda do grupo, mas que ainda persistia em boa/razoável forma. Contudo, tudo o que o público vinha dizendo parece hoje servir de presságio, já que Victorious é de longe a pior coisa que o grupo já fez. O Wolfmother soa como uma banda totalmente diferente daquela de 2005, pouco inspirada e com uma tentativa desesperada de, agora, rumar para lados mais comerciais.

O Wolfmother de Victorious tem algumas da piores canções de sua carreira. E olha que eles até começam bem. The Love That You Give Is sabe abrir o disco e passa o bastão para a faixa homônima, a melhor do disco com sua ótima execução instrumental e sua mudança repentina de peso. No entanto, depois surgem coisas como Pretty Peggy, onde, se o objetivo era um lado mais country, houve vários erros no caminho de composição já que a faixa termina parecendo música de banda indie medíocre, recheado de arranjos de vozes bem bregas. Faixas como City Lights passam sensação de Dejà Vu, retornando à velha discussão sobre a banda não trazer mais nada novo. E olha que o lado “comercial” e “pop” do disco nem é dos piores, refrões como o de Bad A Bad Situation são bem confortáveis de se ouvir. O pior defeito mesmo talvez seja de que se trata de um disco previsível do início ao fim, sendo quase possível antecipar os movimentos da banda.

O Wolfmother já recebeu méritos por unir stoner a um hardrock repleto de técnica, divertido e pesado. Bem, a parte do stoner rock sumiu bastante em Victorious (os momentos que restam eles basicamente replicam os acordes básicos de Black Sabbath). O que sobrou de válido mesmo foram os vocais de Andrew Stockdale (um dos melhores vocalistas dessa geração) e um hardrock farofeiro que só vai agradar por alguns de seus refrões melódicos e bons solos, a mesma razão pela qual insistimos em gostar de parte do hardrock dos anos 80.

Aumenta!: Victorious
Diminui!: Pretty Peggy
Minha canção preferida: Victorious 

Victorious
Artista: Wolfmother
País: Austrália
Lançamento: 19 de fevereiro de 2016
Gravadora: Universal
Estilo: Hardrock

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.