Crítica | Vikings: A Viúva do Inverno

estrelas 4,5

Numa cidade de setecentas pessoas, eu e minha filha estamos sozinhas.
– Hilda

Hoje, completo mais um ciclo de vida em vossa Midgard, caros leitores. Para quem não entendeu, neste dia 20 de março faço aniversário e, para comemorar tal data, lhes concedo uma crítica diferente (desta vez, não é sobre super-heróis), para relembrar de minha época nos dourados salões de Odin, em Asgard.

Então, voltemos há mais de um milênio atrás, por volta do século VIII até meados do século XI, em cantos diferentes do norte europeu. Lar daqueles que desde aquela época eram chamados de Nórdicos, ou melhor: Vikings!

A crítica que os senhores estão para ler retrata uma destas eras, um conto muito bem explorado e cheio de detalhes. Uma série (não aquela do History Channel, por favor) da linha Vertigo, escrita por Brian Wood (ZDM – Terra de Ninguém).

Na série Vikings (Northlanders na distante terra do Tio Sam), de 50 edições, nos é mostrada a difícil vida dos nórdicos, suas ideologias, sistemas de comercio, navegações e por incrível que pareça até o tédio que estes guerreiros passavam ao ficarem dias em um pequeno barco no meio do oceano. A primeira edição ( que segue até a 8ª edição) conta a história do jovem nórdico Sven, um saqueador e navegador ambicioso que descobre ter tido sua herança roubada por seu implacável tio, com objetivo em retornar para sua terra e pegar o que é seu por direito, passando por muitos desafios e obstáculos.

Após o término deste conto, Wood nos traz muito mais e sem a necessidade do leitor precisar acompanhar os anteriores, trazendo ótimas histórias com teor histórico sem a presença de temas fantasiosos, super-seres ou coisas do tipo. E isso vai desde a noção de navegação, como no começo da série, até a inserção da ideologia cristã, a queda de reinos e as finais sociedades vikings.

northlanders27Capa do capitulo “Lascar e Sangrar”

Em A Viúva do Inverno (que engloba as edições 21 à 28 de Northlanders), acompanhamos uma comunidade nórdica aos redores do rio Volga, por volta de 1.020 d.C; que é assolada por uma praga, onde todos ou pelo menos em maioria, são adeptos da ideologia cristã (após anos de guerras), mas que ainda em seus íntimos, guardam as antigas tradições e crenças pagãs. Hilda, é a protagonista e voz que narra o conto de 8 edições, uma bela e jovem mulher que teve seu marido levado pela peste. Ela e sua filha precisam sobreviver em meio à doença contagiosa, ao rigoroso inverno que dura praticamente sete meses sem contar os crimes e assassinatos dentro da comunidade.

Parece algo simplório olhando de longe, ledo engano. Wood explora bem as características e personalidade dos personagens principais, a ignorância da época em relação às doenças, seguindo sempre suas morais religiosas, o ambiente e tudo que pode acontecer e tudo com possibilidades fortes e reais. Além disso, nos banha com a rica história da época, com desenhos que ornam com o tema, Leandro Fernandez (artista de Justiceiro Max) faz jus ao trabalho que tomou. Madeiras esculpidas com as tribais da época, feições, gesticulações e roupas são introduzidas de forma perfeita na história de Wood.

O suspense toma conta quando, por meio de uma votação da assembleia local, decidem fechar os portões para que a praga não se alastre. Os doentes são banidos e a tensão só vai aumentando. Seria realmente a mortal praga o maior problema dos setecentos nórdicos do Volga?

Violência, fome, frio, mortes e motim. Brian Woods explora de maneira criativa e incontestável a Era Viking sem falar nos estudos de anos que realizou pra conceber estas obras de arte. Você não vera elmos com chifres, pessoas falando de forma shakespiriana ou homens de baixo intelecto que só pensam em comer e realizar pilhagens. São histórias meticulosamente bem escritas, com a linha de pensamento em seguir os padrões da época, porém, com histórias e personagens fictícias.

Acredito que não preciso falar mais sobre a ótima narração, nem mesmo das ações e adversidades que ocorrem dentro de um contexto como este. Vikings: A Viúva do Inverno é sim uma excelente leitura. E caso você também seja um bárbaro como eu, procure o encadernado da Vertigo e não se arrependerá.

Provavelmente o único problema da história é não ser maior do que já é ou de não termos mais do que três folhas de rabiscos do artista desta sequência.


 Vikings: A Viúva do Inverno
(Northlanders: The Plague Widow
, EUA, 2008/2010)
 Roteiro: Brian Wood
 Arte: Leandro Fernandez
 Cores: Dave McCaig
 Capas: Massimo Carnevale
 Editora: Vertigo Comics
 Editora no Brasil: Panini Comics
 Páginas: 196

 

ERIK BLAZ. . . .Tudo começou quando o meu pai Odin me baniu de Asgard para Midgard... Então eu fui mordido por um vampiro, quando me atacaram com kriptonita e para piorar a situação, vendi minha alma para Malebolgia (em troca de algumas HQs), enquanto meus dons mutantes de controlar o clima surgem pouco antes de ser o escolhido para portar um anel energético e obter a Equação Anti-Vida e assim, salvar todo o multiverso! Mas também possuo uma paixão pela Arte em suas mais diferentes formas e gêneros...Desenho, Pintura, Gravura, Montagens, Teatro... E claro, um louco por histórias em quadrinho e filmes antigos, sem falar na arte de comer muito e dormir pra caramba :'D