Crítica | Vingadores: Guerra Infinita – Prelúdio do Filme

Pela primeira vez, dentre todos os prelúdios em quadrinhos dos filmes do Universo Cinematográfico Marvel, deparei-me com uma história útil. Não essencial, vejam bem. Útil apenas. E é um alívio ver que Will Corona Pilgrim, autor de quase todos os prelúdios, e a Marvel Comics, pelo menos nesse caso aqui, tentaram fazer algo diferente, que não fosse a adaptação servil de algum filme anterior ou uma historieta sem qualquer significado prático além de minutos perdidos em sua leitura.

Não que o prelúdio de Vingadores: Guerra Infinita seja algo terrivelmente original, pois não é, mas, sem dúvida, é um passo a frente nesse veio tão mal explorado pela editora, que poderia criar maravilhosas conexões inter-filmes com seus quadrinhos, mas que tem preferido manter-se na linha do medíocre e isso usando um adjetivo eufemístico para o que são esses prelúdios em geral. Nas duas edições curtas que formam a história, Pilgrim conta, na verdade, duas histórias que, em conjunto, funcionam como um eficiente “panorama” dos elementos mais importantes de diversos filmes do UCM para que o leitor possa preparar-se para o grande evento comemorativo dos primeiros 10 anos dessa empreitada impressionante da Marvel Studios.

Na primeira edição, Pilgrim começa com uma adaptação dos momentos finais de Capitão América: Guerra Civil, focando na luta entre Steve Rogers e Tony Stark que termina de cindir os Vingadores. Acrescentando alguns elementos a esse ponto, o autor aproveita para estabelecer a ligação entre o Capitão e o Pantera Negra e a oferta de T’Challa de abrigar e tentar curar Bucky de sua programação mental. Vemos, assim, com mais detalhes, o progresso de Shuri nesse sentido. Além disso, também vemos mais detalhes da libertação dos Vingadores pelo Capitão América da Balsa, a prisão aquática para onde eles foram mandados pelo General Ross, o que funciona de gancho não só para “dar cabo” de dois dos membros da equipe e mostrar que os membros remanescentes do Team Cap começaram a viajar o mundo para corrigir injustiças. Vê-se, muito claramente, que Pilgrim, aqui, faz muito mais do que estava acostumado a fazer, efetivamente unindo os pontos entre acontecimentos e deixando o leitor à beira de Guerra Infinita.

Em seguida, na segunda edição, o autor faz o que os americanos chamariam de “Joias do Infinito 101”, usando o Doutor Estranho como uma espécie de intermediário. Na história, vemos Wong contar a Estranho sobre as Joias do Infinito, começando, claro, pela Joia do Tempo que é a fonte de energia do Olho de Agamotto, que fica ao redor do pescoço do Mago Supremo, voltando brevemente para acontecimentos do filme solo do herói, inclusive para a cena pós-crédito em que ele se encontra com Thor, que é transposta para a edição e que funciona como seu fechamento. Mas, entre uma coisa e outra, somos “iluminados” por Wong sobre cada uma das outras joias, com referências diretas a momentos-chave em Capitão América: O Primeiro Vingador para lidar com a Joia do Espaço (Cubo Cósmico), Os Vingadores e, depois, Vingadores: Era de Ultron para abordar a Joia da Mente (cajado de Loki), Thor: O Mundo Sombrio para falar da Joia da Realidade (Éter) e, finalmente, Guardiões da Galáxia para lembrar-nos da Joia do Poder (Orbe). A última joia, da mente, tem seu paradeiro ignorado.  Com isso, Wong constroi a mitologia das joias para Estranho e avisa que o grande perigo é que elas sejam reunidas, algo que, claro, sabermos que é o objetivo de Thanos, que só aparece em um quadro profético na última página.

Ambas as histórias são fortemente segmentadas, quase como se elas fossem formadas de páginas de tira-gosto para cada assunto, sem uma continuidade muito forte ou uma coesão clara. Mas, no conjunto, elas cumprem sua função básica de entreter e de relembrar os eventos mais importantes do UCM e que têm relevância para Guerra Infinita. Na arte, enquanto Tigh Walker faz um bom trabalho com seu estilo “super-deformado” na primeira edição, criando uma dinâmica de ação bem cadenciada e demonstrando um bom uso da sucessão de quadros e splash pages, Chris O’Halloran, na segunda edição, infelizmente se perde em traços simples e pouco interessantes e uma fluidez que, se não é cansativa, parece burocrática.

O prelúdio em quadrinhos de Guerra Infinita é um bom “resumão” preparatório para o filme que usa uma estrutura fragmentada para contar, em poucas páginas, muita coisa. Sem dúvida é o melhor trabalho de Pilgrim nesses prelúdios pouco imaginativos da Marvel Comics, o que não quer dizer necessariamente muita coisa, mas que pelo menos não é uma perda completa de tempo.

Vingadores: Guerra Infinita – Prelúdio do Filme (Avengers: Infinity War – Prelude, EUA – 2018)
Roteiro: Will Corona Pilgrim
Arte: Tigh Walker (#1), Jorge Fornés (#2)
Cores: Chris O’Halloran
Letras: Travis Lanham
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: março e abril de 2018
Páginas: 45

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.