Crítica | “Vista Pro Mar” – Silva

estrelas 5

Lúcio Silva, conhecido como Silva, é de fato um dos maiores artistas da música nacional atual. O lançamento de “Claridão” em 2012, seu álbum de estreia, foi arrebatador, o cantor obteve um grande reconhecimento com o disco, que o colocou, segundo grande parte da crítica, como uma das grandes vozes da música nacional atual. Inovação sonora é uma coisa difícil de ver no atual mercado musical, e Silva por mais que seja um pouco influenciado por alguns artistas (Guilherme Arantes, por exemplo), possui um som inovador e de altíssima qualidade. Agora, com o lançamento de seu novo disco, “Vista Pro mar” é justo afirmar que Silva consolidou todos os elogios que lhe foram feitos.

“’Vista Pro mar’ surgiu numa tarde ensolarada em uma piscina – como se fosse um caso de amor adolescente, daqueles que nos rende um ano de dor de cabeça criativa…” diz Silva sobre seu novo álbum, em seu site. Seu estilo sonoro continua o mesmo, mesclando MPB com boas doses de synthpop. Além disso, o que se pode concluir é que o cantor mostra uma grande evolução nesse seu novo trabalho. “Vista Pro Mar” mostra um som praticamente impecável, completo, recheado de ótimas faixas. “Claridão” possuía ótimas canções, mas era um pouco irregular, nem todas as canções estavam no mesmo nível de qualidade. Esse é o diferencial de “Vista pro Mar”: bem mais fluido que o primeiro, agradando do início ao fim.

Os singles disponibilizados antes do lançamento do álbum são excelentes, não consigo pensar em uma música nacional lançada nos últimos tempos tão viciante quanto “É preciso dizer”. A canção é um pop divertido de ouvir, possui um refrão bem melódico e dançante, seguindo uma receita de dosagem perfeita de synthpop na canção. “Okinawa” tem a participação especial de Fernanda Takai, segue na mesma linha de excelência de “É preciso dizer”, porém mais acústica e menos animada, apesar de manter o clima pop. “Universo” é um bom single, porém é o que menos se destaca, possuindo uma base sonora que não é inédita, mas que consegue ser eficiente. Um fato importante é que aqui não ocorre o que acontece a inúmeros artistas: lançam ótimos singles, mas na verdade são as únicas faixas boas do álbum. Os singles, apesar de excelentes, não são as melhores faixas de “Vista pro Mar”, a faixa “Disco Novo” prova isso, ao som de palmas e de uma forte batida eletrônica começa uma das melhores do disco, desfilando uma ótima letra, simples e sincera: “Já amei, amei/ Também já desanimei/ Insisti em não lembrar/ Depois lembrei.”.

O álbum acerta por ter faixas bem distintas, apesar da mesma essência. O álbum começa com a faixa-título que, assim como o ótimo single “Janeiro”, são bem peculiares, ambas possuem um clima alegre com instrumentos de sopro embalando os refrãos e o fim das respectivas canções. “Ainda” se distingue por ser a mais puramente MPB, tendo como base só um violão e o efeito sonoro do barulho dos pássaros. “Capuba” relembra os primórdios da música eletrônica, com uma sonoridade oitentista sensacional. “Entardecer” leva o ouvinte para a praia admirar o entardecer ao som das ondas se quebrando, e “Volta”, apesar de não ser uma faixa de grande destaque, segue o ótimo clima dançante do álbum.

A última faixa chega com “Maré” que tem uma missão importante: fechar o disco no mesmo nível de qualidade que ele manteve. Faixas de encerramento sempre carregam uma responsabilidade grande e nem todas conseguem cumprir com essa responsabilidade. “Maré” parece só uma boa canção até certa parte, porém, em sua segunda metade a música muda um pouco o tom e se aprofunda em uma doce e lenta melodia que fecha o álbum magistralmente, do tipo que deixa saudades. Vai fazer você apertar o play para escutar o álbum novamente.

“Vista pro Mar” é um daqueles álbuns de verão que você vai escutar em qualquer estação do ano, uma coleção de boas melodias e arranjos, que mostram todo o potencial que a música possui, potencial esse que, infelizmente, é raro de se ver nas rádios e nas grandes mídias. As melhores palavras para fechar essa análise estão nas palavras do artista: “E terminar um disco é como reencontrar aquele amor adolescente anos depois, mais velha, mais madura e mais bonita e pensar: ‘Acho que vou chamá-la para sair.’”

Vista Pro Mar
Artista: Silva
País: Brasil
Lançamento: 17 de março de 2014
Gravadora: Slap/ Som Livre
Estilo: Synthpop/ Pop/ MPB

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.