Crítica | Viva Zapata!

estrelas 4

Viva Zapata! foi a segunda parceria de Marlon Brando com o diretor Elia Kazan, com quem já tinha trabalhado em Uma Rua Chamada Pecado. Com apenas três filmes no currículo, Brando já mostrava uma enorme capacidade cênica, e por ela, recebeu sua segunda indicação ao Oscar de Melhor Ator. Mas o sortudo daquele ano foi o seu parceiro de trabalho, Anthony Quinn, que levou para casa o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo seu papel como Eufemio Zapata, irmão do famoso camponês e revolucionário mexicano.

Produzido por Darryl F. Zanuck (que já havia financiado outros dois filmes de Kazan, A Luz é Para Todos e O Que a Carne Herda), Viva Zapata! é a cinebiografia de um dos ícones da Revolução Mexicana, conflito que é abordado de maneira quase engajada por Kazan que, em algum momento de sua vida (nos anos 30) esteve efetivamente ligado ao Partido Comunista. Curiosamente, no ano de lançamento de Viva Zapata!, o diretor delataria 8 nomes de colegas de Hollywood para a Comissão de Atividades Anti-Americanas, o QG da caça aos comunistas nos Estados Unidos, liderado pelo Senador Joseph McCarthy.

Com algumas licenças históricas e modificações para tornar o encadeamento da trama mais instigante para o público (coisas como o fato de Emiliano Zapata não saber ler ou a postura de Pancho Villa em relação ao Estado e a romântica ideia de mártir no final do longa), o roteiro dá uma ideia social básica do momento histórico e reafirma a força de um ideal político pelo qual lutar, especialmente no desfecho da obra, quando Zapata é morto mas a lenda e o legado de sua persona bastam para que os camponeses continuem acreditando nas mudanças sociais por ele tão almejadas.

É claro que isso é bastante poético e bem mais bonito na telona do que na História – a região de Morelos foi perdendo as conquistas da luta zapatista após a morte de seu líder – mas a mensagem de construção do ideal político é bem colocada no roteiro de John Steinbeck (Vinhas da Ira, Um Barco e Nove Destinos, Vidas Amargas) e Kazan a filma de maneira muito bela, mesmo que force a barra e perca um pouco a mão nas cenas finais.

Por sua constituição narrativa, cenário e estrutura geral da história, Viva Zapata! se enquadra dentro de um subgênero do faroeste chamado Zapata Western, que é quando temos os ingredientes clássicos do gênero no contexto da Revolução Mexicana. Kazan, que já tinha dirigido um western antes (Mar Verde) estava bastante familiarizado com uma forma diferente de trabalhar os símbolos do gênero, por isso mesmo guiou a obra com competência, construindo um maravilhoso diálogo que se estende dos salões do governo às grandes paisagens das mais diversas constituições geográficas; do engessamento do aparelho político à liberdade natural, às lutas, cavalgadas, campos de milho e cana-de-açúcar, etc.

As interpretações de Marlon Brando de Anthony Quinn são os grandes destaques do elenco, tanto por crescerem dramaticamente no decorrer da projeção, quanto por mostrarem neles mesmos a evolução dos tempos e o andamento da Revolução. As ideias de igualdade entre os homens e a busca por um destaque pessoal frente a um cargo ocupado é o ponto moral da reta final da fita e um dos que mais recebem críticas no âmbito ideológico.

Viva Zapata! é o exemplo mais escancarado da fase política e social de Elia Kazan, um filme explicitamente histórico e cuja abordagem esquerdista, apesar de romanceada, lhe deu contornos inesperados. Com uma bela fotografia dos espaços externos e figurinos simples, o filme apresenta estética e dramaticamente uma realidade bastante comum em toda a História da América Latina após as independências de seus antigos reinos.

Mesmo que o desfecho do filme seja utópico e um tanto rápido ou reticente demais, o espectador não termina a sessão com a impressão de ter perdido tempo. Muito pelo contrário. O filme é um instigante exercício de ação, perseguição e luta, junção de ingredientes que, se bem conduzidos – como é o caso – podem ao menos conquistar o espectador pelo interesse em relação ao gênero, mesmo que ele não aprove as ideias políticas e a abordagem postas em cena.

Viva Zapata! (EUA, 1952)
Direção: Elia Kazan
Roteiro: John Steinbeck
Elenco: Marlon Brando, Jean Peters, Anthony Quinn, Joseph Wiseman, Arnold Moss, Alan Reed, Margo, Harold Gordon, Lou Gilbert, Frank Silvera, Florenz Ames, Richard Garrick, Fay Roope, Mildred Dunnock
Duração: 113 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.