Crítica | Vixen – 2ª Temporada

estrelas 2,5

Obs: Leia, aqui, a crítica da 1ª temporada.

Mesmo para uma websérie, a 1ª temporada de Vixen desapontou, ficando abaixo da média por sua falta de direção, necessidade de inserir pontas desconexas dos demais heróis do chamado Arrowverse e por um roteiro que ficou muito aquém do que poderia ter sido, considerando a liberdade maior que em tese uma animação pode ter. A 2ª temporada, porém, parece corrigir um pouco o rumo da série, colocando-a em um caminho aceitável, ainda que bem longe de ser algo muito bom (aparentemente um padrão para tudo que a The CW faz com base em quadrinhos, com a honrosa e solitária exceção de iZombie).

Somos logo jogados no meio da ação, com Vixen (voz de Megalyn Echikunwoke) sendo atacada por um homem que porta outro tótem de poder como o dela, só que relacionado ao fogo. Um flashback, então, nos joga para duas semanas antes, quando vemos Mari assistir a apresentação do Professor Macalester (Sean Patrick Thomas) que nos conta didaticamente sobre a existência de cinco tótens, um para cada elemento e mais um para o “espírito” (que é o que ela porta) e apresentando justamente o tótem de fogo. Uma interrupção de Cisco (Carlos Valdes) a coloca repetinamente lutando ao lado do Flash e Nuclear contra o Mago do Tempo, somente para ela ser gravemente ferida e parar no hospital.

Detalhei o início da websérie apenas para deixar claro que, dessa vez, o roteiro acerta ao colocar os demais heróis desse universo em segundo plano. Eles aparecem nesse começo muito brevemente e depois mais tarde no conflito principal (desta vez Canário Negro e Eléktron – ou Átomo, se quiserem), mas sem que se perca vista do que é mais importante: contar uma história de Vixen, que vem ganhando mais destaque em sua versão live-action nas séries deste universo.

E, sem as amarras de uma história de origem, que limitou a temporada anterior, há mais espaço para lidar com a ameaça principal, que é Benatu Eshu (Hakeem Kae-Kazim), o general responsável pela destruição da vila de Mari e de sua irmã mais velha Kuasa (Anika Noni Rose) e pela morte de seu pai biológico. Com isso, novamente a história gira em torno de elementos próximos a Vixen, o que permite trazer uma combalida Kuasa de volta e manter tudo em um ambiente literalmente familiar.

Se comparada com a temporada anterior, a 2ª é muito mais fluida e segue uma lógica interna bem mais estruturada. Os roteiristas, também, ganharam maior liberdade em usar uma multitude de animais totêmicos por Vixen, dos tradicionais elefante, águia e leopardo, mas passando por crocodilo, golfinho, urso e até um curioso e providencial tatu. A variedade mantém, de certa forma, a curiosidade e o frescor de cada situação, ainda que a ameaça de Eshu seja simplista, clichê e “vilanesca” demais, beirando o ridículo, com um embate final cansativo de tão óbvio (e olha que estamos falando de episódios de cinco minutos de média…).

A técnica de animação mantém a (baixa) qualidade da temporada anterior, mas isso é algo esperado de webséries em geral. Claro que um pouquinho de sofisticação não faria mal, mas a questão econômica por trás sempre falará mais alto. O que importa é que, aqui, o roteiro conseguiu suplantar a desanimada animação.

Com isso, o saldo final é positivo e, arrisco dizer, bastante razoável. Mesmo assim, sua existência só se justifica para os aficcionados em tudo que a produtora solta por aí (ou para críticos masoquistas…).

Vixen – 2ª Temporada (EUA – 13 de outubro a 18 de novembro de 2016)
Criação: Greg Berlanti, Marc Guggenheim, Andrew Kreisberg
Direção: Curt Geda
Roteiro: Lauren Certo, Nolan Dunbar, Sarah Tarkoff
Elenco: Megalyn Echikunwoke, Stephen Amell, Neil Flynn, Grant Gustin, Anika Noni Rose, Sean Patrick Thomas, Carlos Valdes, Emily Bett Rickards, Hakeem Kae-Kazim, Katie Cassidy, Brandon Routh, Franz Drameh, Victor Garber, Toks Olagundoye
Duração: 36 min. (aprox.) – 6 episódios

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.