Crítica | Vizinhos 2

estrelas 2,5

Se é já é muito difícil fazer uma comédia engraçada com uma premissa limitada, imagine então uma continuação de comédia que seja engraçada e respeite a premissa original. Não são exemplos que encontramos todo dia, sendo o genial Anjos da Lei 2 a última ocasião em que tivemos uma sequência não só respeitosa, mas superior à seu antecessor. Vizinhos 2 segue a mesma premissa de seu eficiente antecessor, mas acaba fadado a uma repetição.

Na trama, alguns anos se passaram e o casal Mac e Kelly (Seth Rogen e Rose Byrne) esperam uma nova bebê enquanto tentam se mostrar bons pais para a mais velha, de 4 anos. Mas tudo se complica novamente quando a casa ao lado é alugada agora por uma fraternidade de garotas, liderada pela Shelby de Chloe Grace Moretz. Para ajudar nessa nova guerra de vizinhos, temos o retorno de Teddy Sanders (Zac Efron), que agora usará sua experiência para ajudar o casal.

A grande armadilha que uma continuação de comédia precisa evitar é a mera reciclagem do original. Todos vimos como Se Beber, Não Case! implodiu com sua sequência descaradamente previsível e sem inspiração, e também como Anjos da Lei 2 contornou a situação ao abraçar a metalinguagem e criticar os clichês desse tipo de produção. Com o novo Vizinhos, o roteiro assinado a CINCO MÃOS por Andrew Jay Cohen, Brendan O’Brien, Nicholas Stoller, Seth Rogen e Evan Goldberg acaba preso a essa repetição de estrutura, trazendo de volta diversos elementos do original: os airbags, as diferentes sacanagens entre cada grupo e até mesmo uma nova festa fantasia temática marcante.

O problema é quando o filme tenta dar espaço para três linhas narrativas distintas: Mac e Kelly, Shelby e as garotas da fraternidade e Teddy Sanders e sua “crise” dos 20 anos. Isso elimina a simplicidade do primeiro filme, além de nos deixar bem menos tempo com o agradável casal principal, que continua muito bem entrosado graças a Rogen e Byrne (ainda que seu espetacular timing coming do primeiro filme não roube a atenção aqui) e muito com o entediante núcleo da fraternidade. Nem Moretz nem qualquer outra das atrizes consegue criar algo memorável aqui, ainda que o texto constantemente traga piadas e comentários bem bolados sobre feminismo e sexismo.

Mas, enfim… É engraçado? Aí é que fica a questão, já que comédia é o gênero mais subjetivo que existe, e o que pode fazer fulano rir, pode entediar e até ofender sicrano. Pessoalmene me peguei dando algumas boas risadas, principalmente na sequência que envolve os dois grupos disputando um carregamento de maconha em um evento ao ar livre, onde temos também um bom uso de trilha sonora (nunca é demais ouvir “Sabotage” na telona) e uma montagem deliciosamente frenética. Já momentos com mais escatologia e trocadilhos óbvios (que o filme tem de monte) acabam empalidecendo.

E não que seja obrigatório cobrar lógica nesse filme, mas… Incrível como diversos problemas e pontos de virada poderiam ter sido evitados se qualquer um dos personagens se preocupasse em trancar a porta de casa ou colocar senhas em seus smartphones

Vizinhos 2 fica abaixo de seu antecessor, decaindo na tentativa de ser complexo demais para uma narrativa que é simples; além de perigosamente repetir temas do anterior.

Vizinhos 2 (Neighbors 2: Sorority Rising, EUA – 2016)

Direção: Nicholas Stoller
Roteiro: Andrew Jay Cohen, Brendan O’Brien, Nicholas Stoller, Seth Rogen, Evan Goldberg
Elenco: Seth Rogen, Rose Byrne, Zac Efron, Chloe Grace Moretz, Ike Barinholtz, Kiersey Clemons, Dave Franco, Christopher Mintz-Plasse, Jerrod Carmichael, Beanie Feldstein
Duração: 92 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.