Crítica | Voltron: O Defensor Lendário – 2ª Temporada

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estrelas 4

Obs: Leiam, aqui, a crítica da temporada anterior.

O resgate do oitentista Voltron pelo Netflix em meados de 2016 foi uma boa surpresa. O robozão formado por cinco “leões” robóticos menores ganhou uma repaginada pela produtora original, World Events Productions, em parceria com a Dreamworks Animation Television e o resultado foi uma sólida aventura espacial no estilo anime com personagens engajantes e uma narrativa una, fugindo do formato episódico que comumente assolava animações serializadas de outrora.

Com isso, minha curiosidade pela 2ª temporada era grande e, novamente para minha surpresa, os showrunners Joaquim dos Santos e Lauren Montgomery entregaram 13 novos capítulos bem construídos e estruturados, ampliando a mitologia de Voltron e mergulhando mais profundamente nos passados de alguns dos paladinos, especialmente Shiro (do leão negro, com voz de Josh Keaton) e Keith (do leão vermelho, com voz de Steven Yeun). Mas a grande verdade é que, apesar da multitude de personagens – são sete principais – há bom espaço para todos em episódios consistentes que só escorregam aqui e ali.

Esses escorregões, na verdade, são muito mais frutos de gosto pessoal do que de algum problema inerente da série. A estética é de anime e, quando ela pesa mais em determinados momentos, com movimentos exagerados, bocas abertas em berreiros intermináveis e um lado mais, digamos, “pastelão”, o resultado distrai o espectador ou, pelo menos o espectador que não é muito afeita a animes, como este crítico. Mas, mesmo por um momento aceitando os momentos mais carregados nos “chiliques de animes”, eles destoam da pegada mais séria que os showrunners procuram dar a Voltron: O Defensor Lendário. A animação é claramente focada no público infantil e talvez o infanto-juvenil, mas os roteiros não tratam o espectadores mais jovens como bobos e emprestam peso e drama a cada desenvolvimento da narrativa, notadamente o encontro dos paladinos com o grupo rebelde Lâmina de Marmora, que, assim como eles, quer derrubar Zarkon (mesmo que tenhamos que aceitar que em dez mil anos eles não tenham feito absolutamente nada contra o tirano…).

O próprio Zarkon, vale dizer, ganha mais dimensões, ao ter um passado conectado com o leão negro, disputando seu controle com Shiro e revelando uma obsessão doentia por Voltron que vai muito além do império galáctico que construiu. Essa “competição” pelo leão gera bons momentos de tensão e criam uma evolução natural para Shiro, que se amarra com seu passado como cativo de Zarkon e alimenta sua relação com seu leão.

E o mesmo vale para Keith e também Pidge (a paladina verde, voz de Bex Taylor-Klaus), que ganham seus momentos de conexão com seus respectivos robôs. Apenas Hunk (o paladino amarelo, voz de Tyler Labine) e Lance (o paladino azul, voz de Jeremy Shada) ficam mais esquecidos ao longo da história, ainda que Hunk estrele bons momentos com seu alívio cômico natural causado por sua glutonice, algo que é particularmente bem explorado no hilário episódio Space Mall, um dos poucos em que a estética exagerada de anime realmente funciona (e que em grande parte é uma paródia de Segurança de Shopping).

A animação é muito eficiente ao misturar traços feitos à mão com computação gráfica que sabem trabalhar expressões e cenas de batalha de larga escala. Outro ponto muito positivo é a criatividade no desenho de novos seres para os paladinos interagirem em sua construção de uma aliança galáctica anti-Zarkon. Dentre eles, vale destaque o ótimo Slav, que só aparece a partir do bom episódio de fuga Escape from Beta Traz e cuja personalidade é a versão espacial da fusão de Melvin Udall, de Melhor É Impossível com Heimlich, de Vida de Inseto. E, claro, o design de planetas, naves e trajes (as roupas “ninja” dos membros da Lâmina de Marmora são belíssimas) acompanham toda essa criatividade, resultando em algo bem acima da média.

Voltron: O Defensor Lendário volta a surpreender com uma temporada ainda melhor do que a primeira que evolui inteligente e naturalmente a mitologia dos personagens. Certamente uma série animada a ser acompanhada.

Voltron: O Defensor Lendário – 2ª Temporada (Voltron: Legendary Defender, EUA, 20 de janeiro de 2017)
Showrunner: Joaquim dos Santos, Lauren Montgomery
Direção: Steve In Chang Ahn, Eugene Lee, Chris Palmer
Roteiro: May Chan, Joshua Hamilton, Tim Hedrick, Lars Kenseth, Mark Bemesderfer, Mitch Iverson (baseado em série original de 1984)
Elenco (vozes originais): Steven Yeun, Jeremy Shada, Bex Taylor-Klaus, Josh Keaton, Tyler Labine, Kimberly Brooks, Rhys Darby, Keith Ferguson, Neil Kaplan, Cree Summer, Jake Eberle
Produtora: Dreamworks Animation Television, World Events Productions
Disponibilidade no Brasil (à época da elaboração da crítica): Netflix
Duração: 23 min. (cada um dos 13 episódios)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.