Crítica | Voltron: O Defensor Lendário – 3ª Temporada

estrelas 4,5

– Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das temporadas anteriores.

Pouco mais de sete meses depois do lançamento da segunda temporada do revival de Voltron pela Netflix, eis que a terceira temporada aparece, mas com apenas sete episódios. Ficou bem claro que a proposta, pelo menos pelo momento, é quebrar cada temporada de 13 episódios em duas menores, com lançamentos mais constantes (a próxima está prometida para outubro de 2017). No entanto, houve cuidado dos showrunners Joaquim dos Santos e Lauren Montgomery em efetivamente dar ares de “temporada completa” aos poucos episódios, evitando aquela pecha de lançamento apressado.

Com isso, Voltron: O Defensor Lendário ganha tremendamente em ritmo e, mais do que isso, em qualidade. A nova série, que já se provou muito boa desde a primeira temporada, alcança outro patamar agora, ao estabelecer um novo status quo resultante dos eventos do final da temporada anterior. Com Zarkon derrotado, o Império Galra está sem comando até que, sem demora, o Príncipe Lotor, filho do imperador, vem para assumir interinamente o trono, enquanto o pai se recupera dos ferimentos e do coma que o combate anterior causou. Diferente de Zarkon, que é muito mais um vilão “de cartolina”, sem muita profundidade, feito mesmo para estabelecer o contraste entre o bem  e o mal, Lotor tem camadas e mais camadas, mostrando inteligência estratégica, muita habilidade em combate mesmo em situações desvantajosas e, mais ainda, ambição.

Sua forma de governar o Império Galra é menos violenta tanto dentro de sua própria estrutura, como em relação aos planetas conquistados. Nada de destruição total. Agora, a palavra de ordem é união contra um inimigo em comum, no caso, claro, a princesa Allura e seus paladinos. Além disso, Lotor faz uso de uma time de elite que serve como sua guarda pessoal, composta de alienígenas de planetas conquistados, cada um com suas habilidades e poderes, em uma narrativa que claramente tenta estabelecer o equilíbrio tático e narrativo de um lado e de outro.

Falando no outro lado, os paladinos também sofreram uma perda. Shiro desapareceu ao final da temporada anterior e, com isso, Voltron não pode mais ser formado. Keith, o paladino vermelho, escolhido por Shiro para sucedê-lo na liderança, tem que lidar com isso e há uma “dança das cadeiras” nos leões que coloca a equipe em desvantagem, já que os pilotos têm que acostumar com a nova estrutura hierárquica, algo que é muito bem explorado por Lotor e, claro pela breve temporada como um todo. Ao mesmo tempo, começamos a aprender mais sobre a criação de Voltron, especialmente de que material ele é feito culimando com sua origem no episódio final, além da exploração de outras realidades a partir de Hole in the Sky, o quarto episódio. Não é nada particularmente profundo ou especial, mas que abre um fascinante leque de possibilidades narrativas para o futuro da série que tem planos para durar por 78 episódios.

Com menos Voltron e mais leões individuais, a temporada ganha em combates espaciais inovadores e cativantes, como quando os paladinos são atraídos por Lotor para um planeta cujos gases afetam as comunicações e os radares. São sequências muito bem coreografadas que amplificam em muito a forma como cada leão é abordado e como a personalidade de cada paladino se encaixa nesse processo. Quando Voltron é formado – e nenhum espectador poderia ter sequer uma sombra de dúvida de que ele seria eventualmente formado – o poder bélico do robô é estupendo, mas mesmo assim os roteiros conseguem fazer bom uso disso dentro do conceito de que Lotor é muito mais inteligente do que seu pai em termos estratégicos, sempre pensando bem a frente no complexo jogo de xadrex que é a manutenção da dominação da galáxia pelo Império Galra, mesmo que as ações dos paladinos em temporadas anteriores tenham iniciado um processo de “rachadura” dessa hegemonia.

Em outras palavras, a nova temporada da série vem com tudo, mostrando que o trabalho dos showrunners tem se tornado cada vez mais apurado tecnicamente, com uma qualidade de animação excelente e roteiros que fogem do lugar-comum que não se furtam de alterar o status quo e de lidar questões complexas, relativizando a vilania do Império Galra e trazendo um novo e fascinante antagonista.

Voltron: O Defensor Lendário – 3ª Temporada (Voltron: Legendary Defender, EUA, 04 de agosto de 2017)
Showrunner: Joaquim dos Santos, Lauren Montgomery
Direção: Steve In Chang Ahn, Eugene Lee, Chris Palmer
Roteiro: Tim Hedrick, May Chan, Joshua Hamilton, Mitch Iverson (baseado em série original de 1984)
Elenco (vozes originais): Steven Yeun, Jeremy Shada, Bex Taylor-Klaus, Josh Keaton, Tyler Labine, Kimberly Brooks, Rhys Darby, Keith Ferguson, Neil Kaplan, Cree Summer, A.J. Locascio
Produtora: Dreamworks Animation Television, World Events Productions
Disponibilidade no Brasil (à época da elaboração da crítica): Netflix
Duração: 23 min. (cada um dos sete episódios)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.