Crítica | “Wake Up!” – Papa Francisco

estrelas 3

Na década de 80 os Engenheiros do Havaí já gritavam que o Papa era pop. Mas a música eternizada pela banda parece fazer muito mais sentido para o atual pontifície, Papa Francisco. Cheio de memes pela internet e com decisões que vem mudando os rumos da Igreja, o papa argentino vem revolucionando bastante e se mostrando um pontifície adequado para os dias de hoje. E para um Papa que vem recebendo títulos de “popstar” só faltava uma coisa, o que acabou sendo realizado: lançar um álbum de rock/pop.

Se você chegou até esse texto provavelmente sabe o quanto a mídia falou do lançamento do álbum Wake Up!, que contém discursos de Papa Francisco por cima de uma base musical direcionada ao Rock e ao Pop. A divulgação do single Wake Up! Go Go! Forward! enferveceu a internet que nunca imaginou ver um Papa fazendo canção claramente situada no Rock Progressivo. O single é merecidamente elogiado, com instrumental no melhor estilo de bandas progressivas dos anos 70 e vocais mais pop e moderno por cima do discurso do Papa aos jovens.

Mas existe um “problema”. O disco está longe de ser classificado como “rock” ou sequer “pop”. E nem venha crucificar o pobre Papa já que as manchetes sensacionalistas que diziam que o pontíficie lançaria um álbum de rock progressivo se basearam apenas no single pra sair divulgando notícias precipitadas desse porte. Ainda assim, a notícia também não é tão precipitada. Se existe um gênero do rock que Wake Up pega influências, esse é o rock progressivo devido a forte caractéristica um tanto experimental do álbum, introduzindo novos estilos, pegando sonoridades de diferentes regiões, entre eles a música indiana, latina e o folk europeu. O problema é que a quase isenção de guitarras deixa difícil qualquer comparação direta com o rock progressivo. De qualquer forma, é cômico pensar que Salve Regina parece aquelas canções progressivas meio indianas que os Beatles fizeram, ou que Annuntio Vobis Gaudium Magnum! tem, sim, um lado meio King Crimson.

Isso não quer dizer que o álbum decepciona, mas muito pelo contrário. O Papa desfila belos e humildes discursos (em diferentes idiomas) por cima de bases com elementos de trilha sonora, música clássica e canto gregoriano. Se trata de um bom álbum, principalmente visto do ponto de vista do cenário gospel (que é o mais certo a se comparar). Se você esperava um disco que indicaria que o Papa sairia em turnê com o Rhapsody On Fire, que passaria a usar túnica gótica, que poderia ser chamado a integrar uma nova formação do Pink Floyd (sua mente explodiu só de pensar nisso né?), ou um dia faria “feat” em um novo disco do Dream Theater, talvez você esteja sonhando demais. Mas quem sabe um dia?

Wake Up!
Artista: Papa Francisco
Lançamento: 27 de novembro de 2015
Gravadora: Believe Digital
Estilo: Gospel, Cristão

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.