Crítica | “Walk Among Us” – Misfits

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estrelas 4

1977 – Lodi, Nova Jersey. No meio do tornado que foi o movimento punk rock, um grupo de jovens pegava influências do movimento e misturava com a paixão que tinham por filmes de terror e filmes B, criando o horror punk. Nascia alí o Misfits.

O grupo, que já havia lançado o ótimo EP Beware, teve em Walk Among Us o primeiro lançamento em uma grande gravadora, consolidando aquilo que mostrou em seu EP de estreia. A banda passou por múltiplas formações em seus 6 anos inicias, mantendo em essência Glenn Danzig (guitarrista e voz) e Jerry Only (baixista), as duas mentes por trás do conceito. Por mais que o Misfits pegasse ideias básicas do punk feito pelo Ramones, inseriram no estilo um caminhão de novas características: um tom mais agressivo e veloz, filmes de horror como tema central, além da caracterização dos membros, que certamente influenciou o movimento gótico.

Walk Among Us tenta assumir a atmosfera assustadora idealizada pela banda desde sua capa, que possui o tal “morcego-aranha” do longa Viagem ao Planeta Proibido. Cada faixa de Walk Among Us parece um mini conto de terror ou sci-fi, é Danzig cantando sobre um monstro de 20 olhos (20 Eyes), sobre alguém que se torna um marciano (I Turned Into a Martian), sobre zumbis (Astro Zombies), serial killers (Mommy, Can I Go Out And Kill Tonight) e tantas outras bizarrices. E é incrível como tais letras se encaixam perfeitamente no punk gerado pelo grupo. Pode não assustar ou impactar como o Black Sabbath conseguiu fazer em alguns discos, mas certamente consegue uma imersão no universo que o grupo tenta criar.

O Misfits também mostra adjetivos consideráveis em relação a sua sonoridade já que a impressão que Walk Among Us passa é de arranjos mais velozes, furiosos e pesados. Parte desse maior peso parece devido a ótima execução da bateria de Arthur Googy unida à distorção da guitarra de Danzig. Acima de tudo, a banda mostra um senso melódico excelente, ainda que o mesmo peso e rítmo deixem o disco cansativo e soando o mesmo em faixas como Devil’s Whorehouse. A sequência Night Of The Living Dead (que poderia muito bem ser trilha de Zumbilândia) e Skulls, por exemplo, com vocais super melódicos, pode ser deleitada até por alguém não muito fã do estilo. Outro ponto positivo diz respeito a produção, muito bem realizada pra um primeiro lançamento de um grupo punk na época. É melhor produzido que alguns dos que viriam a ser seus mais famosos álbuns, como o Static Age. Tudo isso se explica pelo fato de Walk Among Us, apesar do primeiro a ser lançado, foi o terceiro a ser gravado (Static Age e 12 Hits From Hell foram os primeiros).

Walk Among Us marca a estreia do Misfits, inserindo uma nova cara ao movimento punk, influenciando diversos segmentos de cultura e, principalmente, sendo talvez a banda punk que mais trocou figurinhas com o Heavy Metal. Além de, claro, ser uma importante página do gênero horror na história da música.

Aumenta!: 20 eyes
Diminui!: Devil’s Whorehouse
Minha canção preferida: Skulls

Walk Among Us
Artista: Misfits
País: Estados Unidos
Lançamento: Março de 1982
Gravadora: Ruby, Slash
Estilo: Horror Punk

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.