Crítica | “We Fly As Leaves” – Skyscapes

estrelas 5,0

A obra que você está prestes a ouvir é uma extenção minha, é uma extensão da minha alma, da minha vida, enfim, da minha pessoa. A criação dessas músicas me ajudou e continua a me ajudar a encarar a pressão que o dia-a-dia descarrega em nós. Através dos sons, busco um escape, uma fuga, algum lugar pra correr.

Gustavo Coutinho

Certo dia de andanças pela internet encontrei uma música no Youtube que achei fascinante. Essa era Broken Music Box. A música que harmonizava o canto dos pássaros com uma “caixa de música quebrada” parecia algo tocante e genial. Nada eu sabia do artista ou da obra, apenas que aquilo era oriundo de um álbum chamado We Fly As Leaves e de um projeto chamado Skyscapes. Após algumas pesquisas descobri o artista por trás da obra, Gustavo Coutinho, assim como mais informações sobre o álbum.

O álbum é uma celebração da música no seu estado mais tradicional. Não há uma orquestra, banda ou múltiplos instrumentos, mas sim notas simples feitas em instrumentos clássicos. Gustavo brinca e varia de instrumentos – há espaço para violino, piano e discretas sonoridades eletrônicas – sem deixar que a obra pareça incoerente em relação a sua sonoridade.

Aurora e Embrance fazem belas introduções para o álbum, mostrando sua proposta. A clareza e sinceridade nas notas de piano da segunda faixa parecem ser a melodia perfeita para um dia de chuva. Dewdrops (que no português seria “gotas de orvalho”) toca o interior do ouvinte com a simplicidade e pureza da melodia, parecendo uma dissertação da vida em notas musicais. Apesar da melodia calma e aparentemente triste, está muito mais perto da definição de alegria. Bruises marca pela diferente sonoridade e por ser a mais pretensiosa, uma aparente harpa que lidera o arranjo até em sonoridades  sinfônicas, passando a impressão de estarmos ouvindo uma orquestra.

Há momentos um tanto fantasiosos, como em A Day By The Ocean (Talking with Dolphins), onde o álbum tenta focar no aspecto “sonhos” da vida e cria uma aura bem diferente, com alguns efeitos sonoros. A mesma “caixa de música quebrada” de Broken Music Box parece retornar em Flooded Room para lembrar o aspecto infantil da vida, aspecto esse que sempre estará presente nas pessoas, independente da idade.

Epitaph (Epitáfio) parece narrar o aspecto “morte”, o que encaixa perfeitamente como última faixa. A melodia do violino nessa parte, ainda que pareça um pouco fúnebre, soa bela aos ouvidos. Uma espécie de recapitulação da vida e seus bons momentos, já que dizem que ela passa por nossos olhos quando estamos prestes a morrer. Fecha o álbum magistralmente, no mesmo nível que se manteve a todo momento.

We Fly As Leaves não recebeu 5 estrelas por possuir a melodia mais complexa ou a mais inovadora do mundo. O álbum recebeu 5 estrelas pois foi feito com o coração, com a alma. Tantos gêneros musicais foram criados que parece que perdemos um pouco da essência da música. Skyscapes mostra isso em seu mais nobre significado: a música está dentro de cada um de nós.

We Fly As Leaves foi liberado para download pelo próprio criador, Gustavo Coutinho. Para baixar via 4shared, só clicar aqui.

We Fly As Leaves
Artista: Skyscapes (Gustavo Coutinho)
País: Brasil
Lançamento: 2013
Gravadora: Independente (gravado, mixado e masterizado em Homestudio)
Estilo: Instrumental, Música Clássica

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.