Crítica | Westworld 1X02: Chestnut

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estrelas 4

Confira as críticas para os outros episódios da série aqui. Os textos possuem spoilers!

O frade franciscano Guilherme de Ockham viveu entre o final do século 13 e meados do século 14, tendo desenvolvido um princípio lógico/metodológico que serve como base para este episódio, a Navalha de Occam. Segundo este princípio, “Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a explicação mais simples é a melhor”. Talvez como forma de desviar os espectadores das inúmeras teorias e absurdos “racionais” que sabiam que viria depois de The Original, os roteiristas Jonathan Nolan e Lisa Joy Nolan optaram por escrever um capítulo que valoriza o reducionismo para chegar a algo maior através de dois possíveis caminhos, ou pela indução do público aos perigos e intrigas do parque, ou pelo suspense criado nas “meias revelações”, como a que temos na última cena. Uma jogada de mestre, convenhamos.

Em sua base narrativa, o episódio serve a dois propósitos. Primeiramente, apresentando o mundo onde o parque Westworld existe. As dúvidas sobre a chegada e a primeira interação do “mundo exterior” com o parque foram respondidas aqui. Considerando o momento inicial da série, não precisamos de mais informações além dessas para entender o processo. A não ser que venham cenas da viagem ANTES do trem futurista (direção de arte e fotografia, novamente, cinematográficas, jogando bem com as cores azul, preto e branco) e algo do nosso mundo que de fato tenha relação direta com esse faroeste eletrônico. O segundo propósito foi o de abrir um caminho ainda mais filosófico que o da estreia da série. Um tipo de Existencialismo Robótico ou Noção de Existência dignos de Asimov, que seguem de perto a mosca que Dolores mata em seu pescoço no episódio anterior.

Todavia, mesmo com o reducionismo pregado pelo roteiro, não creio que as coisas sejam assim tão cristalinas. E tomo como dúvida inicial o questionamento dos robôs. Entendo que o plot traz alguns erros nas unidades, mas é importante pensar: esses robôs foram atualizados para reagir como humanos e para ter algum nível de consciência, correto? Isso é citado em The Original e novamente aqui em Chestnut, quando Bernard Lowe diz para Theresa Cullen, na cama, que o fato de os robôs falarem entre si o tempo todo é uma forma de treinamento, de melhorar sua interação e sensação humanas. A interrogação vem fácil, quando consideramos isso. Até que ponto essas falhas e comportamentos progressivamente à margem são um erro? Eles não estão agindo conforme a última atualização? Bernard sugere para o Dr. Robert Ford (olha a grandeza de Anthony Hopkins aparecendo aos poucos aí!) uma possível “sabotagem”. A coisa começa a ficar realmente interessante.

Talvez ajudasse mais o episódio se o roteiro não abrisse outro caminho dramatúrgico, com William (Jimmi Simpson) e o lascivo Logan (Ben Barnes) servindo de meios simples para introduzir a chegada ao parque. De qualquer forma, tudo indica que eles terão destaque ao longo da temporada, então esperamos que a presença seja melhor justificada a seguir [mas eu não podia deixar de notar isto: Logan pergunta, durante o jantar, para William: “quem disse que não estamos aqui a trabalho?“. Façam suas apostas para onde isso vai dar].

Chestnut traz no título a indicação do que seria o seu conteúdo. Vemos mais do interior do parque. Os robôs também são mostrados a partir de sua mentalidade e, literalmente, são abertos (no caso de Maeve). As pessoas também são mostradas a partir de suas cascas, para então chegarem ao parque e entregarem o que de fato são, ou gostariam de ser. Filosoficamente propício para nos mostrar mais das peças em jogo, Chestnut serve como uma caixinha de surpresas, inclusive nos ensinando que o MIB de Ed Harris (viram que ele diz, mais uma vez, que visita o lugar há 30 anos?) tem carta branca para fazer o que quer no parque. E ele segue matando e procurando “O Labirinto”. Quantos fantasmas vocês acham que devem sair desta máquina?

Westworld 1X02: Chestnut (Estados Unidos, 9 de Outubro de 2016)
Direção: Richard J. Lewis
Roteiro: Jonathan Nolan, Lisa Joy Nolan
Elenco: Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, James Marsden, Thandie Newton, Ben Barnes, Clifton Collins Jr., Luke Hemsworth, Sidse Babett Knudsen, Simon Quarterman, Angela Sarafyan, Jimmi Simpson, Shannon Woodward, Ptolemy Slocum
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.