Crítica | Westworld – 1X07: Trompe L’Oeil

estrelas 5,0

Confira as críticas dos outros episódios da série aqui. Os textos possuem spoilers!

A técnica artística de criar camadas a fim de transmitir profundidade através da ilusão de ótica, Trompe L’Oeil, é utilizada como nome do sétimo episódio de Westworld e não é por menos: até que ponto o que enxergamos, ou mesmo os personagens, não passa de uma grande ilusão? Uma pintura de Robert Ford que engana a todos sequer ele próprio? Com uma revelação final surpreendente, mesmo que muitos tenham teorizado sobre o ocorrido previamente, precedido por minutos repletos de conspirações e aventura, Westworld nos entrega seu melhor episódio até agora, ressaltando a habilidade dos roteiristas de manter o mistério que envolve o parque ao mesmo tempo que sabe sustentar suas diferentes linhas narrativas.

Como de costume, Trompe L’Oeil opta por focar em pequenos grupos de personagens. O primeiro deles gira em torno de William e Dolores na jornada em busca do labirinto. O empresário interpretado por  Jimmi Simpson, enfim, entrega-se à liberdade que aquele lugar o permite abraçar e seu discurso fortalece a teoria de que ele é, de fato, o Homem de Preto, visto que não sabemos exatamente em que período se passa cada uma dessas subtramas. Esse lado do capítulo nos entrega um trecho mais aventuresco, com direito aos velhos bangue-bangues dos filmes de faroeste, com uma fantástica sequência de perseguição, que, a todo momento, garante a tensão do espectador em virtude da possível morte de Dolores. Se William for realmente quem achamos que é, algo muito provavelmente irá acontecer para criar sua personalidade mais fria do futuro – sua busca pelo labirinto pode ter iniciado aqui, mas o que fez com que ele tenha partido para o “lado negro”? Evidente que tudo não passa de uma teoria, mas uma forte o suficiente para nos prender a esse foco narrativo.

A segunda subtrama continua a história de Maeve, que a cada dia toma uma postura mais rebelde, conquistando sua independência passo a passo. Já sabemos que ela não pode ser controlada tanto dentro quanto fora e sua tentativa de escapar, efetivamente, começa a partir de agora, após testemunhar a lobotomia de sua amiga. É importante observar que essa história se passa no presente, visto que vemos a personagem ao lado de Theresa. Maeve, acima de tudo, serve para provar que Ford não está tão no controle como ele acha que está, anunciando, desde já, que algo muito de errado pode acontecer em Westworld, se é que já não está acontecendo. Os anfitriões, como já explicitado anteriormente, são mais inteligentes que os humanos, porém, suas habilidades cognitivas são limitadas pela programação. Se tudo isso não passa de um plano de um dos criadores do parque, ainda não sabemos.

Chegamos, enfim, ao foco em Bernard, Theresa e Robert envolvendo a disputa pela liderança do local. Chega a ser surpreendente como Anthony Hopkins consegue dominar a cena somente através de seu olhar. Silenciosamente, ele mantém o controle de tudo ali, mesmo sendo atacado pelo conselho da empresa dona de Westworld. Na demonstração da “falha” da anfitriã já sabemos que ele fisgara o que estava acontecendo ali e permanece sem dizer uma palavra, provando, de uma vez por todas, que um personagem não precisa ser verborrágico para demonstrar poder. O twist ocorrido no trecho final sustenta isso. Hopkins interpreta Ford totalmente à vontade; ele traz uma calma em suas palavras e uma ferocidade em seu olhar resoluto, um homem que sabe que está no comando e que planejara tudo ali. A dúvida aqui aberta é: quem mais é androide na administração? E quem estava sendo construído na mesa daquela sala? Seria Theresa? Vale lembrar que Bernard observava cautelosamente os tiques da personagem, o que pode ter sido uma diretriz de Robert para que pudesse reconstruí-la com perfeição sob seu domínio.

São essas dúvidas, teorias e devaneios que tornam Westworld uma série tão engajante, obrigando-nos a pensar a todo e qualquer momento, a observar cautelosamente suas sequências a fim de construir o quebra-cabeças que fora iniciado lá em The OriginalTrompe L’Oeil desmascara uma das ilusões, nos traz respostas, enquanto outras são imediatamente formadas. No entanto, não ficamos totalmente perdidos nessas dúvidas, visto que as diferentes linhas narrativas são muito bem entrelaçadas, criando uma ideia de que, de fato, tudo está conectado. Se essa conexão fora realizada por Ford ou Arnold ainda temos que descobrir – felizmente, o seriado parece estar sempre caminhando para a frente, nos fazendo ansiar pelos próximos capítulos semana após semana.

Westworld – 1X07: Trompe L’Oeil (EUA, 14 de novembro de 2016)
Direção: Stephen Williams
Roteiro: Charles Yu
Elenco: Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, James Marsden, Ben Barnes, Ingrid Bolsø Berdal, Luke Hemsworth, Tessa Thompson, Sidse Babett Knudsen , Simon Quarterman, Angela Sarafyan, Rodrigo Santoro, Jimmi Simpson, Shannon Woodward, Ed Harris, Anthony Hopkins
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.