Crítica | Westworld – 1X08: Trace Decay

estrelas 5,0

Confira as críticas dos outros episódios da série aqui. Os textos possuem spoilers!

Poucas coisas são mais gratificantes, ao se assistir uma série de televisão, do que ver suas teorias sobre ela se concretizando. Mas isso foi muito além do próprio ego, de ter formulado algo que faça sentido e sim evidencia o cuidado que o roteiro demonstrara até então, nos oferecendo dicas a cada passo para, no fim, montar o grande quebra-cabeças iniciado no primeiro capítulo. Westworld caminha por esse caminho, algo que conseguimos enxergar com ainda maior clareza em Trace Decay, que já nos encaminha para um possível clímax que, ao que tudo indica, será catastrófico para todos os envolvidos no parque, sejam anfitriões, convidados ou da administração.

Após os chocantes acontecimentos do final de Trompe L’Oeilencontramos o Dr. Ford em diálogo com um Bernard perturbado pelas ações que acabara de realizar. O que se passa é algo íntimo, que, ao mesmo tempo demonstra o gosto de Robert por suas criações e como ele se coloca acima delas. Isso é, até o androide fazer a exata mesma pergunta que levara Arnold à loucura. O cunho teológico de Westworld se mostra com ainda mais força – assim como Deus, Ford criou esses seres à sua imagem e semelhança e todos os questionamentos vem com uma óbvia resposta somente para ele, enquanto o resto é consumido pela obsessão, loucura ou até mesmo a dor de não enxergar seu propósito dentro de tudo aquilo.

Essa onipotência do criador do parque só chega a ser efetivamente contestada pelas ações de Maeve, que a cada episódio ganha novos “poderes”. Antes ela se tornara superinteligente e agora ganha as mesmas habilidades de um dos administradores do parque, podendo controlar os anfitriões a seu bel-prazer. O roteiro da dupla formada por Lisa Joy e Charles Yu sabe construir nossa tensão em cada uma dessas subtramas que se interligam, chega a ser angustiante assistir tudo dando errado (ou certo, dependendo do ponto de vista) e somos deixados na completa dúvida de quem sairá vitorioso no final, mas tudo parece encaminhar para um futuro conflito entre Ford e Maeve, o homem que controla tudo e a única fora desse seu domínio.

 Do lado de William e Dolores algo que suspeitávamos há tempos é praticamente confirmado: estamos diante de mais de uma linha do tempo, ao menos duas. O presente, com Maeve, Ford e o Homem de Preto e o passado, com Dolores e William. O texto insere o conceito, logo no início do capítulo, que os anfitriões não tem memórias como as nossas, eles realmente as vivenciam e a androide da primeira geração passa por exatamente isso, não sabendo em qual época está. Ela chega a citar Arnold, nos permitindo inferir que tudo isso está dentro dos planos dele para acabar com Ford, que descobrimos que entrara em conflito com o outro criador do parque. Evan Rachel Wood não decepciona e conseguimos sentir a dor em sua personagem, o que é salientado através de um belo trabalho de edição, misturando as épocas de forma a nos deixar tão na dúvida quanto ela mesma.

O Homem de Preto, por sua vez, chega à beira do clímax de sua história, ao menos nessa primeira temporada, com o fatídico encontro com Wyatt. Mais importante, porém, é sua descrição sobre quem ele é, nos permitindo conjecturar que ele é o atual CEO/diretor da Delos, o que se encaixaria com o fato dele ser William, algo que ainda acredito, visto sua fixação pelo labirinto e por Arnold. Algo digno de nota é como a diretriz dos anfitriões de não poderem machucar os convidados parece estar borrada agora, já que Teddy chega a deixar o homem desacordado – seria um efeito das memórias recobradas? Resta saber o que, de fato, é o lendário Wyatt.

Trace Decay, em todas as suas subtramas abordadas, nos encaminha para o season finale de Westworld. Temos apenas dois episódios pelas frente e as diferentes histórias abordadas pela série caminham para um mesmo ponto: uma possível rebelião. Se Ford irá perder o controle ainda não sabemos, até que ponto ele possui mecanismos de defesa para essas situações é incerto, especialmente levando em conta que qualquer um pode ser um androide ali. Com nossas teorias sendo, uma a uma, confirmadas não há como não se sentir angustiado pelos possíveis desastres que estão por vir nas próximas semanas.

Westworld – 1X08: Trace Decay (EUA, 20 de novembro de 2016)
Direção: Stephen Williams
Roteiro: Lisa Joy, Charles Yu
Elenco: Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, James Marsden, Ben Barnes, Ingrid Bolsø Berdal, Luke Hemsworth, Tessa Thompson, Sidse Babett Knudsen , Simon Quarterman, Angela Sarafyan, Rodrigo Santoro, Jimmi Simpson, Shannon Woodward, Ed Harris, Anthony Hopkins
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.