Crítica | Westworld – 2X06: Phase Space

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Existem episódios que fazem muito por uma temporada, que carregam nas costas o peso de acertar contas e ligar alguns pontos mais ou menos soltos. E talvez seja por isso que esses episódios não conseguem se erguer como um grande construto narrativo, como é o caso deste necessário, mas não tão bom assim Phase Space.

O avanço ou adequação de forças dentro de cada espaço é o tema central aqui, e o roteiro de Carly Wray permitiu que cada bloco, até então posto em cena, andasse consideravelmente no tabuleiro. Assim, temos Bernard e Elsie em uma caminhada que resulta em algo que suspeitávamos desde o princípio da temporada; e os times de Dolores, Maeve, Homem de Preto e Equipe Delos tentando alcançar diferentes objetivos. É esta qualidade de afinar pontas ou de deixar claro que tipo de interações temos cena, que faz do roteiro deste episódio um labirinto parcialmente incômodo e, paradoxalmente, instigante de se assistir. Uma coisa é certa: ao fim, temos mais perguntas que respostas.

A montagem teve um importantíssimo papel de ligação lógica entre os blocos, talvez mais do que em qualquer outro capítulo da temporada até o momento. Só lamentamos que isso não tenha vindo em um momento onde pudéssemos apreciar sem pressa o que está acontecendo, todavia, este é o tipo de rapidez de eventos que se faz necessário para que coisas ainda melhores possam entrar em cena. Como os times seguem para estágios onde podem agir com maior poder, temos a atenção dobrada pelo ganho de território e pelo tempo narrativo onde cada um deles se encontra. E talvez seja nesse ponto que o espectador fica gritando mentalmente “o que está acontecendo?“.

Tecnicamente falando, não temos problemas em nenhuma das sequências. Isso só vem mesmo na colocação de alguns personagens e na forma como certas buscas são “resolvidas”. Notam o caráter anticlimático (e profundamente irritante) do encontro de Maeve com a filha, ou a saída desse grupo do Shogun World. Até aqui, este foi o momento mais solto da temporada, e torço para que haja um ajuste de sentido nisso tudo até o final, para que não fique quase gratuito, como uma visita apenas para matar a curiosidade do público. Difícil acreditar que os showrunners vão cair nessa armadilha. Como se não bastasse, o uso dos poderes de “voz mental” de Maeve ficaram ao léu com essa partida, sem uma marca ou indicação de que estariam atrelados a algo maior — o Shogun World foi um acidente de percurso, então? Minha esperança é que o reencontro mental de Bernard com Ford (bacana a mudança de razão de aspecto como indicativo de troca de “dimensões”, não?) vá fazer as devidas amarras no que ficou solto aqui.

Com a chegada do trem à central de controle e o encontro mental de Bernard, temos praticamente o cenário armado por Ford dando certo, embora a gente ainda não saiba qual é o motivo. Esteticamente falando, não existem indicações de anormalidades, ao menos nada mais anormal do que tivemos até aqui, significando que as pistas visuais já se esgotaram, agora estamos prestes e recolhê-las e encaixá-las. Ainda fica em suspenso a relação do Homem de Preto com a filha Grace (o motivo da entrada dela no Parque foi aquela bobagem mesmo? Por favor, que não seja!) e o mistério envolvendo a Ghost Nation, embora as teorias de que eles estejam diretamente ligados a Ford comecem a parecer reais, mas não dá pra colocar a mão no fogo por nada nessa série. Faltam só mais quatro episódios para o fim da temporada. O que tiver para acontecer, começará em breve…

Westworld – 2X06: Phase Space (EUA, 27 de maio de 2018)
Direção: Tarik Saleh
Roteiro: Carly Wray
Elenco:Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, James Marsden, Jason Chang, Greg Audino, Ronnie Gene Blevins, G. Larry Butler, Ed Harris, Masayoshi Haneda, Katja Herbers, Louis Herthum, Hiroyuki Sanada
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.