Crítica | Wet Hot American Summer: Ten Years Later

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estrelas 2,5

Mais um Verão Americano, besteirol cult de 2001 que conta com uma constelação de atores que, nos anos seguintes, tornar-se-iam famosos nos mais variados graus, ganhou uma série-prelúdio pelo Netflix em 2015 – Wet Hot American Summer: First Day of Camp – que deu um novo frescor à comédia, satirizando de forma escrachada a idade do elenco e bebendo de várias fontes inspiradoras para montar uma história sem pé nem cabeça que acabou dando muito mais certo do que o próprio filme original. Agora, a gangue está de volta para uma reunião nostálgica 10 anos depois do último dia de acampamento de 1981.

Com isso, a brincadeira com a idade dos atores – todos quarentões – continua, já que eles vivem, sem disfarçar absolutamente nada, suas versões de 20 e poucos anos, já adultos, mas tão idiotas como eram quando “adolescentes” no filme e série anteriores. Novos atores unem-se à trupe, mais notavelmente Alyssa Milano, Jai Courtney e Skyler Gisondo e uma substituição é feita: em razão de conflito de agendas, Bradley Cooper não pode voltar, mas seu personagem – Ben – foi mantido, agora vivido por Adam Scott, com uma hilária explicação para a aparência (bem) diferente que é aceita sem mais nem menos por todos ao seu redor, bem no estilo da série.

De um lado, as várias gags trabalhadas ao longo dos curtos oito episódios giram em torno da vida “adulta” de cada um deles, com seus sucessos, arrependimentos e amores reprimidos. Do outro, assim como em First Day of Camp, há uma trama rocambolesca e absurda envolvendo o presidente dos EUA George W. Bush (Michael Ian Black, que também vive McKinley Dozen, marido de Ben) em conluio com o ex-presidente Ronald Reagan (Michael Showalter reprisando esse papel e, claro, o de Coop, agora um escritor que não consegue acabar seu livro) para destruir o Camp Firewood com um míssil nuclear que se encontra em uma base secreta no subsolo do local.

Se o espectador estiver com o humor devidamente ajustado para o completo nonsense, grosserias e um pouco de escatologia (que, confesso, é desnecessária), tendo gostado da série anterior, então há boa probabilidade de Ten Years Later ser também apreciado. No entanto, arrisco dizer, sem muito medo de errar, que mesmo nas condições ideais, o novo besteirol não alcançará o espectador tão eficientemente quanto a primeira vez.

Apenas pela breve explicação sobre as duas principais linhas narrativas usadas para dar substância às piadas e gags, percebe-se um claro padrão de repetição. O que antes representava uma lufada de ar fresco para as comédias com Adam Sandler que o Netflix insiste em produzir, agora é mais do mesmo, com uma fadiga que chega rápido demais em razão de roteiros que não tentam quebrar os grilhões auto-estabelecidos por First Day of Camp. É perfeitamente possível achar contrapartidas para cada uma das gags da segunda série na primeira, o que retira a novidade de cada uma delas. Se Mitch (H. Jon Benjamin), a lata de legumes, era algo completamente inusitado antes, agora é apenas… uma lata de legumes. Se o enlouquecido cozinheiro Gene (Christopher Meloni) era surreal antes, agora ele é uma sombra do que foi. E assim por diante.

A graça continua, claro, tudo dependendo do quão abobalhado o espectador estiver no momento em que assistir aos episódios, mas é basicamente impossível não concluir que faltou aquele “algo” mais que First Day of Camp tinha para se diferenciar na plataforma de streaming. Para não ser completamente injusto – mas essa é exceção que confirma a regra – vale destacar toda a linha narrativa envolvendo o casal Ben e McKinley com sua filha e a babá (Milano) que Ben contrata para que eles possam ter tempo para aproveitar a reunião da turma. Inspirada muito claramente em A Mão que Balança o Berço (não coincidentemente, de 1992), a paranoia de McKinley e a completa negligência de Ben, com Renata fazendo os dois de gato e sapato geram ótimos momentos.

O resto é, infelizmente, apenas “novas” versões do que já vimos, com um ou outro momento realmente que timidamente se destaca aqui e ali. Dos atores inéditos na série, além de Milano vale lembrar de Skyler Gisondo como Deegs, a versão jovem do ridículo Andy (Paul Rudd), com a trama colocando-os em um pouco inspirado choque direto.

Ten Years Later ainda tem seu valor, ficando perigosamente apenas milímetros acima do mediano. Divertirá por alguns momentos, cansará por vários outros e, no final, será esquecida até a inevitável próxima temporada…

Wet Hot American Summer: Ten Years Later (Idem, EUA – 03 de agosto de 2017)
Criadores: David Wain, Michael Showalter
Direção: David Wain
Roteiro: Michael Showalter, David Wain
Elenco: Elizabeth Banks, Amy Poehler, Paul Rudd, Janeane Garofalo, Christopher Meloni, Kristen Wiig, Michael Ian Black, Zak Orth, David Hyde Pierce, Jason Schwartzman, Chris Pine, Ken Marino, H. Jon Benjamin, Michael Showalter, David Wain, Joe Lo Truglio, Nina Hellman, A. D. Miles, Alyssa Milano, Mark Feuerstein, Skyler Gisondo, Jai Courtney, Marlo Thomas, Adam Scott
Duração: 28 a 30 min. cada episódio (oito episódios no total)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.