Crítica | Wolverine (2013-2014) – Vol. 2: Mortal

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estrelas 2,5

O segundo volume de Wolverine (2013-2014), que inclui Wolverine #7 a 13, é, também, o último. Batizado de Killable lá fora, algo como “Matável”, ele foi publicado em números separados (não como encadernado) pela Panini entre maio e outubro de 2014. A revista, em seguida, foi zerada lá fora novamente, trazendo o arco duplo Três Meses para Morrer, que antecede o evento A Morte de Wolverine.

Como vimos em Estação de Caça, Wolverine conseguiu impedir que um vírus inteligente do Microverso dominasse o mundo. No entanto, ao final do arco, ele passou a ser atacado justamente pelo mesmo vírus, em um cliffhanger. E, logo no começo de Mortal, aprendemos que seu famoso e super-eficiente fator de cura se foi. Ele é, agora, literalmente “matável”.

Não é a primeira vez que isso acontece, claro, e Paul Cornell, ciente disso, já deixa claro, por intermédio de Hank McCoy, que a coisa agora é séria e que o envenenamento pelo adamantium que reveste seus ossos que o fator de cura impedia que matasse Logan não acontecerá pois ele “sintetizou” uma droga com esse objetivo. Ou seja, convenientemente, vemos Cornell nos fazer engolir os problemas que automaticamente são criados com essa premissa para lá de banal. E o pior: ele nunca mais volta ao assunto.

Mas tudo bem. Imaginemos, por um momento, que isso foi imposição da Marvel e aceitemos essas artificialidades. Ok? O problema é que as fragilidades do roteiro não param aí. Cornell nos apresenta a um Wolverine lidando com sua nova condição, relutando até mesmo para estender suas garras, pois a cada “snikt”, as feridas nas mãos se reabrem e o sangue jorra. O problema é que Logan é um homem de 130 anos (mais ou menos) que viveu boa parte de sua vida sofrendo dores físicas e psicológicas das mais terríveis. Claro que o fator de cura aliviava muita coisa, mas ele sempre sentiu dor. No entanto, de uma hora para outro, somos obrigados a aceitar que o Logan durão não consegue nem mais usar suas garras com medo de cortes em sua pele.

E esse problema nem existiria se a passagem temporal do arco fosse ampliada. Tudo acontece em meras semanas. Aparentemente, o mundo todo, agora, quer matar Wolverine e seus amigos Vingadores e X-Men nada podem fazer. É novamente Cornell exigindo que esqueçamos dos gênios do Universo Marvel como o próprio McCoy, mas também Reed Richards, Hank Pym, Tony Stark e por aí vai. Todos os vilões estão atrás de Logan, mas nenhum herói liga para ele. Tão improvável quanto idiota.

wolverine_mortal_plano_criticoE nenhuma história desse naipe seria completa sem a presença de Dentes de Sabre. Apesar de o vilão só aparecer de verdade na última página do penúltimo número, para, então, ser o foco do encerramento, ele é onipresente na mente de Wolverine, que, com Kitty Pryde (sem ele saber, claro), foge da mansão dos X-Men para enfrentar Victor Creed e sua gangue de ninjas dissidentes do Tentáculo (além de Mística, Samurai de Prata e Lorde Deathstrike) em um shopping center localizando onde era a mansão dos Howlett. É Cornell, novamente, forçando situações para dar impressão de algo bem pensado, bem construído, de um círculo completo de nascimento e morte. Mas tudo que ele consegue, na verdade, é enrolar. É Wolverine contra o Pantera Negra, contra Batroc, contra um vilão que lança farpas (?!?!?!?!), tudo para chegarmos em um clímax longo, exagerado e sem sentido no shopping em que aprendemos que Wolverine é um ser desequilibrado e extremamente dependente de seu fator de cura para tudo que ele faz, exatamente o que ele não deveria ser (mas é de rolar os olhos o momento em que o T’Challa diz para ele que o “estilo de luta” de Logan leva em consideração o quanto ele pode ser machucado – sério isso???).

Cornell tenta enxertar o máximo de referências sobre a vida de Wolverine, falando sobre os Howlett, colocando-o em dupla com Kitty Pryde, fazendo-o enfrentar Dentes de Sabre, além de referênciar sua persona como Caolho, seu filho Daken e assim em diante. É um exagero que soa forçado. Ah, já ia me esquecendo: por detrás dessa trama mais pessoal, há outra, envolvendo Nick Fury e Maria Hill e o vírus do Microverso – surgido no volume anterior – que está prestes a dominar o mundo, depois que elimina todos os super-vilões que manipulam vírus (esse tipo de poder é só mesmo de super-vilões, não é mesmo?). Parece ser algo importante ou particularmente difícil, mas, no frigir dos ovos, é só mais um desvio narrativo feito para preencher páginas da publicação.

Mas para não ser completamente injusto com Cornell, o longo monólogo final de Dentes de Sabre, em que ele inteligentemente aborda as questões morais e éticas de Logan, sua vontade de ser aquilo que não é, seu apego hipócrita à vida, é muito interessante e bem pensado. É um momento que chega tarde demais e é, evidentemente, o que Cornell pensou em fazer ao iniciar seu trabalho nesse arco. Chega a funcionar, mas não é suficiente para desfazer o fraco roteiro que leva a esse momento.

Sobre a arte de Mirco Pierfederici, que faz o #7, não consigo me acostumar com ela. Os traços faciais do artista são feios, grotescos mesmo sem que ele pretenda fazer caricaturas. Há, também, muita simplicidade – no sentido ruim – em seus fundos e detalhamentos. Vemos muito pouco e isso arranca a dramaticidade da narrativa. Por sorte, Alan Davis toma a frente nos números seguintes  até o final, fazendo com que a qualidade suba vertiginosamente ainda que, talvez em razão da trama desinteressante, nunca alcance de verdade nível de excelência.

Wolverine, infelizmente, vem continuamente sendo mal-tratado pela Marvel. É uma pena, considerando-se o potencial do personagem.

Wolverine (2013-2014) – Vol. 2: Mortal! (Wolverine – Vol. 2: Killable, EUA)
Conteúdo: Wolverine. Vol. 5 (2013-2014) #7 a 13
Roteiro: Paul Cornell
Arte: Alan Davis, Mirco Pierfederici
Editora (nos EUA): Marvel Comics (de julho de 2013 a janeiro de 2014)
Editora (no Brasil): Panini Comics (de maio a outubro de 2014, na revista Wolverine)
Páginas: 165

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.