Crítica | Wolverine Max: Vegas

estrelas 2

Vegas, que compila Wolverine Max #11 a 15, encerra a publicação e a história dessa versão do querido Carcaju. Nela, vemos um Wolverine alternativo, diferente do Universo Marvel normal (o Terra 616), com Jason Starr quase que começando do zero lá em Fúria Permanente, com Logan tendo um acidente de avião, perdendo a memória e tendo que descobrir quem é no Japão, com Victor Creed atazanando sua vida. Depois, em O Protetor, vemos Logan, já em Los Angeles, tentando reconstruir sua vida, até que se depara com uma mulher que o coloca em inevitável espiral de violência que acaba o levando para Las Vegas, onde ele se depara com um agente do FBI que conhece seu passado.

Agora definitivamente em Vegas, Logan continua a investigação sobre o bilhete que achou na caçamba de sua caminhonete em O Protetor, bilhete esse que indica que alguém mais sabe sobre seu passado e pode ajudá-lo a reconstituir sua vida. Quando Vegas abre, vemos o herói em uma jaula de luta livre tentando arrumar dinheiro para sobreviver. Ele se contém para não permitir que suas garras se estendam (nessa realidade, suas garras saem automaticamente quando ele entra em modo feral) e tem que medir os golpes que dá para não destruir seus adversários. Afinal, ele é um homem com quase dois séculos de vida que viveu e estudou artes marciais no Japão.

Sua vida se resume a isso: lutas e noites mal dormidas no trailer de Sean, o homem que lhe deu carona ao final de O Protetor e que atua como seu “agente”. Um dia, porém, ele se envolve com Suzie, uma belíssima mulher que parece ter se encantado com ele. Mas as aparências enganam e ela, na verdade, é uma hipnotizadora que usa Logan como uma arma letal, esculhambando mais ainda sua já frágil cabeça.

wolverine max vegas cover 2O problema da narrativa é que Jason Starr usa exatamente o mesmo artifício do volume anterior: uma mulher aleatória (mas sempre linda) entra na vida de Logan e a violência impera. O fiapo de trama serve, apenas, para que haja sexo em todas as páginas e palavrões em literalmente todos os balões de fala. Não sou puritano – longe disso – mas a estrutura maniqueísta chega a irritar. Ok, o selo Max é mais para adultos, mas isso não quer dizer que adultos só queiram ver sexo, violência e palavrões. Seria perfeito ver tudo isso dentro de uma história engajante, que não pareça o que ela é: aleatória e sem consequências práticas para a narrativa principal.

E essa questão se repete na segunda metade do volume, depois que Logan termina seu envolvimento com Suzie e Sean. Nós vemos uma limusine chegar e finalmente conhecemos o homem que deixou o tal bilhete na caminhonete, mas tudo anda muito devagar e as revelações não são revelações de verdade. São apenas reiterações de tudo o que veio antes. Logan é violento, uma máquina de matar, um homem atormentado que não sabe detalhes de seu passado. Ok, ok, já entendemos tudo isso, mas e daí? Esse é o sentimento que o leitor tem ao terminar de ler a história. É como se Starr não tivesse se preparado para escrevê-la. Como se apenas quisesse repetir situações com uma escalada de sangue constante para atender a gostos duvidosos de leitores pouco exigentes.

O destaque, porém, fica por conta da arte de Felix Ruiz, que trabalha sozinho nas edições #11, 12 e 15 e com Guillermo Mogorron na #13. Seus traços são crus, inacabados e essas características emprestam uma selvageria ao título que rima perfeitamente bem com Wolverine. Suas sequências de ação funcionam, têm fluidez e a violência altamente estilizada e “poluída” não esconde a sujeira dos atos cometidos por Logan. Além disso, seus corpos e rostos são expressivos e ele sabe utilizar as transições de quadros a cada página para dar ritmo à história. É somente no #14, quando a publicação passa momentaneamente para os traços de Roland Boschi, que a coisa desanda um pouco, pois seus desenhos, com mencionei em meus comentários em O Protetor, são feios e limpos demais.

Olhando para trás, para os três volumes como um todo, vejo que fui bondoso com minhas avaliações anteriores. Ainda que, no quesito arte, Wolverine Max seja bom, sua história deixa muito a desejar, algo que fica imediatamente claro com seu encerramento em Vegas, que consegue não acrescentar absolutamente nada ao que veio antes. Um desperdício de potencial.

Wolverine Max: Vegas (Wolverine Max # 11 a 15)
Roteiro: Jason Starr
Arte: Felix Ruiz, Guillermo Mogorron, Roland Boschi
Cores: Dan Brown
Editora (nos EUA): Marvel Comics (de setembro de 2013 a janeiro de 2014)
Editora (no Brasil): Panini Comics (outubro de 2014)
Páginas: 116

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.