Crítica | Woody Allen – Um Documentário

estrelas 4

Escrito e dirigido por Robert B. Weide, Woody Allen – Um Documentário (2012), inicialmente concebido como um episódio para a 25ª Temporada da série American Masters, em 2011, possui duas versões de corte, uma comercial, com 113 minutos e outra em DVD, com longos e preciosos 195 minutos. A presente crítica analisa apenas o corte mais longo. Aos leitores que assistiram à versão de 113 minutos, peço para que comentem sobre o que acharam, se foram cortados momentos essenciais da carreira do diretor que deveriam estar lá ou se a redução fez o documentário perder sentido.

Robert B. Weide tem um bom histórico com documentários (ele foi indicado ao Oscar por Lenny Bruce: Swear to Tell the Truth, em 1999) e com comédia, tendo produzido 51 e dirigido 27 episódios de Curb Your Enthusiasm. Por isso, é natural que vejamos aqui a grande facilidade com que ele realiza Woody Allen – Um Documentário, guiando-nos por mais de três horas através da carreira de um dos mais idiossincráticos e constantes cineastas estadunidenses.

O filme cumpre exatamente aquilo que promete. Não há invencionices narrativas ou criações que pretendem exibir mais de Weide e menos da pessoa que ele se dispõe a documentar. É evidente que há falhas, especialmente no grande bloco que se segue às entrevistas sobre Memórias (1981). Desse momento em diante, vemos uma incompatível não-linearidade tomar conta do roteiro, confundindo o público, quebrando o ritmo cronológico que se havia adotado sem clichês até ali e cortando praticamente toda a discussão para a fase “Woody Light”, que certamente poderia acrescentar muita coisa ao espectador. Mas apesar de este ser um detalhe bem incômodo — e é pior ainda porque todo o filme é extremamente rico e criterioso na abordagem da carreira de Woody Allen, de Um Assaltante Bem Trapalhão até Meia Noite em Paris, com citação a Para Roma, Com Amor, na época, ainda sem título — não chegamos a perder a qualidade estrutural da obra.

Como já comentado anteriormente, o filme se propõe a falar sobre Woody Allen, trazendo todas (ou pelo menos deveriam ser todas) as fases de sua carreira. É importante que o público não entre no cinema acreditando que irá ver uma análise estética, filosófica, política ou formal dos filmes do diretor. As entrevistas a atores, atrizes, familiares e profissionais que trabalham com Allen são guiadas para dar uma noção de comportamento, motivações, surgimento e aplicação de ideias dele ao longo dos anos e em trabalhos tão distintos como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão (1982), Setembro (1987), Tiros na Broadway (1997) e Vicky Cristina Barceona (2008). Neste ponto, Robert B. Weide consegue um resultado animador.

Ao utilizar-se dos mesmos padrões fílmicos que o documentado (jazz e variantes na trilha sonora e fonte Windsor Elongated BT para os títulos), Weide ativa a identificação do público com o que vê, conseguindo transformar o estilo “pergunta-resposta” em algo atrativo, tendo melhores resultados nesse aspecto que Um Retrato de Woody Allen, documentário de 1998 dirigido por Barbara Kopple. Também destaca-se na construção formal do documentário a montagem de Karoliina Tuovinen e do próprio Robert B. Weide. As transições e as animações alinhadas a fotografias, recortes de jornal, entrevistas e cenas de filmes funcionam bem e eliminam o status de “documentário de preguiçoso”.

Mesmo para quem conhece bem a carreira e a filmografia de Woody Allen, este documentário se torna uma produção obrigatória. Há detalhes e abordagens — a maioria discutidas pelo próprio cineasta, inclusive sobre a polêmica separação dele com Mia Farrow e o processo que se seguiu — inéditas ou pouquíssimo conhecidas, como “o mistério da entrega dos roteiros” e questões pessoais que não haviam vindo à tona antes. Mesmo que falhe na organização sequencial na segunda parte, Woody Allen – Um Documentário é definitivamente uma boa pedida. Se você é fã de Woody Allen, não pense duas vezes. Assista ao filme.

Woody Allen – Um Documentário (Woody Allen: A Documentary) — EUA, 2012
Direção: Robert B. Weide
Roteiro: Robert B. Weide
Entrevistados: Woody Allen, Letty Aronson, Marshall Brickman, Josh Brolin, Dick Cavett, Penélope Cruz, John Cusack, Larry David, F.X. Feeney, Robert Greenhut, Mariel Hemingway, Charles H. Joffe, Scarlett Johansson, Julie Kavner, Diane Keaton
Duração: 113 min. (versão comercial) e 195 min. (versão DVD)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.