Crítica | X-23 (one-shot – 2010)

x23_one_shot_2010_plano_critica

estrelas 2

Três anos depois de figurar em Alvo X, sua segunda minissérie solo, Laura Kinney ou a X-23 estava sendo constantemente utilizada como parte dos Novos X-Men e do grupo black ops mutante X-Force. Os leitores já haviam mostrado interesse nela e a personagem estava prestes a ganhar sua primeira série solo continuada (ongoing), a partir de novembro de 2010 e que só duraria por 21 edições. Mas eis que, antes disso, a Marvel Comics solta um estranho one-shot dedicado à Laura, escrito por Marjorie Liu.

Aliás, estranho é um adjetivo que pode ter conotações positivas e negativas, pelo que é bom deixar logo claro: por “estranho” quero dizer inútil e verborrágico, ainda que com uma arte – em páginas específicas – muito boas se o leitor gostar de viagens lisérgicas em suas HQs. No final das contas, esse one-shot parece ter sido uma ideia perdida de Liu e da Marvel que até hoje não teve seu devido aproveitamento.

Quando a história começa, Laura está prestes a cometer suicídio jogando-se do alto de um prédio. Quando ela pula, um flashback começa para um passado de poucas horas antes, de forma a nos mostrar o que acontecera. Vemos X-23 ao lado de Logan e Jubileu caçando um mutante que havia perdido seus poderes quando Laura fareja alguém inesperado. Ato contínuo, ela acaba brevemente se reunindo com Kaden Nixon, Catiana e os demais de seu antigo “grupo” (que vimos em NYX: Aspirante, a primeira aparição de X-23 nos quadrinhos), e a conversa que segue ajuda o leitor a localizar os eventos de NYX temporalmente em relação ao que vemos de Laura a partir de Inocência Perdida, sua primeira minissérie solo. Até esse ponto, o one-shot vai bem, pois tem função prática, apesar de a reunião em si e a própria Kaden serem bastante desinteressantes.

x23_one_shot_2010

Mas, então, Laura passa a entrar em comunhão psíquica com o extremamente poderoso mutante Gamemaster, que surgiu pela primeira vez em Uncanny X-Men #283, de dezembro de 1991. Ele diz que está há tempos atrás de Laura por sua “mente única” e que nunca a deixará em paz. Aos poucos, ele vai usando o passado de manipulação da clone mutante contra ela, deixando-a ainda mais depressiva, mas tudo unicamente para dizer que sempre a estará à espreita, já que seus poderes permitem que ele observe a mente de todos os habitantes da Terra ao mesmo tempo.

No entanto, não há conflito. O que vemos são monólogos intermináveis de Gamemaster que acabam levando com que Laura tente o suicídio não para se matar já que isso seria impossível com seu fator de cura, mas sim para sentir dor. Além de isso não acrescentar nada à personagem – ela sempre foi assim e luta contra isso -, os eventos são completamente anti-climáticos e curiosamente até hoje (escrevo a presente crítica em 2017), nunca aproveitado efetivamente em histórias posteriores, o que me faz concluir que foi uma ideia posteriormente abortada pela Marvel Comics.

A leitura deste one-shot vale estritamente para aqueles fãs de Laura Kinney que quiserem ler todas as edições solo da personagem cronologicamente. Fora isso, a história não tem qualquer utilidade. Ou melhor, tem a questão da arte que mencionei brevemente. Felipe Andrade desenha todas as páginas fora da comunhão com o Gamemaster com traços escuros, pesados e com corpos e rostos “deformados”, exagerados. A arte-final amplifica essa sensação e as cores – tons de azul e muito preto – são a expressão do estado de espírito de Laura, ganhando alguma luz quando encontra Kiden. O grande destaque fica mesmo para as páginas desenhadas por Nuno Alves, manifestando os poderes do super-mutante em splash pages de pegada surrealista que sem dúvida são bonitas e chamativas, mas que acabam cansando pelo roteiro enfraquecido de Liu.

No final das contas, não há nada particularmente bom ou crucial para Laura Kinney neste one-shot. Se um dia a Marvel voltar à linha narrativa do interesse de Gamemaster por ela, aí seria o caso de reavaliar esta edição. Por enquanto, ela fica perdida entre o desinteressante e o experimental.

X-23 (Idem, 2010)
Roteiro: Marjorie Liu
Arte: Felipe Andrade, Nuno Alves
Arte-final: Jay Leisten, Nuno Alves, Sandu Florea
Cores: Nuno Alves
Letras: Clayton Cowles
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio de 2010
Editora no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 38

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.