Crítica | X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido – Edição Vampira

estrelas 3,5

Obs: Contém spoilers das duas versões do filme. A crítica da versão de cinema – sem spoilers – pode ser lida aqui. A crítica que segue é apenas da Edição Vampira.

Versões estendidas e versões do diretor de filmes cult ou blockbusters variam enormemente em qualidade e relevância e, na grande maioria das vezes, só existem para vender mais filmes em vídeo doméstico ou, em alguns casos, ingressos de cinema, quando são relançados em circuito. Para cada nova versão relevante de um filme – O Segredo do Abismo, Blade Runner e a Trilogia O Senhor dos Anéis, só para citar alguns – há um sem-número de meros caça-niqueis que quase que invariavelmente detraem da experiência como um todo.

A famosa Edição Vampira ou Rogue Cut de Dias de um Futuro Esquecido acrescenta 17 minutos à já longa duração original da fita, mas, felizmente não resulta em uma versão pior, ainda que seja claramente apenas um caça-níquel fazendo fan service com a volta da personagem Vampira, vivida originalmente por Anna Paquin em X-Men: O Filme, X-Men 2 e X-Men: O Confronto Final. Mas, como uma versão alternativa – embalada no mesmo Blu-Ray que a versão de cinema – a Edição Vampira é uma divertida maneira de se revisitar o filme dos mutantes que tentou reunificar a linha temporal divergente estabelecida em Primeira Classe e que reintroduziu Bryan Singer na franquia.

O filme original em si já é bastante confuso, ainda que eficiente, com suas idas e vindas entre passado e futuro e a presença da Vampira acrescenta uma sub-trama aos acontecimentos no futuro distópico criado pelos Sentinelas de Bolivar Trask (Peter Dinklage) em sua sana para exterminar os mutantes. Aos que esperam explicações para o inexplicável poder de Kitty Pryde (Ellen Page) de transportar mentes para o passado, podem esquecer. Nada muda neste ponto e continuamos completamente no escuro, tendo que simplesmente fechar os olhos, respirar fundo e aceitá-lo.

O que muda é que, com 90 minutos de filme, depois que Kitty é ferida pelas garras de Wolverine (Hugh Jackman) na sequência em que ele, no passado, vê a versão nova de William Stryker (Josh Helman), Bobby (Shawn Ashmore) comenta com o Professor X (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) que a única salvação é eles resgatarem Vampira, já que ela poderia absorver os poderes de Kitty e continuar mantendo o Carcaju no passado. Para a surpresa do professor, que achava que Vampira estava morta, Bobby revela que ela está servindo de cobaia no interior de Cérebro, em sua mansão.

Com isso, uma missão de resgate é montada, tendo o Homem de Gelo e Magneto à frente. Trata-se de uma boa sequência de ação, que é intercalada com o momento, no passado, em que Magneto (Michael Fassbender) invade a fortaleza de Trask para recuperar seu capacete. Com isso, Singer consegue  eficientemente trabalhar passado e futuro de maneira rítmica, criando rimas visuais entre os dois momentos na história sem parecer que está forçando a barra.

No entanto, claro, Vampira não tem seu arco próprio. Ela é apenas um artifício narrativo que não muda em absolutamente nada – a não ser o momento da morte de Bobby no futuro, que passa a ser na mansão – o que acontece em seguir, já que ela apenas toma o lugar de Kitty na “sessão espírita” com Wolverine, algo que o próprio sente no passado, ainda que brevemente.

Mas a Edição Vampira não traz apenas a inserção dessa sub-trama em princípio desnecessária, mas simpática. Há diversas outras sequências alternativas ao longo do filme, como o diálogo de Wolverine com a irmã menor de Mercúrio (Evan Peters), em que descobrimos que eles têm outra irmã, possivelmente gêmea e possivelmente Wanda Maximoff, a Feiticeira Escarlate. Outros pequenos momentos mostram a intimidade de Bobby e Kitty, uma conversa entre Wolverine e Hank McCoy (Nicholas Hoult) sobre o futuro do Fera e isso sem contar com pequenos diálogos extras aqui e ali, quando, por exemplo, Wolverine fala sobre a Internet para Hank, que diz que tem um catálogo telefônico e outras linhas com palavrões (como na sequência com o desbocado Nixon) cortadas para evitar a classificação etária etária R (que só aceita um palavrão por filme…).

É bem fácil ver porque todas essa sequências, inclusive as que trazem a Vampira de volta, foram cortadas da versão final do filme. Elas não acrescentam nada efetivo ou diferente à história, a não ser algumas piscadelas aqui e ali para os fãs. Não há mal algum em ver as cenas, mas fica evidente a acertada escolha de Singer em deixá-las de fora em um filme já carregado de informações.

Mas há uma exceção, ainda que ela não tenha relação alguma com Vampira. Na Edição Vampira, Mística (Jennifer Lawrence) volta para a mansão e ela e Hank finalmente demonstram ter um relacionamento próximo. Ambos se beijam, primeiro em suas versões humanas e, depois, em suas respectivas versões azuis. Trata-se de uma bela sequência que se torna o ponto culminante do que foi apenas visto de relance em Primeira Classe e, depois, na versão de cinema de Dias de um Futuro Esquecido. Além disso, ela funciona para dar contornos mais profundos à mudança de ideia de Mística ao final, quando ela resolve impedir Magneto de dar cabo a seu plano. Essa é a única  sequência cujo corte é inexplicável e deveria ter sido mantida.

A Edição Vampira de Dias de um Futuro Esquecido é fan service puro ao trazer uma personagem querida da primeira trilogia X-Men, mas que não tem nenhuma relevância na trama. No entanto, as modificações não pioram nem melhoram a experiência do filme original e, portanto, pode ser interessante revisitá-lo dessa maneira alternativa.

X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido – Edição Vampira (X-Men: Days of Future Past – The Rogue Cut – EUA/Reino Unido, 2015)
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Simon Kinberg, baseado na história de Jane Goldman, Simon Kinberg e Matthew Vaughn
Elenco: Hugh Jackman, James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Halle Berry, Nicholas Hoult, Ellen Page, Peter Dinklage, Shawn Ashmore, Omar Sy, Evan Peters, Josh Helman, Daniel Cudmore, Bingbing Fan, Adan Canto, Booboo Stewart, Ian McKellen, Patrick Stewart, Lucas Till, Evan Jonigkeit, Mark Camacho, Anna Paquin
Duração: 148 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.