Crítica | X-Men: Extermínio #3 (de 5)

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Não sei se Extermínio não passa do mediano porque a história recebeu tratamento de “evento”, com publicações dedicadas e passou por um marketing que prometia mudanças em relação aos X-Men originais deslocados no tempo ou se é mediano simplesmente porque é mediano e seria assim mesmo que fosse um arco dentro de uma publicação regular dos mutantes. O “oba oba” em volta turva um pouco a mente e dificulta uma avaliação objetiva.

Tenho para mim, porém, que a história seria não mais do que mediana – até agora, claro, pois tudo pode mudar nas duas edições finais – de qualquer jeito, pois o que aconteceu até o momento poderia ser resumido em apenas um edição de pouco mais do que 20 páginas. Afinal, trata-se da mera e repetitiva perseguição dos jovens mutantes por Ahab, que quer matá-los, e pelo Kid Cable, que quer capturá-los e mandá-los de volta para sua própria linha temporal, com direito a um começo “bombástico” que extermina a descartável e inconsequente Tormenta (que pode ou não voltar, ninguém realmente se importa) e também o velho Cable (esse, porém, desconfio que volta em breve).

A terceira edição começa exatamente de onde a anterior parou, com o coitado do Velho Logan controlado por Ahab, que achou uma maneira de acelerar seu processo de lavagem cerebral por intermédio de gêmeos mutantes (Maxime e Manon) que o roteiro de Ed Brisson literalmente para para explicar didaticamente. No entanto, não é só Logan que sofre a manipulação mental, com Noturno e Shatterstar também sendo “soltos” para matar o X-Men adolescente de seu respectivo grupo de proteção. Incomoda a incompetência completa do trio, com apenas Logan dando algum trabalho mais especificamente ao Fera do presente. Noturno e seu colega de X-Force parecem amadores em uma primeira missão, naquela conveniência cansativa de roteiro que quase dá vontade de fechar a revista e parar de ler.

O único personagem que parece saber o que está fazendo é mesmo Kid Cable que consegue capturar o Fera Fedelho sem maiores esforços. Ao final, fica a promessa de explicações sobre o plano dele, já que seu QG acaba sendo invadido pela X-Force liderada por Dominó, com a Jovem Jean a tiracolo. Fico curioso para saber especialmente o papel de Calvin Rankin nisso tudo (parece ser ele como anjo preso na máquina de tortura de Kid Cable), porque não tenho muitas dúvidas que o Cablezinho fará as vezes de Cablezão em futuro próximo, provavelmente logo ao final do evento. Mas, claro a curiosidade maior mesmo é ver se a Marvel Comics fará o que prometeu fazer antes dessa história começar, ou seja, mandar os X-Teens de volta para seu lar.

Assim como na edição anterior, Pepe Larraz faz um bom trabalho com sua arte, sabendo lidar bem com os vários núcleos e com a pancadaria na Mansão X, ainda que, por vezes, talvez por mandamento da editora, ele dê a entender consequências mais graves para alguns personagens (notadamente o Fera adulto) que simplesmente são desfeitas na página seguinte. Mas não é nada muito sério, já que o roteiro pouco inspirado de Brisson é que merece ser o alvo das reclamações até agora.

Extermínio continua sem mostrar que merece o status de “evento” que a Marvel insiste em dar-lhe, mas pode ser (na base do velho “a esperança é a última que morre”) que as duas últimas edições tragam justificativas para isso. Será provavelmente muito pouco, mas é torcer para que a história consiga sair da linha da mediocridade.

Extermination #3 (EUA, 26 de setembro de 2018)
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Pepe Larraz
Cores: Marte Gracia
Letras: Joe Sabino
Editoria: Darren Shan, Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Páginas: 23

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.