Crítica | X-Men: Extermínio #4 (de 5)

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É, definitivamente, Ed Brisson não pretende escrever algo memorável. Extermínio, o “evento X-Men” sob seu comando, até que ameaça sair da linha da mediocridade, mas não consegue, pois o autor sucumbe a todo tipo de clichê do gênero o que, por si só, não seria problemático se o autor os trabalhasse bem, desenvolvendo personagens e criando uma ameaça crível, que podemos, nem que seja por alguns segundos, acreditar no perigo.

Se voltarmos lá para primeira edição, lembramos que, de cara, o roteirista matou Tormenta (a Tempestade vampira de um universo paralelo, ou seja, uma personagem bucha de canhão) e Cable, trazendo para a narrativa a versão adolescente de Nate Summers. Não foi nenhuma maravilha, mas as bases pareciam interessantes. Infelizmente, ao longo da narrativa, a história nunca saiu do básico e a quarta edição mantém esse marasmo burocrático.

Não tenho problemas com ausência de surpresas ou de narrativas que, por seguirem caminhos lógicos, são óbvias. Mas Brisson extrapola a paciência de qualquer um criando suspenses bobos como quando, depois da invasão do QG do Kid Cable pela X-Force + Baby Jean Grey, a telepata congela a ação para interrogar o “vilão” e ele conta, depois de muita hesitação, muita enrolação, aquela mais do que batida história de que se os X-Teens não voltarem para seu passado, os mutantes morrerão. Quanta vezes já lemos isso nos quadrinhos dos X-Men? Isso é apenas mais uma quarta-feira para esses super-heróis e, para que algo assim não induza bocejos constantes no leitor, é necessário um “algo a mais”, qualquer coisa que retire a história do lugar-comum que, aqui, tem direito até mesmo àquela página dupla “chocante” com um futuro/passado horrível (estou bocejando só de escrever…).

E Ahab como o verdadeiro grande vilão é um desperdício de personagem. Não que ele fosse intrinsecamente interessante, pois nunca foi, mas Brisson poderia ter ido além das referências literárias à Moby Dick para tentar algo minimamente diferente. Do jeito que fica, Ahab é, apenas, mais um louco varrido sem graça lutando facilmente demais com uma variedade de mutantes, inclusive a super-poderosa Jean Grey adulta.

Diante de tanta inabilidade, o que sobra mesmo é o cliffhanger mais óbvio do mundo (sério, se alguém não deduzir de imediato o que aconteceu ali, sugiro ler mais quadrinhos urgentemente!) e, claro, a arte limpa, bonita e muito eficiente na diagramação de lutas de Pepe Larraz. Ele faz o que pode com a pobreza do texto de seu colega de time artístico e entrega alguns bons momentos, como o ataque de Ahab à base submarina dos mutantes.

Com apenas mais uma edição, Extermínio literalmente exterminou minha paciência com a enrolação que é. Tudo que aconteceu até agora poderia ter sido contado em um número apenas, talvez dois com boa vontade. Mas, como tudo tem que ser “saga” ou “evento”, a regra é espichar ao máximo um fiapo narrativo cansativo e morno, quase frio. Um desperdício nesse aparente canto do cisne dos X-Teens…

Extermination #4 (EUA, 31 de outubro de 2018)
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Pepe Larraz
Cores: Marte Gracia
Letras: Joe Sabino
Editoria: Darren Shan, Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Páginas: 22

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.