Crítica | X-Men – O Confronto Final

estrelas 3,5Quando lançado no começo dos anos 2000, a primeira incursão dos famosos mutantes no cinema, X-Men – O Filme alcançou grande repercussão no meio das produções de super-heróis, ao optar por uma abordagem mais série e adulta, e que claramente fazia uma crítica ao preconceito e a dificuldade da sociedade em aceitar aquilo que é diferente. Na produção seguinte, X-Men 2, o cineasta Bryan Singer (de Os Suspeitos) realizou um feito ainda maior, alcançando um maior sucesso de público e crítica, com aquele que ainda é considerado o melhor de toda a série.

Porém, quando Singer anunciou sua saída do comando do terceiro filme, o burburinho e a desconfiança foram inevitáveis. O comando foi dado a Brett Ratner, responsável por algumas produções divertidas (como A Hora do Rush), mas que não parecia ter maturidade suficiente para dirigir uma produção do tipo. X-Men: O Confronto Final embarcou nos cinemas com a tarefa de ser igualmente bom, ou ainda melhor que seus antecessores, mas acabou decepcionando aqueles que esperavam um filme com a mesma qualidade das realizações de Singer.

A trama gira em torno da descoberta de uma possível “cura” para o gene mutante. Dessa forma, os integrantes da raça poderiam escolher entre continuar do jeito que são ou tornar-se humanos, o que gera uma espécie de cisão, já que existem os que aceitam sua condição e os que querem deixar de ser “diferentes” de toda forma. No meio disso, Jean Grey, retorna como uma força mais poderosa que qualquer mutante já visto e acaba por causar danos irreparáveis por não poder controlar seu próprio poder.

Levando o tom crítico dos filmes anteriores a um novo nível, o principal problema de O Confronto Final é não saber explorar este novo passo de maneira tão intensa ou completa como os filmes de Bryan Singer. Boa parte da discussão fica na superficialidade, algo que com certeza não teria acontecido nas mãos se Singer tivesse permanecido no comando. Assim, O Confronto Final é menos ambicioso e ousado, mas não menos divertido, funcionando muito bem como um veículo de entretenimento.

Aproveitando sua experiência com produções mais movimentadas, Ratner conduz o filme de maneira frenética, ágil, sempre mantendo a ação como prioridade. Neste sentido, o filme se mostra uma ótima opção, já que suascenas de ação são muito bem dirigidas, enriquecidas ainda por alguns momentos mais dramáticos. A cena da ponte, por exemplo, é digna de estar entre as melhores da série, devido a sua grandiosidade e impacto. Apenas alguns efeitos especiais decepcionam, diminuindo o brilho de algumas cenas, mas nada muito grave.

O elenco continua como um dos principais responsáveis pela qualidade dos filmes. Hugh Jackman continua provando de que é a escolha perfeita para interpretar Wolverine, encarnando toda a fúria e incerteza que tomam conta do personagem. Da mesma forma, Ian McKellen segue impecável como Magneto, enquanto que Halle Berry e sua Tempestade, enfim, ganham seu devido espaço. Mas torna-se incompreensível a velocidade com que a produção descarta alguns personagens, como Ciclope e Mística, ambos com uma participação mínima e de pouca relevância para a trama. Da mesma forma, outros novos personagens, como o Anjo (Ben Foster) não recebem o destaque merecido, servindo apenas como mera curiosidade.

Entre seus erros e acertos, X-Men: O Confronto Final alcança um resultado positivo, graças ao bom nível de diversão que proporciona. Funciona melhor se analisado isoladamente, já que sai perdendo quando comparado com os anteriores, mais bem definidos dentro de seus propósitos. Apesar de tudo, vale a pena.

X-Men – O Confronto Final (X-Men – The Last Stand, EUA/Canadá, 2006)
Roteiro: Zak Penn, Simon Kinberg
Direção: Brett Ratner
Elenco: Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Patrick Stewart, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, James Marsden, Rebeca Romijn, Shawn Ashmore, Aaron Stanford, Vinnie Jones, Ellen Page, Ben Foster
Duração: 104 min.
RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.