Crítica | X-Men – Primeira Classe

estrelas 4

Para surpresa de todos os fãs dos X-Men e dos que saíram frustrados dos cinemas após assistirem aos outros quatro filmes da franquia, a mais nova continuação da saga dos mutantes, enfim, acertou em ritmo, história e elementos técnicos a sua mais nova produção, assumindo a posição de melhor capítulo da cinessérie.

X-Men: Primeira Classe (2011) é o quarto filme de Matthew Vaughn, que fez jus à sua escolha na disputada indicação para tão esperado blockbuster. Manipulando estrategicamente a atuação de personagens não contemporâneos aos primeiros X-Men sem interferir na história central, o diretor conseguiu realizar uma obra de amplo alcance, atendendo as demandas mais críticas de espectadores e agradando àqueles que vão ao cinema apenas em busca de explosões e tensão. O resultado é um produto maduro de uma franquia que ia mal das pernas. Apesar do bom trabalho de Bryan Singer em X-Men – O Filme e X-Men 2, não havíamos chegado a um longa que fosse efetivamente notável ou que tivesse menos erros narrativos e maior número de acertos postos na tela com grande qualidade, como acontece neste Primeira Classe.

A trama se desenrola em torno de Erik e Charles, os futuros Magneto e Professor Xavier, mas diversas personagens coadjuvantes ganham devida importância, um trunfo que foi pouco explorado nos filmes anteriores, preocupados em encaixar no decorrer dos acontecimentos cada uma das pequenas histórias individuais, caindo na estranheza do “niilismo dramático”, o que é um erro grave em se tratando de histórias com super-heróis. Em X-Men: Primeira Classe, a narração paralela das duas histórias não privilegia e nem despreza vilões ou mocinhos. Todos conseguem um espaço satisfatório e, mesmo quando não possuem falas (caso do personagem de Álex González, o Maré Selvagem), destacam-se por sua importância em algum momento da obra.

O roteiro escrito a oito mãos livra-se do mal que fere esse tipo de parceria. Com tanta gente escrevendo uma história, era de se esperar que o resultado comece no nada e termine em lugar nenhum — exemplos não nos faltam disso, muito embora tenhamos alguns casos de parcerias entre muitos roteiristas com louvável resultado final. Entretanto, observamos em Primeira Classe uma linha segura e bastante madura de desenvolvimento, com uma história difícil de ser contada mas muito bem escrita e dirigida. A disputa entre Estados Unidos e URSS na Guerra Fria, com foco na Crise dos Mísseis de Cuba, volta agora com incontáveis referências cinematográficas, imagens da época e plena relação com a história contada e sem o famoso “encaixismo” tão comum nesse tipo de produção. O erro vem apenas ao final da película, quando após uma cena apoteótica (onde todos esperávamos que o filme terminasse), uma imatura desaceleração seguida de duas sequências de isopor põem fim à obra. Mesmo assim, permanece a impressão do ótimo trabalho realizado nos 130 minutos anteriores.

As atuações de James McAvoy, Michael Fassbender e Kevin Bacon são bons destaques do elenco, trazendo com competência as características de suas personagens. Embora uma certa preguiça nos diálogos possa ser vista no decorrer da história, não é algo que minimize o roteiro ou o trabalho dos atores. A música de Henry Jackman também se destaca pela atmosfera que imprime a cada sequência que aparece e o filme ganha mais um ponto por não saturar de temas musicais cada plano que vemos. A edição e mixagem de som alternam com a música o trabalho de impacto, gerando interessantes efeitos dramáticos e psicológicos. Assim também é o uso da câmera pelo diretor e algumas de suas espirituosas composições visuais, com destaque par uso do zoom, das grandes panorâmicas e das dinâmica cênica nas cenas de batalha.

X-Men: Primeira Classe é um evento. Um evento comercial, vindo de uma franquia que explora o início daquilo que já conhecemos, mas o faz da melhor maneira possível. Divertimento, emoção, provocação… o filme tem de tudo um pouco e cada espectador terá a sua visão da obra, embora todas elas sejam pontuadas por uma conclusão unânime: enfim, um bom filme sobre os X-Men. Ou pelo menos um companheiro para o solitário (até agora) X-Men 2.

X-Men – Primeira Classe (X-Men: First Class, EUA, 2011)
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Álex González, Jason Flemyng, Zoë Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult
Duração: 132min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.