Crítica | Xerxes #3

  • Leia, aqui, as críticas das demais edições. 

Com o rei Dario morto, é o momento de Frank Miller finalmente apresentar — ou reapresentar — o personagem-título de sua minissérie: Xerxes. Curiosamente, porém, no lugar de lidar com aspectos relacionados ao conflito com os gregos, tema central de 300, o autor escreve uma história fundamentalmente separada e estanque que nos conta a origem do Purim.

A data comemorativa no calendário judaico refere-se à salvação do povo judeu-persa do extermínio planejado por Hamã, na Babilônia, então parte do Império Persa. Aqui, vemos os esforços de Ester, que casa com o rei Assuero, considerado historicamente como tendo sido o próprio Xerxes, para salvar seu povo por intermédio de sua beleza estonteante e inteligência, manobrando a vontade real para evitar o massacre iminente.

Miller, muito provavelmente, quis trabalhar outra dimensão de Xerxes, já que, em sua graphic novel anterior, a unidimensionalidade do personagem como vilão fanático e sua aparência estranha o havia tornado quase que a personificação do mal na Terra. Agora, passamos a ver um pouco — bem pouco mesmo — de seu lado mais humano, apaixonado e clemente, mas ainda considerando-se um ser divino.

Como mencionei, esta edição parece ser completamente separada das duas que a antecederam. Não há guerra, não há sequer uma abordagem indireta dos eventos passados fora a morte de Dario. O que Miller faz é dar um contorno verdadeiramente mitológico — ou bíblico, como queiram — à origem do Purim sem preocupar-se com ou deixar entrever sua importância para a narrativa macro.

Visualmente, o autor se vale de extenso uso daquele artifício visual que ele mesmo empregara para caracterizar Xerxes em 300: os “penduricalhos” de ouro no corpo do rei. Se lá, esse elemento era já muito vistoso, aqui ele faz como todas as continuações de Hollywood e exagera até não poder mais. A grande verdade, porém, é que, se o leitor já tiver feito as pazes com o estilo atual do desenho de Miller, então perceberá que esse exagero todo funciona aqui, transformando cada página em uma espécie de delírio visual que contribui ainda mais na separação desta edição das anteriores e na pegada de lenda que ele tenta imprimir, inclusive, com seu texto.

Pensando na minissérie como um todo, porém, uma edição como esta é preocupante, já que faltam apenas mais duas e a desconexão parece-me grande demais. Quando do lançamento de Xerxes #1, cheguei a imaginar que Miller efetivamente contaria um grande evento histórico por edição, sem que um tivesse necessariamente conexão direta com o outro além da questão ampla do conflito entre os estados gregos e o Império Persa. Mas, com o número seguinte, a continuidade direta veio e trouxe esta lógica para a minissérie, algo que é quebrado nesta terceira edição. Como o autor chegará em Alexandre, o Grande em tão pouco tempo, não posso nem imaginar.

Xerxes #3 funciona bem como uma história estanque de visual arrojado. Já dentro da proposta geral da minissérie, sua eficiência fica a ser julgada depois que ela acabar.

Xerxes #3 (Xerxes: The Fall of the House Darius and the Rise of Alexander #3, EUA – 2018)
Roteiro: Frank Miller
Arte: Frank Miller
Cores: Alex Sinclair
Editora: Dark Horse Comics
Data de publicação: 06 de junho de 2018
Páginas: 21

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.