Crítica | “Xscape” – Michael Jackson

estrelas 3

Há cinco anos desde que um dos maiores artistas da história da música, o aclamado rei do pop, terminava seu reinado. Bem, ao menos era o que parecia, mas como tudo é reciclado e aproveitado ao máximo no mundo da música, faixas inéditas descartadas de seus álbuns foram usadas para integrar álbuns póstumos. Isso já se tornou comum, acontecendo com vários outros artistas. O primeiro álbum póstumo do cantor, Michael, foi lançado às pressas, logo depois de sua morte, apenas um dos vários sinais de tentativa extrema de lucrar com a morte do cantor. Quem não cansou de escutar falar de Michael Jackson no ano de 2009 que atire a primeira pedra.

O primeiro álbum póstumo de Michael Jackson, como citado acima, foi feito às pressas e o resultado foi um péssimo disco, muito mal trabalhado, nem a morte do artista poupou o fracasso comercial e as críticas negativas. Agora, eis que Xscape sai do forno, o segundo álbum póstumo de inéditas, disco que teve um tempo muito maior para ser feito, recebendo produção de Timbaland, famoso colaborador de Justin Timberlake e Beyoncé. O disco possui 8 faixas inéditas do cantor, além de uma edição de luxo com as versões originais e duetos com alguns artistas. Apesar de ser uma tentativa de tapar o buraco de um disco com poucas faixas, elas acrescentam bastante ao álbum.

O destaque e single do disco é Love Never Felt So Good, que na edição de luxo inclui uma participação de Justin Timberlake. A música foi feita há três décadas, nos melhores dias do artista, mostrando uma qualidade imensa, reforçada na versão com Timberlake. O álbum consegue manter certa qualidade justamente pelo fato de muitas músicas lembrarem a melhor época do rei do pop. Além desse fato, ainda existe o cuidado que se teve com o disco, que possui um ótimo trabalho de remixagem e acabamento. Do You Know Where Your Children Are merece ser ressaltada pelo seu ótimo arranjo, até lembraria os tempos do álbum Thriller se não fosse tão “sintética”, a faixa perde um pouco do seu potencial devido a melodia ser quase totalmente eletrônica. Aliás, o trabalho de edição é a maior vitória e a maior derrota do disco. O aspecto de derrota se baseia no princípio que os elementos orgânicos sempre foram peças valiosas nas músicas de Michael – seja os riffs de guitarra de Eddie Van Halen em Beat It ou os tambores do Olodum em They Don’t Care About Us – e esse ponto forte foi substituído por sintetizadores. Esse fato tira muito da autenticidade da música do rei do pop, faixas como a repetitiva Slave To The Rythim lembram o pior momento do cantor e ainda o péssimo da música pop atual. No entanto, a vitória consegue se sobressair mais que a derrota, o melhor exemplo é a excelente aula de remixagem e edição de Blue Gangster. O disco possui outras gratas surpresas como o soul e o R&B de Loving You, a sonoridade da fase do álbum Bad em Chicago, e uma clara referência e homenagem ao clássico A Place With No Horse em A Place With No Name (com direito até ao “La La la” no fim). Infelizmente, uma péssima surpresa é a faixa título, que não consegue se destacar frente às outras músicas do disco e da discografia de Michael, passando a impressão de “Acho que já escutei isso alguma vez”.

Xscape acaba conseguindo ser um bom álbum, repleto de boas músicas inéditas que lembram os bons tempos do cantor, apesar de soar como apenas resquícios do rei do pop. As canções desse disco foram descartadas de seus álbuns muito provavelmente por serem consideradas fracas pelo cantor ou pela gravadora da época. O trabalho de revitalizar essas faixas ficou para os produtores, que conseguiram um efetivo trabalho ao editar, um resultado bem melhor que o primeiro álbum póstumo do cantor. Esse é apenas mais um de muitos outros discos póstumos de Michael que ainda serão lançados no futuro. Vamos ver até onde isso vai, a certeza é que uma hora os produtores vão precisar fazer verdadeiros milagres.

P.S.: Aqueles que não gostaram desses álbuns póstumos do cantor e apreciam Rock N’ Roll, podem escutar A Metal Tribute To Michael Jackson, lançado ano passado. Fica a dica.

Xscape
Artista: Michael Jackson
País: Estados Unidos
Lançamento: 13 de maio de 2014
Gravadora: Epic, Sony
Estilo: Pop

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.