Crítica | Young Sheldon – 1X01: Pilot

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A ideia de uma série sobre a infância de Sheldon Cooper veio de Jim Parsons, ator que interpreta a versão adulta do personagem em The Big Bang Theory. Discutida ao longo de todo o ano de 2016, a série ganhou aprovação de produção pela emissora CBS, tendo como criadores Chuck Lorre e Steven Molaro, ambos de TBBT, e Jim Parsons como um dos produtores executivos.

A estreia do programa nos Estados Unidos, em 25 de setembro de 2017, teve uma repercussão notável de audiência, pouco mais de 17 milhões de espectadores (contagem final), o que espanta por diversos motivos: mesmo sendo um spin-off de uma comédia bastante famosa, trata-se de uma série nova, e em tempos de internet, downloads e streamings, os números para programas que ainda não são muito badalados tendem a passar pelo morno vale das indicações para de fato engatarem. Como sempre, porém, há exceções, e Young Sheldon se tornou uma delas.

Escrito por Lorre e Molaro e dirigido por Jon Favreau (Homem de Ferro, Homem de Ferro 2), o Piloto de YS é um ensaio tímido e mal finalizado do que o programa pode vir a ser depois que se tornar parte da grade regular da CBS, a partir de Novembro de 2017, com o episódio Rockets, Communist, and the Dewey Decimal System. Entretanto, nos é apresentado neste início uma versão progressivamente chateante (mas o tempo inteiro fofa) de como mostrar a infância de um gênio, passando por cima de possibilidades brilhantes para se gerar humor e abrindo em demasia o final, estabelecendo um cliffhanger — se é que podemos chamar assim — nada instigante, o que é uma pena, se considerarmos o potencial do enredo que os criadores tinham em mãos.

A massiva recepção do público, contudo, não é sem motivo. Young Sheldon já se vende como uma mistura de séries feel good aliada a histórias de personagens extraordinários, confusões familiares, bizarrices escolares e brincadeiras com o cotidiano de uma família texana média. Ou seja, é o tipo de crônica que sempre chama a atenção de um público amplo e que faz graça com coisas que estão, todos os dias, na vida de quem assiste. É a velha identificação e representação na TV de modelos sociais simples que faz com que determinadas propostas tenham um apelo bem mais intenso que outras. E neste caso, claro, existe a legião de fãs de The Big Bang Theory engrossando o público-alvo.

Durante algum tempo houve a preocupação de que o ator Iain Armitage (então com 9 anos e já tendo assumido um papel recorrente em outra série de destaque, Big Little Lies) talvez não desse conta de encarnar uma versão mirim e crível de Sheldon Cooper. Mas basta assistir a cinco minutos deste Piloto para concluir que não havia motivo algum para preocupação nesse sentido. Apesar da pouca idade, Armitage já se mostra um ator talentoso, representando com bastante firmeza uma porção de caraterísticas que enxergamos na versão adulta de seu personagem, especialmente na voz e na postura. Os momentos realmente engraçados do episódio são quando o texto destaca o pequeno Sheldon, fazendo com que a inocência e honestidade de suas observações atinjam o alvo. Por outro lado, as piadas não funcionam ou destoam do personagem quando são forçadas, vide alguns momentos na igreja ou na observação que ele faz na cena final do capítulo.

Jon Favreau faz o possível para tornar a comédia orgânica e nos dar uma maior noção de entendimento para os muitos espaços cênicos e passagem do tempo, mas como não teve ajuda da montagem, que organizou o episódio em blocos de situações jocosas supostamente autossuficientes — o que não são — ficou difícil para o espectador abstrair de maneira mais fluída os problemas da família e os muitos impasses que o início do ano letivo já começa a trazer para os Cooper, sendo as extremidades do capítulo as partes que mais sofrem.

Pelo charme de situações pontuais e pela fofura e boa atuação do protagonista da série, não há dúvida de que Young Sheldon mereça uma nova chance. Passada a obrigação de apresentação geral dos personagens centrais, é possível que o segundo momento flua melhor, tenha menos pontos destoantes e sem graça de comédia e, principalmente, uma boa montagem e uma boa finalização. Potencial a série tem sim. Resta saber se isto será aproveitado e se os próximos episódios conseguirão um resultado melhor que este Piloto.

Young Sheldon – 1X01: Pilot (EUA, 25 de setembro de 2017)
Criadores: Chuck Lorre, Steven Molaro
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Chuck Lorre, Steven Molaro
Elenco: Iain Armitage, Zoe Perry, Lance Barber, Montana Jordan, Raegan Revord, Jim Parsons, Bob Newhart, Valerie Mahaffey, Rex Linn, Matt Hobby, Brian Stepanek, Danielle Pinnock, Melissa Tang, Doc Farrow, Wyatt McClure
Duração: 21 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.