Crítica | “Yours, Dreamily” – The Arcs

estrelas 3,5

Muitos ao escutarem algumas canções do The Arcs, projeto paralelo de Dan Auerbach, terão a sensação de estar escutando o próprio The Black Keys. Claro, não era pra menos, afinal, a guitarra e voz do famoso duo rockeiro estão definitivamente inseridas em Yours, Dreamily, primeiro disco do The Arcs. Dan criou sua própria marca de tocar e cantar e o que vemos com seu trabalho no Keys acaba seguindo em The Arcs também. No entanto, não se engane. O projeto paralelo foi criado justamente para que o guitarrista tivesse mais liberdade e pudesse experimentar mais, sem se prender ao título “Black Keys”, que possui fãs exigentes, sempre fazendo comparações com trabalhos anteriores.

É interessante como tudo faz sentido se traçarmos um paralelo entre Yours, Dreamily e Turn Blue, último trabalho do grupo. É o trabalho do Keys que mais flerta com as novas propostas de dentro do The Arcs. Proposta essa que, de forma reduzida, é fazer um som retrô de teor melancólico e romântico. Os teclados que alguns estranharam em Turn Blue aqui aparecem muito mais livres de julgamento, por todos os lados, em especial na abertura da ótima Pistol Made Of Bones, levando uma forte aura sessentista. Até instrumentos de sopro resolvem aparecer na introdução de Cold Companion (assim como em sequências de Nature’s Child e Velvet Ditch),  canção nostálgica, quase uma homenagem ao Fleetwood Mac.

Entre as maiores similaridades com o Keys entram canções como o ótimo single Outta My Mind, (parece até que Patrick Carney está no controle da bateria) de clima um tanto eufórico e que poderia ter saído diretamente de El Camino; além de The Arc, canção de maior veia rock n’ roll, frenética e de excelente execução guitarrística de Dan, fazendo um solo de se levar a loucura.

O grande vacilo de Yours, Dreamily é perder parte do fôlego um pouco depois de sua metade. Tudo soa com uma carga melancólica excessiva, gerando uma certa monotoniedade. O maior exemplo disso está na bizarra Come And Go, que por trás de seus samplers de orgasmos e ruídos de sexo não reside quase nada além de um experimento musical falho e estranho. Com essa exceção, o disco não chega a possuir nenhuma canção realmente ruim. Na verdade, mesmo mais fraca que a inicial, a parte final do disco tem ótimas faixas românticas como a dançante Rosie (Ooh La La) e os backing vocals dóceis de Chains Of Love que ajudam a construir um maravilhoso soul e um dos destaques do álbum.

Em um disco conciso, bem mais livre pra experimentar, Dan constroi seu projeto paralelo em união com músicos que mostraram ter o mesmo interesse que ele. É um trabalho cheio de teclados retrôs, letras simples com boas métricas, guitarra bem sincronizada, aura sessentista e teor extremamente romântico. No entanto, The Arcs poderia arriscar bem mais do que arriscou, por falta disso acaba ficando na sombra de comparações com o Black Keys. De qualquer forma, tal fato não tira o acerto da banda em seu primeiro álbum.

Aumenta!: The Arc
Diminui!: Come And Go
Minha canção preferida: Outta My Mind

Yours, Dreamily
Artista: The Arcs
País: Estados Unidos
Lançamento: 4 de setembro de 2015
Gravadora: Nonesuch Records
Estilo: Indie Rock, Soul, Blues Rock

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.