Crítica | Z Nation – 2ª Temporada

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estrelas 3

Obs: Há spoilers somente da temporada anterior, cuja crítica pode ser lida, aqui.

Z Nation é a abordagem do canal SyFy sobre a febre dos zumbis, encabeçada pelo fenômeno de audiência The Walking Dead. A seriedade da série da AMC abre espaço para a sátira, a gozação, o absurdo que é a criação de Karl Schaefer e Craig Engler. E o resultado, ao longo de toda a temporada anterior, foi absolutamente hilariante e inovador.

Usando uma premissa para lá de simples – um grupo de sobreviventes do apocalipse zumbi tem que levar Murphy (Keith Allan), a última esperança de uma cura para a epidemia, de Nova York para Los Angeles – cada episódio é uma desculpa para a criação de situações para lá de estapafúrdias, justamente focando naquilo que The Walking Dead tenta se esquivar ao máximo: zumbis e mortes aos borbotões. As brincadeiras com a cultura pop, com outras séries de TV e com o cinema são inteligentemente usados em roteiros práticos, estruturados em “problema da semana”, mas que parecem naturais, sempre com o objetivo de divertir o espectador eu uma série-pipoca (se você não se importar com sangue, cérebros e vísceras, claro).

E a nova temporada começa exatamente onde a temporada anterior acabou, com mísseis nucleares prestes a atingir pontos estratégicos por todo o mundo, especialmente o exato local onde o grupo de protagonistas liderado pela Tenente da Guarda Nacional Roberta Warren (Kellita Smith) está. Sem perder tempo, o capítulo de abertura, no lugar de inventar uma desculpa para os mísseis não funcionarem, acrescenta apocalipse nuclear ao apocalipse zumbi em mais um daqueles exageros extremos que simplesmente temos que aceitar de peito aberto. Afinal, nosso heróis sobrevivem, mas as explosões nucleares os impedem de continuar em linha reta para a Califórnia, o que justifica, então, mais uma temporada para o objetivo ser alcançado.

Ainda que haja um claro esforço para se trazer novidades à série – zumbis atômicos ou blasters, bebê zumbi (sim, o segundo, mas esse é bem mais importante), antrax, gangue mexicana, indígenas, zumbis-plantas ou fitozumbis (impossível não lembrar do Monstro do Pântano), um colecionador de zumbis (com uma ponta absolutamente fantástica, imperdível mesmo), contato com extraterrestres – a impressão que dá é que o “gás” está acabando. Muito tempo é gasto com situações inócuas para a narrativa geral e para desenvolvimentos que parecem, ao menos nessa temporada, que não darão em lugar nenhum. As situações fortemente satíricas da primeira temporada perdem espaço para roteiros que olham mais para dentro da série, com piadas auto-referenciais que acabam cansando. Sim, continuam havendo momentos geniais como o da roda de queijo gigante ou White Light, um episódio inteiro dedicado à pancadaria entre caçadores de recompensa agora atrás de “The Murphy” como Murphy fica conhecido depois que Citizen Z (DJ Qualls), no desespero e sem contato com Delta-X-Ray-Delta, informa a todos que ele é valioso. Mas tais momentos são mais raros e menos eficientes.

E há um agravante ainda, pois a série, antes com 13 episódios, foi renovada para uma temporada maior ainda, de 15, sem nenhuma necessidade narrativa considerando a quantidade de fillers que acabam sendo inseridos. A própria gangue mexicana dos Zeros, liderada por Escorpión (Emilio Rivera, essencialmente fazendo o mesmo papel que teve em Sons of Anarchy), acaba subaproveitada, aparecendo esporadicamente e, depois, sendo a principal antagonista de uma dupla de episódios (os 12º e 13º da temporada – Party With the Zeros e Adiós, Muchachos) dolorosamente lenta e com todo o jeito de encerramento de história. Mas o encerramento não vem e somos dubiamente brindados com outros dois episódios, também formando uma dupla, que poderiam ser resumidos facilmente em 15 minutos, o tempo necessário para se montar os cliffhangers para a próxima temporada.

Mas Z Nation continua sendo uma divertida alternativa à seriedade de The Walking Dead e uma série interessante por seus próprios méritos. Murphy ganha muito mais atenção nessa temporada e sua imunidade à zumbis é desenvolvida exponencialmente e por caminhos que geram os melhores momentos, como o episódio em que Doc (Russell Hodgkinson), Addy (Anastasia Baranova) e 10K (Nat Zang) têm que se livrar de uma vigilante Cassandra (Pisay Pao) para seguirem Murphy. Essa atenção, porém, vem em detrimento de praticamente todo os demais personagens, com exceção de Warren que solidifica sua liderança. Mesmo o membro mais novo do grupo, o caçador de recompensas  Javier Vasquez (Matt Cedeño), apesar de ter um passado que é importante para a narrativa em um ponto específico, não tem muita função antes e depois do momento em que esse passado é utilizado pelo roteiro.

Agora é aguardar para ver se, na 3ª temporada, a SyFy faz com que Z Nation volte à forma, alterando o status quo de verdade. Será uma pena se a série caminhar para a vala comum que tantas outras já estão.

Z Nation – 2ª Temporada (EUA – 2015)
Showrunners: Karl Schaefer, Craig Engler
Direção: vários
Roteiro: vários
Elenco: Kellita Smith, DJ Qualls, Michael Welch, Keith Allan, Anastasia Baranova, Russell Hodgkinson, Pisay Pao, Nat Zang, Matt Cedeño, Emilio Rivera, Donald Corren, Gina Gershon, Anthony Michael Hall, Missi Pyle
Duração: 44 min. por episódio (15 episódios)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.