Crítica | Zumbis Marvel (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

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estrelas 3,5

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um normalmente refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

Inventados por Mark Millar e Greg Land como parte de uma linha narrativa de Ultimate Quarteto Fantástico em 2005, os Zumbis Marvel fizeram sucesso e ganharam minissérie própria iniciada no mesmo ano escrita por ninguém menos do que Robert “The Walking Dead” Kirkman e que, por sua vez, gerou diversas outras e alguns one-shots com variações sobre o mesmo tema. A proposta é divertimento descerebrado puro, que transforma os heróis e vilões Marvel em monstros comedores de cérebro em um universo alternativo. É como Z Nation só que com o Homem-Aranha e companhia.

E essas criaturas monstruosas fazem parte integrante do Mundo Bélico criado por Deus Destino em Guerras Secretas. Eles basicamente cercam esse mundo, que é protegido por uma gigantesca muralha, batizada de Escudo, onde diversos personagens cuidam para que os desmortos super-poderosos não invadam os baronatos. Um desses personagens é Elsa Bloodstone, criada em 2001 por Dan Abnett e Andy Lanning em minissérie própria em que ela é apresentada como uma caçadora de monstros. E caçadora de monstros é exatamente o que ela é na nova versão de Zumbis Marvel.

Sem perder tempo, o roteiro de Simon Spurrier arremessa a violenta soldada 200 milhas além da muralha, no meio das hordas de zumbis que assolam a região. Acordada por uma criança misteriosa, Elsa tem que lidar com os monstros e com demônios de seu passado para ser bem sucedida em sua jornada de volta. Assim como em todas as séries relacionadas com os Zumbis Marvel, a história nada mais é do que um fio de desculpa para catalisar a ação que, normalmente, envolve muitas cabeças estouradas, braços cortados, sangue escorrendo e, em geral, mortes extremas.

No entanto, Spurrier consegue trabalhar bem Elsa aqui, emprestando-lhe camadas interessantes com os flashbacks sobre seu violento e abusivo treinamento desde tenra idade para ser caça-monstros por seu pai que ganha encaixe também no presente. Na verdade, muito surpreendentemente, o roteirista mantém os massacres de zumbis ao mínimo (dentro dos parâmetros do que poderia ser, claro) e realmente foca seu texto no desenvolvimento psicológico da personagem que carrega fragmento da poderosa, mas dormente, bloodstone em volta de seu pescoço e que, claro, na situação em que ela se encontra, começa a manifestar-se, dando-lhe poderes.

Além disso, ele é bastante feliz ao usar Mística como a líder de uma gangue de zumbis que se mantém fazendo bom uso de suas faculdades mentais graças a uma excelente tirada que lhes garante uma reserva ilimitada de cérebros para refestelarem-se. E, claro, o grande e misterioso vilão que percebe Elsa por toda a terra zumbi faz sentido orgânico na narrativa, ainda que sua identidade seja para lá de óbvia. Seu erro, porém, está mesmo no final em que a mensagem passada talvez seja positiva demais considerando a situação impossível que a heroína se encontra.

A arte ficou ao encargo de Key Waker e ela é, em poucas palavras, linda. Levemente cambando para traços de mangá, mas firmemente estabelecendo identidade própria, o desenhista é muito eficiente em recriar Elsa Bloodstone e em apresentar ameaças zumbificadas de respeito em uma progressão narrativa energética e bem cadenciada, que faz ótimo uso do texto de Spurrier. Ele se esmera nos detalhes de cada personagem e no panos de fundo, passando a exata impressão da dimensão gigantesca dessa região inóspita em que Elsa tem que sobreviver tendo a tiracolo uma criança que não sabem nem quem é.

Por incrível que pareça, essa versão de Zumbis Marvel, consegue, ao usar o material propenso ao exagero das minisséries precedentes, criar uma leitura engajante e divertida que perde pontos ao não ir até o final como poderia ir. Não será particularmente lembrada por ser brilhante, mas ela cumpre com louvor sua função.

Zumbis Marvel (Marvel Zombies, EUA – 2015)
Contendo: Marvel Zombies (2015) #1 a #4
Roteiro: Simon Spurrier
Arte: Kev Waker
Arte-final: Jason Gorder (#3, p. 6-15)
Cores: Frank D’Armata (#1), Guru-eFX (#2 a #4)
Letras: Clayton Cowles
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto a dezembro de 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: setembro de 2016 (1ª história do encadernado Guerras Secretas: A Era de Ultron Vs Zumbis Marvel)
Páginas: 86

RITTER FAN. . . .Sou um carioca rabugento que não faz questão nem de sol (muito quente) nem de praia (tem areia e água salgada). Prefiro o escurinho do cinema onde, sozinho ou acompanhado da família ou de amigos, me divirto - ou não, depende - por horas a fio.