Crítica | Doctor Who – Especiais do 10º Doutor

O objetivo desta postagem é trazer pequenas reviews para TODOS os Especiais de Doctor Who que tiveram o 10º Doutor como protagonista. A ideia surgiu de uma das conversas megalomaníacas que tive com meu partner de site, Ritter The Master Fan, sobre o andamento do nosso épico Especial de comemoração dos 50 anos da série.

Bem, agora um pouquinho sobre a proposta aqui. Não colocamos os Especiais do 9º Doutor simplesmente porque eles não existem. Vocês certamente sabem que o Eccleston se desligou totalmente da série após a sua saída, em 2005, não gravando mais nada a respeito (nem audiolivros!) e recusou o convite de Steven Moffat para participar do Especial de 50 anos. Ele chegou a dizer em entrevista que “não é ele“. Existem algumas lendas urbanas sobre sua partida da série logo após a 1ª Temporada do revival, e pelo modo como a carruagem anda, alguma coisa parece ser mesmo verdade. Se bem que – pelo menos – ele nunca se recusa a falar sobre a série, sobre a experiência e opiniões a respeito do andamento do show após 2005. Espero que isso mude no futuro, e quem sabe no aniversário de 55 anos ele não apareça!

E sobre os Especiais em si: a Nova Série passou a ter episódios e filmes fora da programação normal da série em 2005, já estrelados por David Tennant. O primeiro deles foi, na verdade, uma extensão das filmagens da regeneração do 9º para o 10º Doutor, apresentada para o Children in Need 2005. É uma sequência de 7 minutos, totalmente dentro da TARDIS, e como eu disse, uma pequena extensão da cena de regeneração. Em seguida, veio o Especial de Natal, e daí para frente uma série de outros Especiais que você pode conferir nas pequenas abordagens abaixo. O texto de Planet of the Dead é de autoria de Ritter The Master Fan. Todos os outros textos são de autoria de Luiz Time Lord Santiago, este que vos escreve.

Em tempo: tiramos dos Especiais o inédito Música das Esferas, feito especialmente para o Doctor Who at Prom de 2008. Se você quiser ler a crítica do concerto, clique aqui.

Allons-y!

The Christmas Invasion

estrelas 3,5

 

 

Especial de Natal

O primeiro episódio inédito em que vemos a aparição do 10º Doutor. Para os não acostumados com essa dinâmica de mudanças da série, certamente foi um choque enorme ver um novo ator e ainda em sua forma menos ativa, pelo menos na maior parte do episódio. Sofrendo pelos efeitos da regeneração, o Doutor fica impossibilitado de agir quando os Sycorax invadem a Terra.

O episódio serve muito bem como apresentação do novo Time Lord. A reta final do Especial é a melhor parte, porque mostra a ação do Doutor para salvar a humanidade, sua luta contra o Sycorax, a perda e a re-regeneração de sua mão. O bacana desse episódio é que temos maior tempo para conhecer a família de Rose, seu ambiente natal e algo que nos anos seguintes aparecia vez ou outra na série: como a humanidade reagiria e resolveria os problemas com aliens se o Doutor não estivesse por perto? Russell T Davies faz uma baita de uma apresentação, com direito a dilemas éticos e tudo mais. Começava uma nova fase para a série.

The Christmas Invasion (UK, 2005)
Direção: James Hawes
Roteiro: Russell T Davies
Elenco: David Tennant, Billie Piper, Noel Clarke, Camille Coduri, Penelope Wilton
Duração: 60 min.

The Runaway Bride

estrelas 3

Especial de Natal

Primeira aparição de Catherine Tate na série! Esse Especial de Natal mostrou o Doutor ainda marcado pela recente separação de sua companion Rose, e como sempre, a vontade que tem de permanecer acompanhado, convidando a noiva Donna Noble para lhe fazer companhia pelo Universo. O episódio guarda momentos preciosos, especialmente na linha do humor. Donna é uma personagem bastante cativante e seu embate com o Doutor é realmente engraçado, uma característica que permaneceria com o seu retorno à TARDIS, na 4ª Temporada.

O que não gosto muito aqui é a colocação da vilã, a Imperatriz dos Racnoss, aquela espécie de aranhas gigantes que serviram de base para a origem do planeta Terra. Não pelo contexto em que a Imperatriz aparece, mas pela construção da própria personagem e o modelo estranho que ela usa para conseguir o que quer. O que vale muitos pontos é relação Doctor-Donna, um indício de parceria que iria evoluir grandiosamente no futuro e que fez desse Especial de Natal um dos mais divertidos, apesar da ameaça alienígena.

The Runaway Bride (UK, 2006)
Direção: Euros Lyn
Roteiro: Russell T Davies
Elenco: David Tennant, Catherine Tate, Sarah Parish
Duração: 60 min.

The Infinite Quest

estrelas 3,5

Animação

Por incrível que pareça, a qualidade dessa animação é bem melhor que a e sua posterior, Dreamland, devidamente comentada abaixo. O desenho e o modelo de manipulação em computador aqui realizado não tem a aparência feia encontrada no outro filme, tendo até momentos visuais muito interessantes e cenários muitos curiosos visitados pelo Doutor e por Martha Jones, numa aventura que busca pelo “Infinito”, um navio naufragado nos confins do Universo capaz de dar a quem entrar nele o desejo íntimo de seu coração.

A história é bem escrita e pontuada de momentos icônicos, com planetas e locais de aparência contrastante e a sempre grande engenhosidade do Doutor e sua companion para se livrar das ameaças que encontram nesses lugares. O vilão em questão é complexo, porque não é um Zé Ninguém que almeja o poder. Trata-se de um pirata, déspota, conquistador e gênio, porque construiu sozinho a sua potente nave espacial – se bem que o fungo que o Doutor coloca na histórica colher que ele leva para tal nave torna essa afirmação um pouco irônica…

The Infinite Quest é uma aventura chamativa, engraçada em alguns momentos (as dublagens do Tennant conseguem ser mais loucas que as falas dele na série) e com um bom final. E ainda aparece uma citação à praia de Copacabana! Se bem que vem um “Arriba!” depois, mas tá valendo.

The Infinite Quest (UK, 2007)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Alan Barnes
Elenco: David Tennant, Freema Agyeman, Anthony Head, Toby Longworth, Liza Tarbuck
Duração: 45 min.

Time Crash

estrelas 4

doctor who time crash

Children in Need

Time Crash foi um mini episódio de Doctor Who, filmado para o Children in Need (uma espécie de “Criança Esperança” britânico), em 2007. Escrito por Steven Moffat, o mini episódio traz de volta o 5º Doutor (Peter Davison), que acaba tendo sua TARDIS do passado fundida com a TARDIS de seu eu futuro, nesse caso, o 10º Doutor (David Tennant. Por ser um mini episódio e por trazer a tag de “não canônico”, qualquer coisa poderia ter acontecido, por isso eu acho que Moffat pisou um pouco na bola com o argumento apresentado. Não digo que o 5º Doutor deveria ser desconectado de sua época, mas para um episódio não canônico, ter ousadia poderia tornar tudo ainda mais interessante.

Basicamente temos as duas TARDISes fundidas, o que acaba sendo uma ameaça para o próprio Universo e colocando os dois Doutores na borda de um Buraco Negro. O 10º Doutor então move a nave e consegue livrar ambas as encarnações e planetas inteiros de um desastre causado por um colapso paradoxal.

O ponto alto do episódio, fora a colocação cômica que é bem dosada e trabalha com elementos de ambas as timelines, é o diálogo (quase monólogo) final entre os Doutores. Como a proposta era que o episódio não precisasse de efeitos especiais já que seria usada uma pontinha dos efeitos de outro episódio (essa mini aventura ocorre entre o finale da 3ª Temporada e o Especial de Natal Voyage of the Damned), podemos dizer que Moffat lidou muito bem com a trama em um único cenário, se esquecendo apenas de ousar um pouco mais… De qualquer forma, o encontro entre esses dois queridos Doutores foi um verdadeiro presente para todos os whovians, e fez de Peter Davison, o primeiro ator da Série Clássica a aparecer pessoalmente no revival da série.

Time Crash (UK, 2007)
Direção: Graeme Harper
Roteiro: Steven Moffat
Elenco: Peter Davison, David Tennant
Duração: 08 min.

Voyage of the Damned

estrelas 4

Especial de Natal

Episódio que trouxe a popstar Kylie Minogue como companion, Voyage of the Damned é uma interessante versão de uma tragédia do tipo Titanic, só que nesse caso, um Titanic voador, originário do planeta Sto (rimou!). O navio está orbitando a Terra e o Doutor tem contato inicial com ele através de outro episódio, no cliffhanger de Time Crash. Ao embarcar e se infiltrar na tripulação do navio, ele presencia a tragédia que condena a todos ali (e ao planeta Terra) à morte.

Mesmo sendo um episódio de Natal – que tecnicamente falando deveria trazer mensagens bem mais otimistas, este é um episódio bastante triste, que conta com a morte da simpática Astrid e um discurso quase existencialista na fase final. Uma pena que T Davies não seguiu esse mesmo modelo no Especial de Natal do ano seguinte.

A produção artística de Voyage é maravilhosa, com fotografia e arte dignas de nota. E como bônus, o Doutor ainda satisfaz sua vontade de gritar “Allons-y Alonso!” um dos raros momentos cômicos da história.

Voyage of the Damned (UK, 2007)
Direção: James Strong
Roteiro: Russell T Davies
Elenco: David Tennant, Kylie Minogue, George Costigan, Geoffrey Palmer, Russell Tovey
Duração: 71 min.

The Next Doctor

estrelas 3

Especial de Natal

Em linhas gerais, não tenho muita simpatia por esse episódio, mas por outro lado – e sim, isso é paradoxal – acho-o bastante inteligente e gosto da maneira como o roteiro brinca com as realidades possíveis do Doutor. Talvez por ter tido Especiais de Natal mais ligados a um outro modelo de ação, esse de 2008 tenha parecido estranho, na minha opinião, o mais fraco de todos da era do 10º Doutor.

Acredito que o ponto de destaque é o lado cômico da história, que na relação Tennant-Morrissey encontra uma ótima dupla e uma boa química em cena. Mas diante de todas as contradições e a explicação para o “outro Doutor” achar que era um Doutor é bem fraca. Se sobressai aqui a inventividade da relação, que como disse no parágrafo acima, é uma visão paradoxal da coisa, mas é assim que vejo. Levando em consideração que era o último Especial de Natal de David Tennant, Russell T Davies deveria ter pensado em uma trama mais ligada com aquele momento da série, como ele fizera no início. Mas de qualquer forma não se trata de um capítulo ruim da série, só está bem aquém desse momento do show e do que esperávamos dele.

The Next Doctor (UK, 2008)
Direção: Andy Goddard
Roteiro: Russell T Davies
Elenco: David Tennant, David Morrissey, Velile Tshabalala, Dervla Kirwan
Duração: 60 min.

Planet of the Dead

estrelas 2,5

Especial de Despedida

Planet of the Dead talvez seja mais relevante por ter sido a primeira vez que um episódio de Doctor Who foi sido filmado e transmitido em alta definição do que por seus méritos intrínsecos. De toda forma, na categoria de episódio-solto-com-trama-maluca, ele não é de todo descartável e conta com uma bela fotografia desértica capturada em locação em Dubai e efeitos especiais bastante competentes.

No especial, o Doutor embarca em um ônibus de dois andares que entra em um portal interdimensional, chegando ao planeta deserto de San Helios onde ele e os demais passageiros têm que enfrentar arraias voadoras metálicas (!!!) com a ajuda dos Tritovores (Sorvin e Praygat), seres que parecem moscas e que haviam também caído nesse planeta (um ser dessa raça viria a aparecer de relance no episódio The God Complex, da 6ª Temporada da Série Nova). O problema é que a trama, apesar de exótica, é simples demais para sustentar 60 minutos de projeção e a narrativa acaba se perdendo em longas tomadas em que nada acontece.

A companheira do Doutor, dessa vez, é a inédita Lady Christina de Souza, uma ladra de joias cujo furto de um cálice de ouro (o Cálice de Athelstan) é mostrado em detalhes na abertura e acaba sendo essencial para o encerramento do especial. Apesar de vivida por Michelle Ryan de forma bastante competente, o roteiro de Davies e Gareth Roberts não a aproveita muito bem, com exceção do final, com o Doutor intercedendo em favor dela. Só de curiosidade, a personagem é mencionada em Tesseract, um arco de quadrinhos de Doctor Who da IDW e, depois, aparece e participa de The Eye of Ashaya, também em quadrinhos da mesma editora.

A única conexão com a trama maior de Doctor Who no episódio é a forçada fala de Carmen, uma das passageiras do ônibus, em que ela prevê que “sua [do Doutor] canção está acabando, senhor. Está voltando, está voltando pela escuridão. E então, Doutor… oh, mas então… ele baterá quatro vezes” em alusão direta ao fim dessa encarnação do Doutor.

Planet of the Dead (UK, 2009)
Direção: James Strong
Roteiro: Russell T Davies, Gareth Roberts
Elenco: David Tennant, Michelle Ryan, Noma Dumezweni, Lee Evans
Duração: 60 min.

The Waters of Mars

estrelas 4

Especial de Despedida

Eu gosto muito desse Especial. O trabalho com a interferência em pontos fixos da História e o que isso pode causar na linha do tempo de alguém é o principal motivo, e um dos temas que já vinham sendo discutidos na série desde o episódio em Pompeia, na 4ª Temporada. Outra coisa que me faz gostar tanto dele é a ligação com os eventos desse ponto da série e a especulação do Doutor de que o problema aqui seria coisa dos Ice Warriors, inimigos da Série Clássica que voltariam para o revival na era do 11º Doutor, no episódio Cold War.

A aparição do Ood Sigma e a nova conversa em torno da profecia e das batinas finais também estão presentes, e tudo isso num contexto nada forçado, dentro de uma sequência orgânica de acontecimentos. Outra coisa a ser destacada é a concepção para a base terráquea no planeta Marte e como essa relação é alterada rapidamente pelos eventos trágicos do roteiro. Também se destaca o fator de predestinação do roteiro, algo que nessa fase da vida do Doutor era difícil de suportar – ainda mais sem Donna, para quem ele acreditava que devia agir da forma coo agiu – e que acabou lhe ensinando uma de suas últimas lições.

The Waters of Mars (UK, 2009)
Direção: Graeme Harper
Roteiro: Russell T Davies, Phil Ford
Elenco: David Tennant, Lindsay Duncan, Peter O’Brien, Alan Ruscoe, Chook Sibtain
Duração: 62 min.

Dreamland

estrelas 2,5

Animação

A história de Dreamland começa em 13 de junho de 1947, quando uma nave alienígena cai no Deserto do Novo México. Onze anos depois a TARDIS do 10º Doutor se materializa no local em busca de algumas explicações, o que desencadeia uma série de eventos que vai levar o Time Lord aos Grey Aliens, uma espécie humanoide de alienígena que, em guerra contra os Viperox, foram atingidos e caíram no nosso planeta. O título do Especial brinca com o fato de nós, seres humanos, sermos civilizados e fazermos de nosso planeta um local de diplomacia e bons tratos a todos os seus habitantes ou, nesse caso, visitantes (só que não).

Confesso que a história é interessante. O roteiro de Phil Ford tem um forte apelo sentimental, só que é bem escrito, e não dificilmente emociona o público. O problema de Dreamland é a produção técnica. A animação é simplesmente horrorosa, salvando-se apenas em alguns desenhos de naves ou grandes ambientes, e pela dublagem, que coloca David Tennant e Georgia Moffett juntos novamente, agora não como Doctor e filha, mas como Doctor e companion.

O final do Especial é bonitinho em todos os sentidos. Mesmo que a resolução dos os problemas tenha sido positiva, não tivemos a impressão de um término clichê. O roteiro, como eu disse antes, é bem escrito, e traz a Área 51 para a série, que por sua fama e conceito geral cai muito bem na série. Eu só penso que a BBC e Cia., que tem tantos investidores e redes derivadas ao redor do mundo deveriam investir mais na produção de suas animações, que acabam pondo a perder histórias muito interessantes porque a parte técnica é absolutamente tenebrosa.

Dreamland (UK, 2009)
Direção: Gary Russell
Roteiro: Phil Ford
Elenco: David Tennant, Tim Howar, Georgia Moffett, Lisa Bowerman, Stuart Milligan, Clarke Peters, Nicholas Rowe Duração: 45 min.

The End of Time I & II

estrelas 5

Especial de Despedida

Ok, vamos fazer um cômputo aqui. Em The End of Time temos o arco que trouxe a morte e a regeneração do 10º Doutor em sua próxima encarnação. Temos o avô de Donna como companion, Martha Jones, Capitão Jack, Rose Tyler, Mickey Smith, Sarah Jane Smith, o Mestre… Como não se impressionar e até se emocionar com esse final? O modo como Russell T Davies trouxe a despedida do 10º Doutor e também a sua despedida da série foi épico em todos os sentidos, com uma sequência de eventos que trouxe até Galliffrey para a história, quebrando o jejum de Série Clássica pelo qual o revival passava.

Os pesadelos dos Oods, o fim do tempo em si, as grandes batalhas e pequenas lutas isoladas de cada um dos amigos do Doutor, a junção de todos os que importam para ele, a despedida que fez com cada um… Que final, que final! A era David Tennant não poderia dar um melhor adeus que esse.

The End of Time I & II (UK, 2009, 2010)
Direção: Euros Lyn
Roteiro: Russell T Davies
Elenco: David Tennant, Bernard Cribbins OBE, Matt Smith, Freema Agyeman, John Barrowman, Claire Bloom, Noel Clarke, Timothy Dalton, Alexandra Moen, Billie Piper, John Simm, Elisabeth Sladen, Catherine Tate, Russell Tovey
Duração: 132 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.