Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Marco Polo (Arco #4)

estrelas 4,5

Equipe: 1º Doutor, Susan, Ian e Barbara
Espaço-tempo: China, 1289

É de conhecimento geral que muitos episódios de Doctor Who foram jogados fora em limpezas de estúdio realizadas pela BBC, ou se perderam devido a má conservação dos arquivos. As únicas coisas que restaram desses episódios foram o áudio original e os fotogramas. Da união desses dois materiais nasceram os episódios “reconstituídos” de Doctor Who. É claro que a junção de fotogramas + áudio diferem, e muito, da imagem-movimento, mas a coisa funciona, e é possível assistir tranquilamente, até porque, há as indicações de movimento dos atores em legendas adicionais retiradas diretamente do roteiro, de modo que não perdemos a concepção geral da cena e a sequência de ações realizadas.

Marco Polo é um arco inteiramente reconstituído, o que é uma pena, porque a história é simplesmente incrível. Após retirar a TARDIS do nascimento do Universo, o Doutor chega a um lugar frio e resolve sair para explorar. O cliffhanger do arco passado já havia deixado uma interessante interrogação, com Susan encontrando uma pegada na neve e se perguntando se poderia ser de um gigante.

Mas longe de grandes homens da neve, o Doutor e sua comitiva encontraram ninguém menos que Marco Polo, à época, a serviço de Kubla Khan, tendo duas “missões” a cumprir em sua comitiva rumo ao palácio do Imperador. A primeira delas era acompanhar o chefe de guerra mongol chamado Tegana até a presença de Khan. Nessa audiência, Tegana, como enviado de seu chefe tribal, ofereceria paz aos conflitos com o Exército de Khan e receberia os termos do acordo. A outra missão era levar a jovem Ping-Cho até o seu noivo, um importante homem de 75 anos de idade.

A caravana avança por diversas localidades da China, como a Planície de Pamir, o Deserto de Gobi, Catai e Pequim. Depois de um arco claustrofóbico como The Edge of Destruction, acompanhar uma viagem tão longa e com uma narração em forma de diário pessoal com direito a mapa de viagem na tela e tudo é realmente um alívio para o espectador. Aqui também temos algumas surpresas, como a presença de animais (os cavalos) e um episódio, The Singing Sands, em que o Doutor tem apenas uma fala (William Hartnell estava em férias durante as filmagens). Mas apesar da ausência do Time Lord, as coisas funcionam muito bem. O roteiro de John Lucarotti arquiteta perfeitamente a ação do vilão e a dificuldade de ser desmascarado, fatores que fazem com que os episódios seguintes não caiam em subtramas de isopor e possam tornar a história mais rica à medida que a caravana avança – outro recurso essencial para o funcionamento da história.

Apesar do deus ex-machina envernizado, na finalização de uma parte da história, e uma rapidez que não precisava existir se o fechamento tivesse começado um pouco antes, o arco termina de maneira brilhante. Até a questão final de Marco Polo é bem colocada, trazendo a curiosidade para o espectador em relação ao episódio seguinte, sem precisar de um take indicador ao local. Depois de Assassin at Peking, um final mais calmo era o modo certo de fechar o arco, até porque, era necessário criar uma boa pausa entre uma aventura com os humanos do século XIII e as próximas criaturas de um futuro distante que em breve o Doutor e seuscompanions iriam conhecer.

Marco Polo (Arco #4) – 1ª Temporada

Roteiro: John Lucarotti
Direção: John Crockett, Waris Hussein
Elenco principal: William Hartnell, Carole Ann Ford, Jacqueline Hill, William Russell, Mark Eden, Derren Nesbitt

Audiência média: 9,47 milhões

7 Episódios (exibidos entre 22 de fevereiro e 04 de abril de 1964):
1. – The Roof of the World
2. – The Singing Sands
3. – Five Hundred Eye
4. – The Wall of Lies
5. – Rider From Shang-Tu
6. – Mighty Kublai Khan
7. – Assassin at Peking

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.