Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Romans (Arco #12)

The Romans 2

estrelas 3,5

Equipe: 1º Doutor, Ian, Barbara e Vicki
Espaço-tempo: Roma, 64 d.C.

Penso que todo espectador que tenha iniciado sua aventura através do universo de Doctor Who, na série clássica, jamais imaginaria que chegaria um momento em que o Doutor se tornaria alguém engraçado e que todas as suas reclamações e birras deixariam de ter um caráter sério. William Hartnell realiza um maravilhoso trabalho de mudança de personalidade, intensificando coisas que fazia antes, como a hilária risadinha e adicionando outros elementos cômicos, nunca se tornando inverossímil ou forçando situações engraçadas quando não haviam.

Esse guinada que os produtores e roteiristas prepararam para o papel do Doutor fez com que a série se tornasse mais leve, com episódios cômicos e situações impagáveis. As ameaças, sequestros, fugas e aventuras continuam, mas o tom de brincadeira que antes era apenas uma sugestão, torna-se um dos principais elementos de toda a história, como é possível observarmos nesse arco ambientado na Roma de Nero. O Doutor, Ian e Barbara já haviam visitado uma icônica civilização do passado, Os Astecas, e vemos que a memória dessa visita aparece aqui, guardando-se apenas as diferenças de local e tempo, além de uma nova pessoa na equipe, a adorável Vicki.

A ideia para a produção de uma aventura na Roma Antiga já tinha sido aludida nos estúdios da BBC, mas foi posta de lado justamente pela quadra histórica que havia sido produzida até então: 10.000 a.C. (uso esse nome, que é, inclusive, um dos títulos oficiais do arco, para destacar a sua colocação histórica), Marco PoloOs Astecas e O Reinado do Terror, história ambientada no momento mais sangrento da Revolução Francesa. Assim, Os Romanos acabou sendo produzido para o segundo ano do programa, e constituiu o primeiro arco histórico da temporada.

O início da aventura é improvável, mas o seu desenvolvimento é bastante satisfatório. A incômoda aparição de erros narrativos ainda existe, mas diante do arco como um todo, perdem força. Isso porque as situações em que os viajantes se colocam são bastante ricas de possibilidades e bem executadas pelos atores. O Doutor e sua nova fase cômica se aproxima de Vicki, a quem destina um visível afeto. Ia e Barbara estão mais próximos do que nunca, e não sei se sou apenas eu, mas vejo um certo flerte entre os dois até esse momento da série. As brincadeiras que fazem um com o outro e os olhares nos dão indícios que podem ser interpretados como paixão. Aí vai de espectador para espectador.

Nero aparece primeiro como um bufão frágil e meio abobalhado, mas depois vai ganhando uma outra motivação e comportamento dramáticos. Ao final do arco, o roteiro nos dá a visão de um imperador simplesmente maluco e assassino, a quem o Doutor, mesmo sem querer (será que foi sem querer mesmo?), dá a ideia para incendiar Roma. Aliás, nesse arco, temos conhecimento de muitas ideias e talentos do Doutor, como ser um bom lutador (a cena em que ele luta com um mercenário é maravilhosa) e um bom criador de histórias, visto que ele diz ter dado a Hans Christian Andersen a ideia para o conto A Roupa Nova do Imperador. O mesmo princípio usado em uma das cenas, onde o vemos tocar lira, mostra a inventividade da série e a coragem de Dennis Spooner em colocar esse momento de silêncio no roteiro.

Acredito que o ponto mais incômodo do arco sejam as elipses iniciais e temporais. No cliffhanger do arco anterior, a ameaça da queda da TARDIS foi interessante, mas passou em branco pelo roteiro, não sendo nem minimamente explorada. Temos apenas uma fala do Doutor, que diz que a nave pode decolar de qualquer ângulo, mas é só. A passagem desse momento da queda para a inserção dos nossos queridos viajantes já plenamente contextualizados em um cenário romando é abrupto e estranho, embora a montagem tenha tentado fortemente diminuir o vazio gerado por essa passagem.

Quase a mesma coisa acontece no encerramento, tendo apenas a vantagem de já sabermos alguns detalhes do local e já termos visto essa estranhíssima passagem de um cenário para outro. Por fim, o cliffhanger vem para criar uma situação de perigo e empurrar o espectador para o arco seguinte, mas o princípio é confuso e nem de perto tão bom quanto os anteriores. Apesar dessas questões, Os Romanos é um arco interessante e chega a ser genial em alguns momentos, com destaque para o elenco principal.

Em tempo: a luta de Ian contra os guardas de Nero é incrível, bem melhor do que o seu embate com o guerreiro asteca, na primeira temporada.

The Romans (Arco #12) – 2ª Temporada

Roteiro: Dennis Spooner
Direção: Christopher Barry
Elenco principal: William Hartnell, Jacqueline Hill, Maureen O’Brien, William Russell, Derek Francis

Audiência média: 11,62 milhões

4 Episódios (exibidos entre 16 de janeiro e 06 de fevereiro de 1965)

1. – The Slave Traders
2. – All Roads Lead to Rome
3. – Conspiracy
4. – Inferno

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.